Questão de Português — Figuras de Linguagem — FCC 2026
Português›Figuras de Linguagem
Código
fc140560
Banca
FCC
Órgão
MPE AP
Ano
2026
Cargo
Ana Min ( )
Nos poços
Primeiro você cai num Poço. Mas não é ruim cair num poço assim de repente? No começo é. Mas você logo começa a curtir as pedras do poço. O limo do poço. A umidade do poço. A água do poço. A terra do poço. O cheiro do poço. O poço do poço. Mas não é ruim a gente ir entrando nos poços dos poços sem fim? A gente não sente medo? A gente sente um pouco de medo mas não dói. A gente não morre? A gente morre um pouco em cada poço. E não dói? Morrer não dói. Morrer é entrar noutra. E depois: no fundo do poço do poço do poço do poço você vai descobrir quê.
(Adaptado de: ABREU, Caio Fernando. O ovo apunhalado, 2025)
Atenção: Para responder à questão, leia o texto abaixo.
A expressão "morrer é entrar noutra" exemplifica o uso de:
Ametonímia, por substituir o ato de morrer pela transição para outra forma de ser.
Bhipérbole, por intensificar a experiência do morrer como gesto de transformação.
Ceufemismo, por suavizar a ideia de fim sem eliminar seu sentido simbólico.
Dironia, por contrapor vida e morte em tom ambíguo e provocativo.
Emetáfora, pela morte se definir como passagem e não como aniquilamento.
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GabaritoE — metáfora, pela morte se definir como passagem e não como aniquilamento.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
A metáfora em "morrer é entrar noutra"
Gabarito: letra E. A expressão "morrer é entrar noutra" é uma metáfora, pois define a morte como uma passagem para outra forma de ser, e não como um fim absoluto. A passagem que ancora essa leitura está no próprio texto: "Morrer não dói. Morrer é entrar noutra." — aqui, o verbo "entrar" (movimento de transição) substitui a ideia de aniquilamento, criando uma comparação implícita entre morrer e atravessar para outro estado.
O comando e o texto
A questão pede que você identifique a figura de linguagem presente na expressão destacada. Isso é uma tarefa de conceito aplicado ao texto: não basta saber a definição decorada de cada figura; é preciso ver qual efeito de sentido a expressão produz no contexto. O texto de Caio Fernando Abreu trabalha com a imagem dos poços como metáfora da existência — cair, morrer um pouco, entrar em outra dimensão. A frase "morrer é entrar noutra" sintetiza essa visão: a morte não é o fim, é uma transição.
A técnica que decide
A diferença entre as alternativas está no tipo de relação que a expressão estabelece:
Metáfora: comparação implícita, sem conectivo, em que um termo é usado no lugar de outro por semelhança (morte = passagem).
Metonímia: substituição por proximidade (autor pela obra, parte pelo todo, causa pelo efeito).
Hipérbole: exagero intencional.
Eufemismo: suavização de uma ideia desagradável.
Ironia: dizer o contrário do que se quer comunicar.
Na expressão, "entrar noutra" não é um exagero, não é uma suavização, não é uma substituição por proximidade e não há tom de zombaria. Há uma comparação implícita: morrer é como entrar em outra coisa. Isso é a essência da metáfora.
"Morrer não dói. Morrer é entrar noutra."
O verbo "entrar" carrega a ideia de movimento para dentro de algo, ou seja, passagem para outro estado. O texto reforça isso ao longo de todo o poema: "A gente morre um pouco em cada poço" — cada morte é uma entrada em outra etapa. A morte, portanto, não é aniquilamento; é transformação.
Análise das alternativas
Figuras de linguagem: Metáfora (Comparação implícita, Semelhança, Cria novo sentido); Metonímia (Proximidade, Autor/obra, parte/todo); Hipérbole (Exagero intencional); Eufemismo (Suaviza ideia desagradável, Mantém o sentido original); Ironia (Dizer o contrário, Tom crítico/humorístico)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Metonímia exige relação de proximidade (autor/obra, continente/conteúdo, causa/efeito). Aqui não há substituição por proximidade; há uma comparação implícita entre morrer e entrar. A alternativa tenta confundir "transição" com "substituição", mas a relação é de semelhança, não de contiguidade.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Hipérbole é o exagero intencional ("morrer de rir"). A expressão "entrar noutra" não exagera nada; ela define a morte de forma figurada. Não há intensificação, há redefinição do sentido.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Eufemismo suaviza uma ideia desagradável ("partiu" por "morreu"). Aqui, a expressão não apenas suaviza — ela transforma o conceito: a morte vira passagem. O eufemismo mantém o sentido original (morte = fim), apenas o atenua; a metáfora cria um novo sentido (morte = entrada).
Alternativa D — ❌ Incorreta
Ironia exige dizer o contrário do que se pensa, com tom crítico ou humorístico. O texto é lírico e reflexivo, não irônico. Não há contradição entre o que se diz e o que se quer comunicar; há uma visão poética da morte.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A expressão é uma metáfora porque estabelece uma comparação implícita entre morrer e entrar em outra dimensão. O texto diz "Morrer é entrar noutra" — o verbo "entrar" indica passagem, e não fim. Isso é confirmado pelo contexto: "A gente morre um pouco em cada poço" — cada morte é uma transição para outra etapa. A morte é definida como passagem, não como aniquilamento.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a troca de conceito entre metáfora e metonímia/eufemismo. A metonímia usa proximidade (autor/obra); o eufemismo apenas suaviza. A metáfora cria um novo sentido por semelhança — e é exatamente isso que "entrar noutra" faz.
PEGA ESSA DICA!
Para diferenciar metáfora de metonímia, pergunte: a relação é de semelhança (metáfora) ou de proximidade (metonímia)? Para diferenciar de eufemismo, pergunte: o sentido original foi apenas suavizado (eufemismo) ou transformado (metáfora)?
Gabarito: letra E — a única alternativa que identifica corretamente a comparação implícita entre morrer e passar para outra forma de ser.