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Questão de Português — Concordância (Verbal e Nominal) — FCC 2026

PortuguêsConcordância (Verbal e Nominal)
Código
fc140604
Banca
FCC
Órgão
Pref Barueri
Ano
2026
Cargo
AFT ( )

Atenção: Considere o texto de Marcelo Gleiser para responder a questão a seguir.

 

Durante o século VI a.C., o comércio entre os vários Estados gregos cresceu em importância, e a riqueza gerada levou a uma melhoria das cidades e das condições de vida. O centro das atividades era em Mileto, uma cidade-Estado situada na parte sul da Jônia, hoje a costa mediterrânea da Turquia. Foi em Mileto que a primeira escola de filosofia pré-socrática floresceu. Sua origem marca o início da grande aventura intelectual que levaria, 2 mil anos depois, ao nascimento da ciência moderna.

 

De acordo com Aristóteles, Tales de Mileto foi o fundador da filosofia ocidental. A reputação de Tales era legendária. Usando seu conhecimento astronômico e meteorológico (provavelmente herdado dos babilônios), ele previu uma excelente colheita de azeitonas com um ano de antecedência. Sendo um homem prático, conseguiu dinheiro para alugar todas as prensas de azeite de oliva da região e, quando chegou o verão, os produtores de azeite de oliva tiveram de pagar a Tales pelo uso das prensas, que acabou fazendo uma fortuna.

 

A questão de central importância para os filósofos iônicos era a composição do cosmo. Qual é a substância que compõe o Universo? A resposta de Tales é que tudo é água. É provável que, à parte a possível influência das culturas do Oriente Médio, ao escolher a água como substância fundamental da Natureza, Tales tenha se inspirado em suas qualidades únicas de mutação. Mais ainda, assim como a maioria das formas de vida depende da água para existir, o próprio Universo exibia a mesma dependência, já que também era considerado por Tales como um organismo vivo. Essa visão orgânica do cosmo representa um esforço de unificação dos mecanismos responsáveis pelos processos naturais. Quando disse que “todas as coisas estão cheias de deuses”, ou que o magnetismo se deve à existência de “almas” dentro de certos minerais, Tales não invocava deuses para explicar suas observações, mas adivinhava intuitivamente que muitos dos fenômenos naturais são causados por tendências ou efeitos inerentes aos próprios objetos. De fato, a palavra alma deve ser compreendida aqui como uma espécie de princípio vital, por intermédio do qual todas as coisas são animadas, e não no seu sentido religioso moderno. Mesmo que essas ideias pareçam simples para nós, sua importância histórica é crucial. Com suas perguntas, Tales inaugurou um novo período na história do conhecimento, em que a Natureza passou a ser província da razão.

 

 (Adaptado de: GLEISER, Marcelo. A dança do universo. São Paulo: Companhia das Letras, 1997)

Sem prejuízo para a correção gramatical e o sentido, o verbo que também pode ser flexionado em uma forma do plural, sem nenhuma outra alteração na frase, está em:
  1. Aa maioria das formas de vida depende da água.
  2. BCom suas perguntas, Tales inaugurou um novo período na história do conhecimento.
  3. CA questão de central importância para os filósofos iônicos era a composição do cosmo.
  4. Do magnetismo se deve à existência de “almas” dentro de certos minerais.
  5. ETales não invocava deuses para explicar suas observações.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — a maioria das formas de vida depende da água.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Concordância verbal com expressões partitivas

Gabarito: letra A. A frase "a maioria das formas de vida depende da água" é a única em que o verbo pode ser flexionado no plural (dependem) sem prejuízo gramatical ou de sentido, porque o sujeito é uma expressão partitiva ("a maioria de") seguida de um substantivo no plural — construção que admite concordância tanto com o núcleo partitivo (singular) quanto com o termo especificador (plural). Como se lê no texto: "a maioria das formas de vida depende da água". Nas demais alternativas, o sujeito é simples e determinado, obrigando o verbo ao singular.

O comando

A questão pede que você identifique em qual frase o verbo também pode ser flexionado no plural, sem nenhuma outra alteração na frase. Isso significa: a concordância é facultativa — o singular já está correto, e o plural também deve ser aceitável pela norma culta. Não se trata de corrigir um erro, mas de reconhecer um caso de concordância facultativa.

A regra que decide

Quando o sujeito é formado por uma expressão partitiva (a maioria de, a maior parte de, grande parte de, metade de) seguida de um substantivo ou pronome no plural, o verbo pode concordar:

  • com o núcleo partitivo (singular): "A maioria dos alunos aprovou";

  • com o termo especificador (plural): "A maioria dos alunos aprovaram".

Ambas as formas são aceitas pela norma culta. É exatamente o que ocorre na alternativa A: "a maioria das formas de vida" — o núcleo é "maioria" (singular), mas o especificador "formas" está no plural, permitindo o verbo no plural dependem.

"a maioria das formas de vida depende da água"

Aqui, o verbo depender pode ficar no singular (concordando com "maioria") ou ir para o plural (concordando com "formas"). Nenhuma outra palavra da frase precisa mudar: "a maioria das formas de vida dependem da água" é gramatical e mantém o sentido.

Por que as outras não permitem o plural?

Nas alternativas B, C, D e E, o sujeito é simples e determinado — um núcleo único, sem expressão partitiva ou coletivo que admita dupla concordância. Vejamos:

  • B: "Tales inaugurou" — sujeito "Tales" (singular). Não há como pluralizar sem mudar o sujeito.

  • C: "A questão ... era" — sujeito "A questão" (singular). Idem.

  • D: "o magnetismo se deve" — sujeito "o magnetismo" (singular). Idem.

  • E: "Tales não invocava" — sujeito "Tales" (singular). Idem.

Em todos esses casos, o verbo está no singular porque o sujeito é um nome próprio ou um substantivo singular determinado. Para pluralizar o verbo, seria preciso pluralizar o sujeito, o que alteraria a frase — exatamente o que o enunciado proíbe ("sem nenhuma outra alteração").

Concordância verbal
  • 1Sujeito simples e determinado
    • Verbo obrigatório no singular
    • Ex.: Tales inaugurou
  • 2Expressão partitiva + plural
    • "a maioria de", "a maior parte de"
    • Verbo facultativo
      • Singular (com o núcleo)
      • Plural (com o especificador)
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A frase "a maioria das formas de vida depende da água" apresenta sujeito com expressão partitiva ("a maioria de") + substantivo plural ("formas"). A norma culta admite duas concordâncias:

  • Singular (com o núcleo "maioria"): "a maioria ... depende";

  • Plural (com o especificador "formas"): "a maioria ... dependem".

Portanto, o verbo pode ser flexionado no plural dependem sem qualquer outra alteração. É a única alternativa que atende ao comando.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Com suas perguntas, Tales inaugurou um novo período na história do conhecimento."

O sujeito é "Tales", nome próprio singular. O verbo inaugurou concorda obrigatoriamente com ele. Para usar o plural, seria preciso mudar o sujeito ("Tales e outros inauguraram"), o que alteraria a frase. Erro: sujeito simples e determinado — não há concordância facultativa.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"A questão de central importância para os filósofos iônicos era a composição do cosmo."

Sujeito: "A questão" (singular). O verbo era concorda com ele. Não há expressão partitiva nem coletivo que permita o plural. Erro: sujeito simples e determinado.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"o magnetismo se deve à existência de 'almas' dentro de certos minerais."

Sujeito: "o magnetismo" (singular). O verbo deve concorda com ele. O termo "almas" é objeto indireto, não sujeito. Erro: sujeito simples e determinado; o plural de "almas" não influencia o verbo.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"Tales não invocava deuses para explicar suas observações."

Sujeito: "Tales" (singular). O verbo invocava concorda com ele. O objeto direto "deuses" está no plural, mas não afeta a concordância verbal. Erro: sujeito simples e determinado.

Conclusão

A única frase em que o verbo pode ser flexionado no plural sem alterar nada é a letra A, pois a expressão partitiva "a maioria de" seguida de plural admite concordância facultativa. Nas demais, o sujeito é simples e determinado, obrigando o singular.

PEGA ESSA DICA!

Ao ver "a maioria de", "a maior parte de", "grande parte de" + substantivo plural, lembre-se: o verbo pode concordar com o núcleo (singular) ou com o especificador (plural). Já com sujeito simples (nome próprio, substantivo singular), a concordância é obrigatória no singular.

Gabarito: letra A

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