Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — FCC 2026
Português›Interpretação de Textos (Compreensão)
Código
fc140567
Banca
FCC
Órgão
MPE AP
Ano
2026
Cargo
Ana Min ( )
A primeira força
O tempo voa descabelado olhando para chuvas e paredes esverdeadas.
O tempo é porto de cidades que nunca mais se erguerão depois de janeiros e fomes de amanhã.
O tempo é uma tampa de ferro lançada violentamente contra a dor e a esperança.
O tempo é um livro anfíbio de saudades e sílabas tonificadas por dissabor e quintais incendiados.
O tempo se perde no tato e olfato de uma tela arquitetada para barcos e beijos de amantes.
O tempo é um canhoto entardecer iluminado por solidões reencharcadas de frutos, futuros e fins
(Adaptado de: MIRAGAIA Júlio. Disponível em: https://www.blogderocha.com.br)
Atenção: Para responder à questão, leia o texto abaixo.
O título “A primeira força” relaciona-se com o poema por expressar:
Aa noção de que o amor é a causa principal de toda emoção e inspiração poética.
Bo sentido de que o tempo pode dominar o espírito e orientar o destino das pessoas.
Ca ideia de que o tempo é a energia que suspende a negatividade do pensamento.
Da visão de que o tempo depende da técnica e do controle humano para existir.
Ea sugestão de que passado e futuro têm o mesmo valor e não se distinguem.
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GabaritoB — o sentido de que o tempo pode dominar o espírito e orientar o destino das pessoas.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
A primeira força: o tempo como força dominante
Gabarito: letra B. O título "A primeira força" relaciona-se ao poema porque o tempo é apresentado, ao longo de todo o texto, como uma força que domina o espírito e orienta o destino das pessoas — como se lê em passagens como "O tempo é uma tampa / de ferro lançada / violentamente / contra a dor / e a esperança" e "O tempo é um canhoto / entardecer iluminado / por solidões". A alternativa B é a única que sintetiza essa visão do tempo como potência avassaladora e determinante sobre a vida humana.
O comando pede que se relacione o título com o poema, ou seja, exige uma interpretação global do texto: é preciso captar qual é a "primeira força" que o poema descreve. Não se trata de localizar uma informação explícita, mas de depreender o sentido central que perpassa todas as estrofes. O título funciona como uma chave de leitura: ele anuncia que o poema trata de uma força primordial, e o leitor deve identificar, na sucessão de imagens, qual é essa força.
O poema é construído por uma série de metáforas que atribuem ao tempo características de algo poderoso, avassalador e incontrolável. Vejamos o movimento: o tempo "voa descabelado" (imagem de algo veloz e desgovernado); é "porto de cidades que nunca mais se erguerão" (algo que destrói e não permite reconstrução); é "tampa de ferro lançada violentamente contra a dor e a esperança" (algo que esmaga os sentimentos); é "livro anfíbio de saudades e sílabas tonificadas por dissabor" (algo que registra a dor); "se perde no tato e olfato de uma tela arquitetada para barcos e beijos de amantes" (algo que se infiltra nas experiências sensoriais e afetivas); e, por fim, é "um canhoto entardecer iluminado por solidões reencharcadas de frutos, futuros e fins" (algo que condensa o ciclo completo da existência). Em todas essas imagens, o tempo aparece como uma força que age sobre as pessoas, que marca, destrói, domina e determina — nunca como algo passivo ou controlável.
A técnica decisiva aqui é a do teste de ancoragem: cada alternativa deve ser confrontada com as imagens do poema. A correta é aquela que encontra respaldo direto nas metáforas; as erradas ou extrapolam (trazem ideias que o texto não autoriza) ou restringem o sentido (reduzem o tempo a um aspecto que o poema não enfatiza). O poema não fala de amor, não fala de técnica humana, não fala de igualdade entre passado e futuro — fala, sim, do tempo como força que domina e orienta.
"O tempo é uma tampa / de ferro lançada / violentamente / contra a dor / e a esperança."
Esta passagem é a mais explícita: o tempo age violentamente sobre a "dor" e a "esperança" — ou seja, sobre o que há de mais íntimo no espírito humano. A imagem da "tampa de ferro" sugere algo que abafa, domina, subjuga. Não é uma força que "suspende a negatividade" (como diz a C), mas uma força que esmaga tanto a dor quanto a esperança. E não é algo que dependa do controle humano (como diz a D), mas algo que se impõe sobre o humano.
"O tempo é porto / de cidades que / nunca mais se erguerão / depois de janeiros / e fomes de amanhã."
Aqui o tempo é o destino final de "cidades que nunca mais se erguerão" — ou seja, ele orienta o destino das coisas, levando-as a um fim irreversível. A expressão "nunca mais" reforça a ideia de um poder definitivo e inescapável.
A primeira força (tempo): Domina o espírito (Tampa de ferro, Contra dor e esperança); Orienta o destino (Porto de cidades, Nunca mais se erguerão); Força autônoma (Voa descabelado, Não depende do humano)
Alternativa A — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que o título expressa "a noção de que o amor é a causa principal de toda emoção e inspiração poética". O poema não menciona o amor como causa de nada. Há referência a "beijos de amantes", mas isso é apenas uma das imagens que o tempo atravessa — não é o tema central. A alternativa extrapola: introduz o amor como "causa principal", ideia que não está no texto. O poema trata do tempo, não do amor.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa afirma que o título expressa "o sentido de que o tempo pode dominar o espírito e orientar o destino das pessoas". Isso é exatamente o que o poema diz. O tempo "domina o espírito" quando é "tampa de ferro lançada violentamente contra a dor e a esperança" — esmaga os sentimentos. E "orienta o destino" quando é "porto de cidades que nunca mais se erguerão" — determina o fim irreversível. A alternativa é uma paráfrase fiel do sentido global do poema, sem acrescentar nada que não esteja lá.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que o tempo é "a energia que suspende a negatividade do pensamento". O poema diz o contrário: o tempo não suspende a negatividade, ele a esmaga — "tampa de ferro lançada violentamente contra a dor e a esperança". A palavra "suspende" sugere algo que alivia, que pausa o sofrimento; o poema mostra o tempo como algo que age violentamente sobre a dor. A alternativa contradiz o texto: inverte o sentido da imagem central.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que "o tempo depende da técnica e do controle humano para existir". O poema apresenta o tempo como algo independente do humano, que age sobre as pessoas — "voa descabelado", "é uma tampa de ferro lançada violentamente". Não há nenhuma menção a "técnica" ou "controle humano". A alternativa extrapola: introduz uma ideia que não tem qualquer respaldo no texto. O tempo, no poema, é uma força autônoma, não um produto da ação humana.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que "passado e futuro têm o mesmo valor e não se distinguem". O poema não faz essa comparação. Há referências a "janeiros" (tempo que passa), "fomes de amanhã" (futuro), "frutos, futuros e fins" — mas o poema não afirma que passado e futuro têm o mesmo valor. A alternativa tangencia o tema: fala de tempo, mas aborda uma questão (a equivalência entre passado e futuro) que o texto não discute. É uma fuga ao tema central, que é o tempo como força dominante.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a extrapolação com ideias que parecem plausíveis sobre o tempo (amor, controle humano, passado/futuro), mas que não estão no poema. A correta é a única que se ancora diretamente nas imagens de domínio e destruição.
PEGA ESSA DICA!
Ao relacionar título e texto, pergunte: "qual é a força que o poema descreve?" e busque a alternativa que sintetiza as imagens, sem acrescentar nada. Desconfie de alternativas que introduzem temas novos (amor, técnica) ou que invertem o sentido ("suspende" em vez de "esmaga").
Gabarito: letra B — a única que expressa, com fidelidade, a visão do tempo como força que domina o espírito e orienta o destino, tal como o poema a constrói.