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Questão de Português — Outras Questões de Semântica — FCC 2026

PortuguêsOutras Questões de Semântica
Código
fc140568
Banca
FCC
Órgão
MPE AP
Ano
2026
Cargo
Ana Min ( )

A primeira força

 

O tempo voa
descabelado
olhando para chuvas
e paredes esverdeadas.

 

O tempo é porto
de cidades que
nunca mais se erguerão
depois de janeiros
e fomes de amanhã.

 

O tempo é uma tampa
de ferro lançada
violentamente
contra a dor
e a esperança.

 

O tempo é um livro
anfíbio de saudades
e sílabas tonificadas
por dissabor
e quintais incendiados.

 

O tempo se perde
no tato e olfato
de uma tela arquitetada
para barcos
e beijos de amantes.

 

O tempo é um canhoto
entardecer iluminado
por solidões
reencharcadas
de frutos, futuros e fins

 

(Adaptado de: MIRAGAIA Júlio. Disponível em: https://www.blogderocha.com.br)

Atenção: Para responder à questão, leia o texto abaixo.

   

O uso reiterado do presente do indicativo em “é”, “voa” e “se perde” confere ao poema:

  1. Ao sentido de hipótese, típico de uma situação imaginada ou incerta.
  2. Ba impressão de que o texto recorda fatos que já ficaram no passado.
  3. Ca noção de que as ações foram concluídas e não voltam a ocorrer.
  4. Da ideia de que o tempo está sempre vivo, renovando o instante no poema.
  5. Eo tom de ordem ou conselho, comum em textos com valor de instrução.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — a ideia de que o tempo está sempre vivo, renovando o instante no poema.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

O presente do indicativo e a eternidade do tempo no poema

Gabarito: letra D. O uso reiterado do presente do indicativo em “é”, “voa” e “se perde” confere ao poema a ideia de que o tempo está sempre vivo, renovando o instante — e isso se prova pela própria natureza do presente: ele indica um fato que ocorre no momento da enunciação, sem marco de início ou fim. No poema, o tempo é descrito como algo que permanece (“O tempo é porto”, “O tempo é uma tampa”, “O tempo é um livro”), que age (“voa”, “se perde”) — tudo em presente, criando a sensação de continuidade e atualidade, não de algo passado ou hipotético.

“O tempo voa / descabelado” · “O tempo é porto” · “O tempo se perde / no tato e olfato”

Esses versos, todos no presente do indicativo, não relatam um fato concluído nem uma possibilidade futura: eles atualizam a ação, fazendo o leitor vivenciar o tempo como algo que acontece agora e sempre. É exatamente o que a alternativa D afirma: “o tempo está sempre vivo, renovando o instante no poema”.

O comando da questão

A questão pede que você identifique o efeito de sentido produzido pelo uso reiterado do presente do indicativo. Isso é diferente de pedir “o que o texto diz” — aqui, você deve relacionar a forma verbal (presente) ao sentido que ela constrói no poema. O verbo no presente, em sua acepção mais básica, indica:

  • Ação atual: ocorre no momento da fala.

  • Ação habitual: repete-se com frequência.

  • Ação permanente: verdades universais, estados duradouros.

No poema, o presente é usado para descrever o tempo como uma entidade permanente e ativa — ele não é algo que passou, nem algo que virá; ele é, voa, se perde. Essa reiteração cria a ideia de atemporalidade e continuidade, que é o que a alternativa D captura.

A técnica para resolver

  1. Identifique o tempo verbal: “é”, “voa”, “se perde” estão no presente do indicativo.

  2. Pergunte-se: que valor esse presente assume no contexto? Atualidade? Habitualidade? Permanência?

  3. Relacione com o tema do poema: o poema fala do tempo — e o presente verbal reforça a ideia de que o tempo é algo vivo e contínuo, não algo morto ou passado.

  4. Elimine as alternativas que atribuem ao presente valores que ele não tem: hipótese (futuro do pretérito), passado (pretérito), ordem (imperativo).

Análise das alternativas

1Valores
Ação atual
Ação habitual
Ação permanente
2Efeito no poema
Tempo vivo e contínuo
Renova o instante
3Não expressa
Hipótese (futuro do pretérito)
Passado (pretérito)
Ordem (imperativo)
Presente do indicativo
LEVELsoulevel.com.br
Presente do indicativo: Valores (Ação atual, Ação habitual, Ação permanente); Efeito no poema (Tempo vivo e contínuo, Renova o instante); Não expressa (Hipótese (futuro do pretérito), Passado (pretérito), Ordem (imperativo))

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: troca de valor verbal. O presente do indicativo não expressa hipótese; quem expressa hipótese é o futuro do pretérito (“seria”, “voaria”) ou o subjuntivo (“se voasse”). No poema, não há qualquer marca de incerteza ou condição — os verbos afirmam categoricamente. A alternativa extrapola ao atribuir ao presente um valor que ele não tem nesse contexto.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. O presente do indicativo não remete ao passado; quem remete ao passado é o pretérito (perfeito, imperfeito, mais-que-perfeito). O poema não diz “o tempo voou” ou “o tempo era” — diz “voa”, “é”. A alternativa contradiz o texto ao inverter o tempo verbal.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. A ideia de “ações concluídas que não voltam a ocorrer” é típica do pretérito perfeito (“voou”, “foi”). O presente, ao contrário, indica ação em curso ou habitual — não concluída. A alternativa contradiz o texto e o valor do presente.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Correta porque o presente do indicativo, no poema, expressa atualidade e permanência. Os versos “O tempo voa”, “O tempo é porto”, “O tempo se perde” descrevem o tempo como algo que acontece agora e sempre — vivo, em movimento, renovando-se a cada leitura. A alternativa parafraseia corretamente o efeito de sentido: “o tempo está sempre vivo, renovando o instante no poema”.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: foge ao tema. O tom de ordem ou conselho é próprio do imperativo (“voe”, “perca-se”), não do presente do indicativo. O poema não dá ordens nem conselhos; ele descreve o tempo. A alternativa tangencia o texto, atribuindo-lhe uma função que ele não exerce.

Conclusão

A questão testa sua capacidade de relacionar forma verbal e sentido. O presente do indicativo, reiterado, constrói a ideia de um tempo presente, contínuo e vivo — exatamente o que a alternativa D afirma. As demais alternativas ou atribuem ao presente valores de outros tempos (hipótese, passado, conclusão) ou de outros modos (imperativo).

PEGA ESSA DICA!

Ao encontrar uma questão sobre efeito de sentido de tempo verbal, pergunte-se: “esse tempo indica ação atual, habitual, passada ou futura?”. O presente do indicativo, fora de contextos específicos, indica atualidade — e é isso que a banca explora.

Gabarito: letra D

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