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Questão de Português — Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto. — FCC 2026

PortuguêsReescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
Código
fc140615
Banca
FCC
Órgão
SESAPI
Ano
2026
Cargo
Farm ( )

Considere o texto abaixo para responder a questão.

 

A Grécia clássica experimentou uma deificação da saúde: Higeia, filha de Asclépio, o deus da medicina, personificava a dádiva do pai, como deusa da saúde, limpeza e sanidade, e seu culto foi introduzido em Atenas por volta do ano 420 a.C.

 

Higeia sugeria misteriosamente a escolha dos alimentos necessários à existência e os remédios apropriados aos males. Ela também sustentava a força dos mortais, prevenindo as doenças. Não estamos propondo que a criação do mito de Higeia foi influenciada pela medicina dietética ou vice-versa. Para fazer tal afirmação, precisaríamos saber com certeza a data do surgimento de cada um deles. Mas parece que a Grécia dos séculos V e IV a.C. foi também a “Grécia da saúde”.

 

A medicina dietética, com suas técnicas de prevenção da saúde, estendeu seu poder de influência em diversas áreas da vida humana: alimentação, relações sexuais, banhos e exercícios. A dietética foi propícia para se construir uma medicina social que interagiu nos costumes com o pretexto de curar as enfermidades. No Corpus hippocraticum, a palavra diaita aparece com o sentido de “tratamento”, mas a dietética não possuiria somente fins terapêuticos: ela serviria para preservação e promoção da saúde, bem como a prevenção das doenças.

 

A vida do homem estava então “medicalizada”, a ponto de trocar a prática da virtude e da política pelo cuidado com a saúde. De acordo com Platão, o advento da medicina dietética fez o rico se tornar “nosotrófico”. Platão cunha a palavra “nosotrofia”, isto é, o ato de criar ou alimentar as doenças. Segundo ele, os ricos abandonaram suas obrigações com a pólis para cuidar de sua saúde, esquivando-se de responsabilidades: *[...] é o que se observa principalmente com esse cuidado excessivo do corpo, que vai muito além dos exercícios usuais de ginástica. Prejudica até mesmo os trabalhos de casa, o serviço nas campanhas militares e as obrigações civis em tempo de paz” (Platão, República, 407b).

 

Hoje, de formas diferentes, o culto à saúde continua. As estratégias de marketing das empresas farmacêuticas almejam as pessoas saudáveis. Qualquer queixa é transformada em sintoma. “O rolo compressor das campanhas publicitárias [...) transforma as pessoas saudáveis em doentes preocupados”, segundo Moynihan e Wasmes. Ainda hoje, a medicina busca certa primazia sobre a vida do ser humano, mesmo que ele não esteja doente. O pano de fundo é, de certo modo, semelhante ao da Grécia clássica.

 

(Adaptado de: MATSUI, Sussumo. “O mito de Higeia e a medicina dietética..." Revista Estética Semiótica, v. 6, n. 2, 2016)

Uma nova redação para o trecho A dietética foi propícia para se construir uma medicina social que interagiu nos costumes com o pretexto de curar as enfermidades, que mantém a correção e, em linhas gerais, o sentido original, encontra-se em:

  1. ACom o objetivo de curar enfermidades, uma medicina social, cuja formação foi favorecida pela dietética, passou a fazer parte dos costumes.
  2. BA fim de curar enfermidades, a dietética deu origem a uma medicina popular, que, para tanto, teve papel semelhante aos costumes.
  3. CA dietética oportunizou a criação de uma medicina social que interagia com os costumes, cujo ensejo era a cura das doenças.
  4. DA criação de uma medicina social pela dietética, a qual tomou parte dos costumes, tinha por escopo a cura das enfermidades.
  5. EA propensão da dietética para que se desenvolvesse uma medicina social, a relacionar-se com os costumes, tinha o objetivo de curar as doenças.
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GabaritoA — Com o objetivo de curar enfermidades, uma medicina social, cuja formação foi favorecida pela dietética, passou a fazer parte dos costumes.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Reescrita de frases: como manter o sentido original

Gabarito: letra A. A alternativa A é a única que preserva integralmente o sentido do trecho original, reestruturando a frase sem acrescentar, suprimir ou inverter qualquer informação. Ela mantém a relação de finalidade (curar enfermidades), o papel da dietética (favorecer a formação da medicina social) e a ideia de que essa medicina passou a integrar os costumes — exatamente o que o texto diz. As demais alternativas ou trocam termos por outros de sentido diverso, ou restringem o alcance, ou invertem relações lógicas.

O comando pede uma nova redação que mantenha a correção e, em linhas gerais, o sentido original. Isso é uma típica questão de paráfrase: reescrever o mesmo conteúdo com outras palavras, sem alterar a semântica. O foco não é apenas a gramática, mas a equivalência de sentido — qualquer mudança que acrescente, omita ou inverta uma ideia torna a alternativa errada.

No trecho original, temos três informações centrais:

  1. A dietética foi propícia (favorável) para construir uma medicina social.

  2. Essa medicina social interagiu nos costumes (passou a fazer parte dos costumes).

  3. Isso ocorreu com o pretexto de curar as enfermidades (finalidade declarada).

A alternativa A reorganiza essas ideias: coloca a finalidade em primeiro lugar, transforma "propícia" em "favorecida" e "interagiu nos costumes" em "passou a fazer parte dos costumes". Tudo isso é paráfrase legítima — sinônimos e mudança de ordem sem alterar o sentido.

A técnica para resolver: teste cada alternativa perguntando: o texto autoriza esta informação? Se a alternativa acrescenta algo que não está no original (como "dar origem" em B, que sugere criação direta, enquanto o texto diz apenas "propícia para construir"), ou restringe (como "medicina popular" em B, que limita o alcance), ou inverte a relação (como em D, onde "a qual" pode se referir à dietética, não à medicina social), ela está errada.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa A reescreve o trecho com precisão:

"Com o objetivo de curar enfermidades, uma medicina social, cuja formação foi favorecida pela dietética, passou a fazer parte dos costumes."

  • "Com o objetivo de curar enfermidades" = "com o pretexto de curar as enfermidades" (finalidade).

  • "cuja formação foi favorecida pela dietética" = "a dietética foi propícia para se construir" (a dietética favoreceu a formação).

  • "passou a fazer parte dos costumes" = "interagiu nos costumes" (integração aos costumes).

Nenhuma informação foi acrescentada, suprimida ou invertida. A relação de finalidade, o papel da dietética e a integração aos costumes estão todos presentes. É uma paráfrase perfeita.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"A fim de curar enfermidades, a dietética deu origem a uma medicina popular, que, para tanto, teve papel semelhante aos costumes."

Dois erros graves:

  1. "deu origem a" — o texto diz que a dietética foi propícia para construir, ou seja, favoreceu a construção, não que ela criou diretamente. "Dar origem" é mais forte e altera o sentido.

  2. "medicina popular" — o texto fala em "medicina social", sem restringir a "popular". Isso é uma restrição indevida (armadilha do catálogo: limitar o alcance).

Além disso, "teve papel semelhante aos costumes" é confuso e não corresponde a "interagiu nos costumes". A alternativa extrapola e restringe ao mesmo tempo.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"A dietética oportunizou a criação de uma medicina social que interagia com os costumes, cujo ensejo era a cura das doenças."

Esta alternativa parece boa, mas tem um problema sutil: "cujo ensejo" — o pronome relativo "cujo" estabelece uma relação de posse. No original, "com o pretexto de curar" indica finalidade, não posse. "Ensejo" significa "oportunidade", "ocasião", não "objetivo" ou "pretexto". A troca de "pretexto" por "ensejo" altera o sentido: o pretexto é a justificativa declarada, o ensejo é a ocasião propícia. Portanto, há uma troca de termo que muda a semântica.

Além disso, "interagia com os costumes" é aceitável, mas o conjunto não mantém o sentido original com precisão.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"A criação de uma medicina social pela dietética, a qual tomou parte dos costumes, tinha por escopo a cura das enfermidades."

Aqui há uma ambiguidade referencial: "a qual" pode se referir a "medicina social" ou a "dietética". No original, quem interage nos costumes é a medicina social, não a dietética. Se "a qual" se refere à dietética, o sentido é invertido. Além disso, "tomou parte dos costumes" é diferente de "interagiu nos costumes" — "tomar parte" sugere participação ativa, enquanto "interagir" sugere influência mútua. A alternativa contradiz o texto ao inverter o sujeito da ação.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"A propensão da dietética para que se desenvolvesse uma medicina social, a relacionar-se com os costumes, tinha o objetivo de curar as doenças."

O erro está em "propensão": o texto diz que a dietética foi propícia (favorável), não que ela tinha propensão (tendência, inclinação). "Propensão" é uma característica da dietética, enquanto "propícia" indica que ela era adequada para algo. A troca altera o sentido: o texto afirma que a dietética favoreceu a construção, não que ela tinha tendência a isso. Além disso, "a relacionar-se com os costumes" é uma construção estranha e não equivale a "interagiu nos costumes". A alternativa troca o termo e altera a relação lógica.

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora trocar termos por sinônimos aparentes que mudam o sentido ("propícia" → "propensão", "pretexto" → "ensejo") e restringir o alcance ("medicina social" → "medicina popular"). Fique atento a palavras que parecem equivalentes, mas não são.

PEGA ESSA DICA!

Ao reescrever, sublinhe as palavras-chave do original (propícia, construir, interagir, pretexto) e verifique se a alternativa as mantém com o mesmo valor semântico. Se qualquer uma for trocada por um termo de sentido diverso, a alternativa está errada.

Conclusão: a única alternativa que mantém a correção e o sentido original é a letra A. As demais ou trocam termos por outros de sentido diverso (B, C, E), ou restringem o alcance (B), ou invertem a relação lógica (D).

Gabarito: letra A

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