Questão de Português — Concordância (Verbal e Nominal) — FCC 2026
Português›Concordância (Verbal e Nominal)
Código
fc140572
Banca
FCC
Órgão
ARTESP
Ano
2026
Cargo
Ag FRT ( )
Sobre as vaidades
A vaidade é humana. Em alguma medida, todos somos vaidosos. Há inclusive a vaidade de quem vaidosamente confessa que não é vaidoso. A questão não é se ela está ou não em nós; a questão é o que fazer com ela.
Antes de mais nada, é preciso distinguir entre as formas pelas quais a vaidade opera. Há aquela que um indivíduo alimenta por se sentir melhor do que os outros, a vaidade de quem já parece ter nascido como um ser superior. A pessoa justifica sua vaidade pelo simples fato de ser quem é. É o caso de quem costuma dizer para quem não o identifica como um ser especial: “Você não me conhece...” Essa é uma vaidade odiosa, pois por ela a pessoa se impõe apenas por ser quem é, dispensando qualquer razão para se sentir como um deus.
Mas há também a vaidade de quem se orgulha por algo que efetivamente realizou: uma obra, um apoio afetivo, um trabalho socialmente útil, um gesto de solidariedade, um esforço consequente e positivo, um engajamento, um compromisso sério. É a vaidade de quem expande sua vida na direção do outro, e fica feliz pelo sucesso desse empreendimento. Essa é a vaidade justificável, com base objetiva, que resultou de um ato verdadeiramente virtuoso.
Em suma: há a vaidade de quem afirma “sou vaidoso pelo que sou” e há a vaidade de quem pode afirmar “estou vaidoso pelo que faço”. Não é difícil compreender como é longo esse caminho que vai do “simplesmente ser” para o “aplicar-se num fazer”. É a distância entre a vaidade vazia e a vaidade que decorre de uma ação construtiva.
(Leodegário Corsi, a editar)
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto a seguir. As normas de concordância verbal estão plenamente observadas na frase:
ADe todas as vaidades que haveriam entre nós, a pior é a que se afirma sem razão de ser.
BNão cabem à pessoas vaidosas buscarem se afirmar apenas pelo que se julgam ser.
CDistinga-se, para a caracterização da vaidade, as razões que estariam na base desse sentimento.
DA vaidade que a todos nos assalta é dos sentimentos o que mais nos aflige.
EEntre os clássicos tipos de vaidade seriam preciso distinguir os mais comprometedores.
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GabaritoD — A vaidade que a todos nos assalta é dos sentimentos o que mais nos aflige.
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Concordância verbal: a vaidade que a todos assalta
Gabarito: letra D. A única frase com concordância verbal plenamente correta é "A vaidade que a todos nos assalta é dos sentimentos o que mais nos aflige". O verbo "é" concorda com o sujeito "A vaidade" (singular), e o verbo "assalta" concorda com o antecedente do pronome relativo "que", que é "vaidade" (singular). As demais alternativas apresentam erros de concordância, como veremos a seguir.
O comando e o método
A questão pede que você identifique a frase em que "as normas de concordância verbal estão plenamente observadas". Isso significa que você deve verificar se o verbo de cada oração está flexionado corretamente em relação ao seu sujeito. O comando é de compreensão gramatical: não se trata de interpretar o texto, mas de aplicar a regra de concordância a cada frase. O texto-base serve apenas como contexto temático; a resposta está na análise sintática de cada alternativa.
A técnica que decide
Para resolver, siga este roteiro em cada alternativa:
Identifique o verbo (ou locução verbal) de cada oração.
Encontre o sujeito de cada verbo — pergunte "quem pratica a ação?" ou "de quem se fala?".
Verifique a concordância: o verbo deve concordar em número e pessoa com o núcleo do sujeito.
Cuidado com os casos especiais: verbo "haver" impessoal, sujeito com pronome relativo, voz passiva sintética, entre outros.
A banca adora distanciar o sujeito do verbo, intercalando termos entre eles para confundir o candidato. Por isso, sublinhe o verbo e procure o sujeito depois, como ensina o material de apoio: "Sublinhe o verbo e procure o sujeito depois".
Análise das alternativas
Concordância verbal: Verbo "haver" impessoal ("haveriam" (A), Sempre singular); Sujeito oracional ("cabem" (B), "seriam" (E), Verbo no singular); Voz passiva sintética ("Distinga-se" (C), Verbo concorda com o sujeito paciente); Pronome relativo "que" ("assalta" concorda com "vaidade" (D))
Alternativa A — ❌ Incorreta
"De todas as vaidades que haveriam entre nós, a pior é a que se afirma sem razão de ser."
Erro: uso do verbo "haver" como pessoal. O verbo "haver" no sentido de "existir" é impessoal — não tem sujeito e fica sempre na 3ª pessoa do singular. A forma correta seria "que havia entre nós" (ou "que há"). O erro é clássico: o candidato vê "vaidades" (plural) e pensa que o verbo deve ir para o plural, mas o "haver" impessoal não concorda com nada. Tipo de erro: contradiz a regra do verbo impessoal.
Alternativa B — ❌ Incorreta
"Não cabem à pessoas vaidosas buscarem se afirmar apenas pelo que se julgam ser."
Erro: concordância com sujeito oracional. O sujeito do verbo "caber" é a oração "buscarem se afirmar..." — um sujeito oracional, que exige verbo no singular: "Não cabe...". Além disso, há um problema de crase: "à pessoas" deveria ser "a pessoas" (sem crase, pois "pessoas" está no plural e não admite artigo definido "a"). O erro de concordância é o que a questão pede para identificar. Tipo de erro: concordância com sujeito oracional ignorada.
Alternativa C — ❌ Incorreta
"Distinga-se, para a caracterização da vaidade, as razões que estariam na base desse sentimento."
Erro: voz passiva sintética com sujeito no plural. O "se" é partícula apassivadora; o sujeito paciente é "as razões" (plural). O verbo deve concordar com ele: "Distingam-se as razões". A forma "Distinga-se" está no singular, mas o sujeito é plural. Tipo de erro: concordância na voz passiva sintética.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"A vaidade que a todos nos assalta é dos sentimentos o que mais nos aflige."
Análise:
"A vaidade" é o sujeito do verbo "é" — singular, correto.
"que a todos nos assalta": o pronome relativo "que" retoma "vaidade" (singular), então o verbo "assalta" fica no singular — correto.
"o que mais nos aflige": o pronome demonstrativo "o" (equivalente a "aquilo") é o sujeito de "aflige", que fica no singular — correto.
Todas as concordâncias estão plenamente observadas. É a única frase sem erro.
Alternativa E — ❌ Incorreta
"Entre os clássicos tipos de vaidade seriam preciso distinguir os mais comprometedores."
Erro: concordância com sujeito oracional. O sujeito de "seriam" é a oração "distinguir os mais comprometedores" — sujeito oracional exige verbo no singular: "seria preciso". Além disso, "preciso" fica invariável (não concorda com "tipos"), pois é um adjetivo em construção com verbo "ser" + adjetivo, que permanece no masculino singular quando não há artigo. O erro principal é a concordância verbal. Tipo de erro: concordância com sujeito oracional ignorada.
Conclusão
A banca testa os casos mais recorrentes de concordância verbal: verbo impessoal "haver", sujeito oracional, voz passiva sintética e concordância com pronome relativo. A única frase que respeita todas as regras é a letra D. Lembre-se: sublinhe o verbo, procure o sujeito e verifique se há algum caso especial (impessoal, oracional, partícula apassivadora).
PEGA ESSA DICA!
Em questões de concordância, desconfie de verbos no plural com sujeitos oracionais ("é preciso", "cabe", "importa") e do verbo "haver" com sentido de existir — ele nunca vai para o plural.