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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — FCC 2026

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
fc140599
Banca
FCC
Órgão
Pref Barueri
Ano
2026
Cargo
AFT ( )

Atenção: Considere o texto de Marcelo Gleiser para responder a questão a seguir.

 

Durante o século VI a.C., o comércio entre os vários Estados gregos cresceu em importância, e a riqueza gerada levou a uma melhoria das cidades e das condições de vida. O centro das atividades era em Mileto, uma cidade-Estado situada na parte sul da Jônia, hoje a costa mediterrânea da Turquia. Foi em Mileto que a primeira escola de filosofia pré-socrática floresceu. Sua origem marca o início da grande aventura intelectual que levaria, 2 mil anos depois, ao nascimento da ciência moderna.

 

De acordo com Aristóteles, Tales de Mileto foi o fundador da filosofia ocidental. A reputação de Tales era legendária. Usando seu conhecimento astronômico e meteorológico (provavelmente herdado dos babilônios), ele previu uma excelente colheita de azeitonas com um ano de antecedência. Sendo um homem prático, conseguiu dinheiro para alugar todas as prensas de azeite de oliva da região e, quando chegou o verão, os produtores de azeite de oliva tiveram de pagar a Tales pelo uso das prensas, que acabou fazendo uma fortuna.

 

A questão de central importância para os filósofos iônicos era a composição do cosmo. Qual é a substância que compõe o Universo? A resposta de Tales é que tudo é água. É provável que, à parte a possível influência das culturas do Oriente Médio, ao escolher a água como substância fundamental da Natureza, Tales tenha se inspirado em suas qualidades únicas de mutação. Mais ainda, assim como a maioria das formas de vida depende da água para existir, o próprio Universo exibia a mesma dependência, já que também era considerado por Tales como um organismo vivo. Essa visão orgânica do cosmo representa um esforço de unificação dos mecanismos responsáveis pelos processos naturais. Quando disse que “todas as coisas estão cheias de deuses”, ou que o magnetismo se deve à existência de “almas” dentro de certos minerais, Tales não invocava deuses para explicar suas observações, mas adivinhava intuitivamente que muitos dos fenômenos naturais são causados por tendências ou efeitos inerentes aos próprios objetos. De fato, a palavra alma deve ser compreendida aqui como uma espécie de princípio vital, por intermédio do qual todas as coisas são animadas, e não no seu sentido religioso moderno. Mesmo que essas ideias pareçam simples para nós, sua importância histórica é crucial. Com suas perguntas, Tales inaugurou um novo período na história do conhecimento, em que a Natureza passou a ser província da razão.

 

 (Adaptado de: GLEISER, Marcelo. A dança do universo. São Paulo: Companhia das Letras, 1997)

No terceiro parágrafo, a proposição de Tales de Mileto de que tudo é água e de que todas as coisas estão cheias de deuses representa
  1. Auma teoria religiosa baseada na mutabilidade de elementos naturais, como a água.
  2. Buma defesa intuitiva do politeísmo grego, compatível com a cultura local.
  3. Ca confirmação de que a filosofia nasceu como uma ramificação da religião.
  4. Da tentativa de explicar fenômenos naturais por meio de uma visão orgânica do cosmo.
  5. Ea ideia de que a água e os deuses são entidades separadas, sendo estes últimos os agentes das mudanças.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — a tentativa de explicar fenômenos naturais por meio de uma visão orgânica do cosmo.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

A visão orgânica do cosmo em Tales de Mileto

Gabarito: letra D. A proposição de Tales — "tudo é água" e "todas as coisas estão cheias de deuses" — representa, no terceiro parágrafo, a tentativa de explicar fenômenos naturais por meio de uma visão orgânica do cosmo. O texto é explícito ao afirmar que "Essa visão orgânica do cosmo representa um esforço de unificação dos mecanismos responsáveis pelos processos naturais", e que Tales "adivinhava intuitivamente que muitos dos fenômenos naturais são causados por tendências ou efeitos inerentes aos próprios objetos". A alternativa D é a única que parafraseia fielmente essa passagem, sem acrescentar, restringir ou inverter o que o autor disse.

O comando: compreensão, não inferência

O enunciado pergunta o que a proposição de Tales representa no terceiro parágrafo. Isso é uma questão de compreensão (recorrência): a resposta está explícita no texto, não precisa ser deduzida. O verbo "representa" pede que você localize a ideia que o autor atribui diretamente à proposição. Não há espaço para inferência nem para conhecimento de mundo — a banca quer que você encontre a paráfrase exata do que está escrito.

O texto: onde mora a resposta

O terceiro parágrafo desenvolve a tese de que Tales inaugurou a razão como forma de explicar a Natureza. O ponto-chave é a passagem que liga as duas proposições ("tudo é água" e "todas as coisas estão cheias de deuses") a uma mesma explicação:

"Essa visão orgânica do cosmo representa um esforço de unificação dos mecanismos responsáveis pelos processos naturais."

Aqui, o autor afirma que a visão orgânica unifica os mecanismos naturais. E logo antes, explica que Tales "adivinhava intuitivamente que muitos dos fenômenos naturais são causados por tendências ou efeitos inerentes aos próprios objetos". Ou seja: a água e os deuses não são entidades separadas nem elementos religiosos — são expressões de uma mesma força vital que anima todas as coisas. A alternativa D capta exatamente isso: a tentativa de explicar fenômenos naturais por meio de uma visão orgânica do cosmo.

A técnica: paráfrase fiel vs. extrapolação

A armadilha central desta questão é a extrapolação e a troca de conceito. As alternativas A, B, C e E introduzem ideias que o texto não sustenta:

  • A fala em "teoria religiosa" — o texto diz o contrário: "Tales não invocava deuses para explicar suas observações".

  • B fala em "defesa intuitiva do politeísmo grego" — o texto diz que a palavra "alma" deve ser compreendida como "princípio vital", não no sentido religioso moderno.

  • C afirma que a filosofia nasceu como ramificação da religião — o texto diz que Tales "inaugurou um novo período na história do conhecimento, em que a Natureza passou a ser província da razão", ou seja, separou-se da religião.

  • E separa água e deuses — o texto as unifica na visão orgânica.

A única que permanece fiel ao texto é a D, pois repete a ideia de "visão orgânica" e de "explicar fenômenos naturais", exatamente como o autor escreveu.

Análise das alternativas

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. A alternativa afirma que a proposição é uma "teoria religiosa". O texto, porém, é explícito:

"Tales não invocava deuses para explicar suas observações, mas adivinhava intuitivamente que muitos dos fenômenos naturais são causados por tendências ou efeitos inerentes aos próprios objetos."

Ou seja, a proposição não é religiosa; é uma tentativa de explicação natural (racional). A alternativa inverte o sentido.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. O texto menciona "deuses" e "almas", mas explica que a palavra "alma" deve ser entendida como "princípio vital", não no sentido religioso. A alternativa fala em "defesa intuitiva do politeísmo grego", o que é uma interpretação de fora do texto. O autor não diz que Tales defendia o politeísmo; diz que ele usava a linguagem da época para expressar uma intuição sobre causas naturais.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. O texto afirma que Tales "inaugurou um novo período na história do conhecimento, em que a Natureza passou a ser província da razão". Isso indica separação entre filosofia e religião, não uma "ramificação". A alternativa inverte a relação.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Correta porque parafraseia o texto. O autor escreve:

"Essa visão orgânica do cosmo representa um esforço de unificação dos mecanismos responsáveis pelos processos naturais."

E complementa:

"Tales não invocava deuses para explicar suas observações, mas adivinhava intuitivamente que muitos dos fenômenos naturais são causados por tendências ou efeitos inerentes aos próprios objetos."

A alternativa D diz exatamente isso: "a tentativa de explicar fenômenos naturais por meio de uma visão orgânica do cosmo". É a única que não acrescenta, não restringe e não inverte nada.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. A alternativa separa água e deuses, dizendo que estes últimos são "os agentes das mudanças". O texto, porém, unifica tudo na visão orgânica: a água é a substância fundamental e os deuses (ou "almas") são princípios vitais inerentes aos objetos. Não há separação; há unidade.

Conclusão

A questão testa sua capacidade de parafrasear fielmente o texto, sem extrapolar. A alternativa D é a única que repete a ideia central do terceiro parágrafo: a visão orgânica do cosmo como explicação dos fenômenos naturais. As demais ou contradizem o texto (A, C, E) ou extrapolam (B).

PEGA ESSA DICA!

Ao resolver questões de compreensão, grife no texto a passagem que responde ao enunciado e compare com cada alternativa. Se a alternativa acrescentar uma ideia que não está no texto, ela está errada — mesmo que pareça verdadeira no mundo real.

Gabarito: letra D

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