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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — FCC 2026

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
fc140570
Banca
FCC
Órgão
ARTESP
Ano
2026
Cargo
Ag FRT ( )

Sobre as vaidades

 

A vaidade é humana. Em alguma medida, todos somos vaidosos. Há inclusive a vaidade de quem vaidosamente confessa que não é vaidoso. A questão não é se ela está ou não em nós; a questão é o que fazer com ela.

 

Antes de mais nada, é preciso distinguir entre as formas pelas quais a vaidade opera. Há aquela que um indivíduo alimenta por se sentir melhor do que os outros, a vaidade de quem já parece ter nascido como um ser superior. A pessoa justifica sua vaidade pelo simples fato de ser quem é. É o caso de quem costuma dizer para quem não o identifica como um ser especial: “Você não me conhece...” Essa é uma vaidade odiosa, pois por ela a pessoa se impõe apenas por ser quem é, dispensando qualquer razão para se sentir como um deus.

 

Mas há também a vaidade de quem se orgulha por algo que efetivamente realizou: uma obra, um apoio afetivo, um trabalho socialmente útil, um gesto de solidariedade, um esforço consequente e positivo, um engajamento, um compromisso sério. É a vaidade de quem expande sua vida na direção do outro, e fica feliz pelo sucesso desse empreendimento. Essa é a vaidade justificável, com base objetiva, que resultou de um ato verdadeiramente virtuoso.

 

Em suma: há a vaidade de quem afirma “sou vaidoso pelo que sou” e há a vaidade de quem pode afirmar “estou vaidoso pelo que faço”. Não é difícil compreender como é longo esse caminho que vai do “simplesmente ser” para o “aplicar-se num fazer”. É a distância entre a vaidade vazia e a vaidade que decorre de uma ação construtiva.

 

(Leodegário Corsi, a editar)

Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto a seguir.

   

Ao tratar das duas formas pelas quais a vaidade opera, o autor do texto as distingue claramente,

  1. Aenaltecendo a razão puramente subjetiva alegada por um vaidoso.
  2. Bnegando a possibilidade de que qualquer tipo de vaidade seja defensável.
  3. Csem por isso emitir qualquer juízo de valor sobre qualquer uma delas.
  4. Dde modo que uma delas funcione como um complemento natural da outra.
  5. Edefendendo a superioridade objetiva de quem se apoia em realizações.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — defendendo a superioridade objetiva de quem se apoia em realizações.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

A distinção entre as duas vaidades e o juízo de valor do autor

Gabarito: letra E. O autor distingue as duas formas de vaidade defendendo a superioridade objetiva de quem se apoia em realizações — isso está explícito no texto quando ele chama uma de “vaidade odiosa” e a outra de “vaidade justificável, com base objetiva”. A alternativa E é a única que capta esse juízo de valor, enquanto as demais ou invertem a posição do autor, ou negam que ele tenha emitido opinião, ou acrescentam relações que o texto não estabelece.

O comando pede compreensão (não inferência): a resposta deve ser uma paráfrase fiel do que está escrito, sem deduções nem acréscimos. A tarefa é identificar como o autor distingue as duas formas de vaidade — e a distinção, no texto, não é neutra: ele valoriza uma e condena a outra.

O texto apresenta duas vaidades: a primeira, “odiosa”, é a de quem se impõe “apenas por ser quem é”; a segunda, “justificável, com base objetiva”, é a de quem se orgulha de “algo que efetivamente realizou”. A tese do autor fica clara no último parágrafo: “É a distância entre a vaidade vazia e a vaidade que decorre de uma ação construtiva” — ou seja, há uma hierarquia de valor entre elas.

A técnica para resolver: teste cada alternativa perguntando se o texto a autoriza. A correta é a que parafraseia o juízo do autor; as erradas ou contradizem o texto (A, B), ou restringem indevidamente (C), ou extrapolam uma relação que não existe (D).

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a tentação de achar que o autor é neutro (alternativa C) ou que as vaidades se complementam (D), quando o texto claramente hierarquiza as duas.

PEGA ESSA DICA!

Grife os adjetivos avaliativos do texto (“odiosa”, “justificável”, “vazia”, “construtiva”) — eles revelam o juízo de valor do autor e matam a questão.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa diz que o autor enaltece a razão puramente subjetiva alegada por um vaidoso. O texto faz exatamente o oposto: chama essa vaidade de “odiosa” e diz que a pessoa se impõe “apenas por ser quem é, dispensando qualquer razão”. O autor condena essa vaidade, não a enaltece. Erro: contradiz o texto.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que o autor nega a possibilidade de qualquer tipo de vaidade ser defensável. O texto, porém, defende a segunda vaidade como “justificável, com base objetiva” e a contrapõe à “vaidade vazia”. Logo, o autor admite que há uma vaidade defensável. Erro: contradiz o texto.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa diz que o autor não emite juízo de valor sobre nenhuma das vaidades. Isso é falso: ele usa adjetivos avaliativos como “odiosa” e “justificável”, e no final opõe “vaidade vazia” a “ação construtiva”. Há clara hierarquia de valor. Erro: restringe indevidamente (o texto valoriza uma e condena a outra).

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa sugere que uma vaidade funciona como complemento natural da outra. O texto não estabelece nenhuma relação de complementaridade; ao contrário, apresenta as duas como opostas (“vaidade vazia” × “ação construtiva”). Erro: extrapola — acrescenta uma relação que não está no texto.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa afirma que o autor defende a superioridade objetiva de quem se apoia em realizações. Isso está explícito: a segunda vaidade é chamada de “justificável, com base objetiva”, enquanto a primeira é “odiosa” e “vazia”. O autor claramente hierarquiza as duas, colocando a vaidade baseada em realizações como superior. Paráfrase fiel do texto.

Conclusão: a questão testa se você percebe o juízo de valor do autor. Ele não é neutro: condena a vaidade baseada no “ser” e elogia a baseada no “fazer”. A única alternativa que reflete isso é a E.

Gabarito: letra E

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