Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — FCC 2026
Português›Interpretação de Textos (Compreensão)
Código
fc140578
Banca
FCC
Órgão
ARTESP
Ano
2026
Cargo
Ana SPT ( )
O mar, a terra, o homem
O mar não é apenas adversário do homem que o desconhece, mas é também inimigo de suas próprias crias. Como uma tigresa selvagem que abalada na selva esmaga os próprios filhotes, assim também o mar atira contra os rochedos até mesmo as baleias mais poderosas. Nem misericórdia, nem força nenhuma senão a do próprio mar governa.
Considere a sutileza do mar; como as suas criaturas mais temidas deslizam sob as águas, invisíveis na maior parte, traiçoeiramente ocultas sob os matizes mais encantadores do azul. Considere também o brilho e a beleza diabólica de suas hordas sem piedade, como a forma delicadamente adornada de muitas espécies de tubarão. Considere, uma vez mais, também o canibalismo universal do mar, cujas criaturas se devoram umas às outras, continuando a guerra eterna desde o início do mundo.
Considere tudo isso; e então se volte para esta terra tão verde, suave e dócil; ambos considere, o mar e a terra; e você não acha que existe uma analogia estranhacom algo dentro de você? Pois, tal como o oceano aterrador cerca a terra verdejante, também há na alma do homem um terreno insular, cheio de paz e alegria, mas rodeado por todos os horrores da metade desconhecida da vida, aquela sobre a qual não temos nenhum controle. Que você não se afaste dessa ilha, pois poderá não mais voltar.
(Adaptado de: MELVILLE, Herman. Moby Dick. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 299)
Para responder à questão, baseie-se no texto a seguir.
Na analogia estranha que o texto propõe, entende-se que
Ao mar e a terra são igualmente atraentes para o homem que se aventura e triunfa nos espaços desses elementos.
Bo homem, assim como o mar e a terra, conserva seus mais afáveis encantos nas regiões que se ocultam ao olhar de fora.
Cas ameaças do mar, que cercam a bela terra insulada, lembram os perigos que rondam a interioridade anímica do homem.
Do homem serve-se da terra verdejante e das potências do mar sem se acautelar contra os perigos que ambos representam.
Ea terra e o mar, quando desenvolvem a fúria que lhes é própria, lembram a ferocidade das turbulências humanas.
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GabaritoC — as ameaças do mar, que cercam a bela terra insulada, lembram os perigos que rondam a interioridade anímica do homem.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
A analogia entre o mar e a alma humana
Gabarito: letra C. A questão pede que se entenda a "analogia estranha" proposta no texto, e a única alternativa que a reproduz fielmente é a C: as ameaças do mar, que cercam a bela terra insulada, lembram os perigos que rondam a interioridade anímica do homem. Essa leitura está ancorada no 3º parágrafo, quando o autor afirma que "tal como o oceano aterrador cerca a terra verdejante, também há na alma do homem um terreno insular, cheio de paz e alegria, mas rodeado por todos os horrores da metade desconhecida da vida". A alternativa C é uma paráfrase direta dessa passagem, sem acrescentar nada que o texto não diga.
O comando: compreensão da analogia
O enunciado pede que se entenda a analogia proposta — ou seja, é uma questão de compreensão (localizar e parafrasear uma ideia explícita), não de inferência ou extrapolação. A tarefa é identificar qual alternativa traduz, com fidelidade, a comparação que o autor estabelece entre o mar, a terra e a alma humana. Isso muda a resolução: não se trata de "achar" o que o texto sugere, mas de reconhecer a reescritura correta do que está dito.
O texto: a construção da analogia
O texto de Melville descreve o mar como um elemento hostil e traiçoeiro ("inimigo de suas próprias crias", "canibalismo universal"), em contraste com a terra, "tão verde, suave e dócil". No 3º parágrafo, o autor explicita a analogia central:
"tal como o oceano aterrador cerca a terra verdejante, também há na alma do homem um terreno insular, cheio de paz e alegria, mas rodeado por todos os horrores da metade desconhecida da vida, aquela sobre a qual não temos nenhum controle"
A estrutura da comparação é: mar (perigo) está para terra (paz) assim como os horrores da vida estão para a alma humana. A terra é a "ilha" de paz interior; o mar é o conjunto de ameaças externas e desconhecidas que a cercam. A alternativa C captura exatamente essa relação: as ameaças do mar (que cercam a terra) lembram os perigos que rondam a interioridade do homem.
A técnica: paráfrase fiel × extrapolação
A armadilha central desta questão é a extrapolação: várias alternativas pegam elementos do texto (mar, terra, homem, perigos) e os rearranjam de forma a criar afirmações que o autor não fez. O teste decisivo para cada alternativa é: o texto autoriza esta afirmação, ou ela exige acrescentar algo de fora? A correta é a única que se limita a reescrever a analogia explícita, sem introduzir ideias novas (como "triunfo", "servir-se", "fúria desenvolvida").
Analogia do texto: Mar (perigo) (Oceano aterrador, Cerca a terra); Terra (paz) (Verdejante, Bela, insulada); Alma humana (Terreno insular, Paz e alegria, Rodeada de horrores); Relação (Mar está para terra, Como perigos estão para alma)
Alternativa A — ❌ Incorreta
"o mar e a terra são igualmente atraentes para o homem que se aventura e triunfa nos espaços desses elementos"
Erro: extrapolação. O texto não diz que o homem "triunfa" sobre o mar ou a terra, nem que ambos são "igualmente atraentes". Pelo contrário, o mar é descrito como hostil e sem misericórdia ("Nem misericórdia, nem força nenhuma senão a do próprio mar governa"). A ideia de "aventura e triunfo" é acrescentada de fora, sem qualquer apoio no texto.
Alternativa B — ❌ Incorreta
"o homem, assim como o mar e a terra, conserva seus mais afáveis encantos nas regiões que se ocultam ao olhar de fora"
Erro: contradiz o texto. A alternativa inverte a relação: diz que o homem conserva "afáveis encantos" nas regiões ocultas, mas o texto afirma que a parte oculta da alma é justamente a dos "horrores" e do que "não temos controle". O que se oculta não é o encanto, mas o perigo. Além disso, o mar não tem "afáveis encantos" — suas belezas são "diabólicas" e "traiçoeiras".
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"as ameaças do mar, que cercam a bela terra insulada, lembram os perigos que rondam a interioridade anímica do homem"
Correta. É a paráfrase direta da analogia: o mar (ameaças) cerca a terra (bela, insulada), assim como os horrores da vida (perigos) rondam a alma do homem (interioridade anímica). A alternativa usa sinônimos precisos — "ameaças" para "oceano aterrador", "bela terra insulada" para "terra verdejante" e "terreno insular", "interioridade anímica" para "alma do homem" — sem acrescentar ou inverter nada.
Alternativa D — ❌ Incorreta
"o homem serve-se da terra verdejante e das potências do mar sem se acautelar contra os perigos que ambos representam"
Erro: extrapolação. O texto não diz que o homem "serve-se" da terra ou do mar, nem que age "sem se acautelar". A única recomendação prática do autor é o oposto: "Que você não se afaste dessa ilha, pois poderá não mais voltar" — um conselho de cautela, não de uso despreocupado. A alternativa inventa uma relação de uso que não está no texto.
Alternativa E — ❌ Incorreta
"a terra e o mar, quando desenvolvem a fúria que lhes é própria, lembram a ferocidade das turbulências humanas"
Erro: troca de referente. A alternativa atribui fúria tanto à terra quanto ao mar, mas o texto só atribui hostilidade ao mar — a terra é "suave e dócil". Além disso, a analogia não é entre a fúria dos elementos e a ferocidade humana, mas entre o mar que cerca a terra e os perigos que cercam a alma. A alternativa desloca o foco da comparação.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a extrapolação — pega elementos do texto (mar, terra, homem) e os combina em afirmações que o autor não fez (triunfo, uso, fúria da terra). A correta é a única que se limita a reescrever a analogia explícita no 3º parágrafo.
PEGA ESSA DICA!
Ao identificar uma analogia, sublinhe os dois termos comparados e a relação entre eles. Depois, teste cada alternativa perguntando: ela mantém exatamente essa relação, ou troca/inverte/acrescenta algo? Se acrescentou, é extrapolação.
Gabarito: letra C. A regra de ouro: em questões de compreensão, a resposta é a paráfrase fiel — nem mais, nem menos do que o texto diz. Qualquer alternativa que precise de informação de fora para fazer sentido está errada.