Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — FCC 2026
Português›Interpretação de Textos (Compreensão)
Código
fc140571
Banca
FCC
Órgão
ARTESP
Ano
2026
Cargo
Ag FRT ( )
Sobre as vaidades
A vaidade é humana. Em alguma medida, todos somos vaidosos. Há inclusive a vaidade de quem vaidosamente confessa que não é vaidoso. A questão não é se ela está ou não em nós; a questão é o que fazer com ela.
Antes de mais nada, é preciso distinguir entre as formas pelas quais a vaidade opera. Há aquela que um indivíduo alimenta por se sentir melhor do que os outros, a vaidade de quem já parece ter nascido como um ser superior. A pessoa justifica sua vaidade pelo simples fato de ser quem é. É o caso de quem costuma dizer para quem não o identifica como um ser especial: “Você não me conhece...” Essa é uma vaidade odiosa, pois por ela a pessoa se impõe apenas por ser quem é, dispensando qualquer razão para se sentir como um deus.
Mas há também a vaidade de quem se orgulha por algo que efetivamente realizou: uma obra, um apoio afetivo, um trabalho socialmente útil, um gesto de solidariedade, um esforço consequente e positivo, um engajamento, um compromisso sério. É a vaidade de quem expande sua vida na direção do outro, e fica feliz pelo sucesso desse empreendimento. Essa é a vaidade justificável, com base objetiva, que resultou de um ato verdadeiramente virtuoso.
Em suma: há a vaidade de quem afirma “sou vaidoso pelo que sou” e há a vaidade de quem pode afirmar “estou vaidoso pelo que faço”. Não é difícil compreender como é longo esse caminho que vai do “simplesmente ser” para o “aplicar-se num fazer”. É a distância entre a vaidade vazia e a vaidade que decorre de uma ação construtiva.
(Leodegário Corsi, a editar)
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto a seguir. No parágrafo, analisa-se a forma de vaidade cuja manifestação
Ase torna odiosa quando alguém não reconhece nos outros o direito ao mesmo amor-próprio.
Bdispensa a pessoa vaidosa de justificar sua superioridade em relação às outras pessoas.
Cderiva da hierarquia social, em razão da qual se promove um justo motivo de vaidade.
Dparte tão somente da sensação íntima de superioridade da pessoa vaidosa.
Eaparece quando uma pessoa passa a se orgulhar de seus empreendimentos.
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GabaritoD — parte tão somente da sensação íntima de superioridade da pessoa vaidosa.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
A vaidade odiosa: a distinção entre "ser" e "fazer"
Gabarito: letra D. A questão pede que se identifique a forma de vaidade analisada no parágrafo, e a alternativa D — "parte tão somente da sensação íntima de superioridade da pessoa vaidosa" — é a única que corresponde exatamente à descrição da vaidade odiosa, aquela que "dispensa qualquer razão para se sentir como um deus". O texto a caracteriza como uma vaidade que se justifica "pelo simples fato de ser quem é", ou seja, nasce de uma sensação íntima de superioridade, sem qualquer base objetiva.
O comando da questão é de compreensão textual: pede-se que se identifique, no texto, a forma de vaidade cuja manifestação é descrita. Isso significa que a resposta deve ser uma paráfrase fiel do que está escrito, sem deduções ou acréscimos. O texto apresenta uma oposição central entre dois tipos de vaidade: a odiosa (baseada no "ser") e a justificável (baseada no "fazer"). A alternativa correta deve descrever a primeira, que é o foco do parágrafo em questão.
O texto, em seu segundo parágrafo, descreve a vaidade odiosa com precisão. Vejamos o trecho decisivo:
"Há aquela que um indivíduo alimenta por se sentir melhor do que os outros, a vaidade de quem já parece ter nascido como um ser superior. A pessoa justifica sua vaidade pelo simples fato de ser quem é."
A alternativa D é uma paráfrase direta dessa passagem: "parte tão somente da sensação íntima de superioridade" corresponde a "se sentir melhor do que os outros" e "já parece ter nascido como um ser superior". O termo "tão somente" reforça a ideia de que essa vaidade não se apoia em nada além da sensação interna de superioridade, exatamente como o texto afirma ao dizer que ela "dispensa qualquer razão".
A pegadinha central da questão é a troca de referente: as alternativas A, B, C e E descrevem características que, embora relacionadas ao tema, não correspondem à vaidade odiosa descrita no parágrafo. A banca mistura elementos da vaidade justificável (E) e acrescenta informações que não estão no texto (A, B, C), testando se o candidato consegue distinguir com precisão o que está escrito do que é mera suposição.
Alternativa A — ❌ Incorreta
"se torna odiosa quando alguém não reconhece nos outros o direito ao mesmo amor-próprio."
Erro: extrapolação. O texto não menciona que a vaidade se torna odiosa por não reconhecer o amor-próprio alheio. A vaidade odiosa é descrita como aquela que se impõe "apenas por ser quem é, dispensando qualquer razão para se sentir como um deus". A ideia de "não reconhecer nos outros o direito ao mesmo amor-próprio" é uma inferência não autorizada — o texto não fala sobre o reconhecimento do amor-próprio dos outros, apenas sobre a autoimposição da pessoa vaidosa.
Alternativa B — ❌ Incorreta
"dispensa a pessoa vaidosa de justificar sua superioridade em relação às outras pessoas."
Erro: contradiz o texto. O texto afirma que a pessoa vaidosa "dispensa qualquer razão para se sentir como um deus", ou seja, ela não precisa justificar sua superioridade. A alternativa B, ao dizer que a vaidade "dispensa a pessoa de justificar", inverte a relação: no texto, é a vaidade que dispensa a justificativa, não a pessoa que é dispensada. Além disso, o texto não fala em "superioridade em relação às outras pessoas" como algo a ser justificado, mas sim em "se sentir como um deus".
Alternativa C — ❌ Incorreta
"deriva da hierarquia social, em razão da qual se promove um justo motivo de vaidade."
Erro: extrapolação e contradição. O texto não menciona "hierarquia social" em nenhum momento. A vaidade odiosa deriva de uma "sensação íntima de superioridade", não de uma posição social. Além disso, a alternativa fala em "justo motivo de vaidade", mas o texto classifica essa vaidade como odiosa, não como justa. A vaidade justificável é a que deriva de ações virtuosas, não de hierarquia social.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"parte tão somente da sensação íntima de superioridade da pessoa vaidosa."
Correta. Esta é a paráfrase exata do texto. O trecho "Há aquela que um indivíduo alimenta por se sentir melhor do que os outros" e "A pessoa justifica sua vaidade pelo simples fato de ser quem é" autoriza plenamente a afirmação de que a vaidade odiosa "parte tão somente da sensação íntima de superioridade". O advérbio "tão somente" é crucial: ele captura a ideia de que essa vaidade não se apoia em nenhuma realização concreta, apenas na autopercepção de superioridade.
Alternativa E — ❌ Incorreta
"aparece quando uma pessoa passa a se orgulhar de seus empreendimentos."
Erro: troca de referente. Esta alternativa descreve a vaidade justificável, não a odiosa. O texto diz: "Mas há também a vaidade de quem se orgulha por algo que efetivamente realizou: uma obra, um apoio afetivo, um trabalho socialmente útil...". A alternativa E se refere a essa segunda forma de vaidade, que é apresentada como oposta à analisada no parágrafo. A banca usa a oposição entre os dois tipos para confundir o candidato.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a oposição entre os dois tipos de vaidade (odiosa × justificável). A alternativa E descreve a vaidade justificável, enquanto A, B e C acrescentam informações que não estão no texto. A correta é a única que se limita a parafrasear a vaidade odiosa.
PEGA ESSA DICA!
Ao identificar uma oposição no texto (como "mas há também"), grife as características de cada lado. A questão pede um lado específico — confira se a alternativa descreve exatamente esse lado, sem misturar elementos do outro.
Gabarito: letra D. A regra de ouro: em questões de compreensão, a resposta é uma paráfrase fiel do texto. Teste cada alternativa perguntando: "o texto autoriza isto, ou exige acrescentar algo de fora?". A alternativa D é a única que não acrescenta, não restringe e não inverte nada — ela apenas reescreve com outras palavras o que o autor disse.