Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto. — FCC 2026

PortuguêsReescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
Código
fc140640
Banca
FCC
Órgão
ALMS
Ano
2026
Cargo
ALegis ( )

A favor do tédio

 

Alguns livros recentes tratam dos malefícios de nossa constante vontade de encontrar diversões. Como sugere o título de um deles (O vício da distração), de Alex Pange, a vontade de se distrair seria uma forma de dependência. Também já li artigos de revista sobre “os surpreendentes benefícios do tédio”.

 

Os livros não me pareceram imperdíveis. E os artigos nas revistas de grande circulação citam pesquisas por ouvir dizer. Mas tanto faz. O conjunto manifesta um novo clima segundo o qual a necessidade de sermos entretidos e estimulados continuamente não tornaria nossa vida mais rica e variada; ao contrário, é possível que essa disparidade empobreça nossa experiência.

 

Já foi dito por evolucionistas que a sorte de nossa espécie foi sua fraqueza: enquanto passávamos horas a fio escondidos e calados nos arbustos, esperando as feras passarem, a imobilidade e o tédio forçados produziriam o surgimento da consciência, do pensamento e da fantasia. Que tal aplicar essa hipótese no campo da educação? O que é mais “educativo” para as crianças? A diversão? Ou a chance de se entediar?

 

Umberto Eco atribui ao filósofo Benedetto Croce uma frase que ele cita com frequência: “O primeiro dever dos jovens é o de se tornar velhos”. Esse slogan não tem como ser muito popular numa época em que o primeiro dever dos velhos é o de parecerem jovens. De fato, em nossa época os adultos não ajudam os jovens a envelhecer; eles preferem mantê-los na mesma criancice que eles desejam para si.

 

Certo, é preciso estimular as crianças para que elas se desenvolvam na interação com o mundo. Mas o problema é que, sem tédio maçante, ninguém, criança ou adulto, consegue inventar para si uma vida interior. E para que serve uma vida interior? Se forem pensamentos aos quais recorremos quando não temos nada para fazer, não é mais simples a gente se manter ocupado e não precisar da tal vida interior?

 

O problema é que há uma boa parte da vida exterior que, sem vida interior, é totalmente insossa. Se não acredita, tente se envolver com as artes, com as amizades ou com o sentimento amoroso levando apenas o ser que você tenha esvaziado. Mesmo entre outras espécies, há lições a observar. Os gatos, por exemplo, são ótimos administradores de seu tédio. Eles sabem se divertir muito bem, quando a ocasião se apresenta, mas também sabem não fazer nada com muita categoria. Nisso, eles batem os cachorros, que sempre parecem aliviados quando finalmente têm algo para fazer.

 

(Adaptado de: CALLIGARIS, Contardo. Aproveitar a vida e suas dores.

São Paulo: Planeta, 2025. p. 159-162)

Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto seguinte.

   

Se forem pensamentos aos quais recorremos quando não temos nada para fazer, não é mais simples a gente se manter ocupado e não precisar de tal vida interior?

 

O período acima manterá seu sentido básico e sua correção gramatical caso se substituam os dois elementos sublinhados, respectivamente, por:

  1. Ados quais nos valemos − dispensar
  2. Bpelos quais socorremos − desfavorecer
  3. Cem cujos incorremos − relutar
  4. Da que nos pautamos − excluir
  5. Eaonde investimos − impossibilitar
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — dos quais nos valemos − dispensar

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Reescrita de Frases: regência e sentido na substituição de "aos quais recorremos" e "não precisar"

Gabarito: letra A. A substituição correta é "dos quais nos valemos" e "dispensar", pois preserva o sentido de usar/recorrer a algo e de não precisar de algo, mantendo a correção gramatical. A alternativa A é a única que respeita a regência do verbo "valer-se" (valer-se de) e o sentido de "não precisar" como "dispensar".

O comando pede uma reescrita sem alteração de sentido e com correção gramatical. Isso significa que a troca deve manter o valor semântico original e a estrutura sintática adequada. O trecho original é: "Se forem pensamentos aos quais recorremos quando não temos nada para fazer, não é mais simples a gente se manter ocupado e não precisar de tal vida interior?".

O primeiro elemento sublinhado, "aos quais recorremos", é uma oração adjetiva que se refere a "pensamentos". O verbo "recorrer" exige a preposição "a" (recorrer a algo), e o pronome relativo "os quais" retoma "pensamentos". A substituição deve manter essa regência: o novo verbo deve pedir a preposição "a" e o pronome relativo deve continuar se referindo a "pensamentos".

O segundo elemento, "não precisar de tal vida interior", expressa a ideia de não necessitar, não ter falta de algo. A substituição deve manter esse sentido de dispensar, abrir mão de.

A técnica para resolver é testar cada alternativa, verificando: (1) se o verbo proposto tem a mesma regência (exige a preposição "a"); (2) se o pronome relativo "os quais" continua correto; (3) se o sentido de "não precisar" é preservado.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A substituição "dos quais nos valemos" e "dispensar" é perfeita. O verbo "valer-se" exige a preposição "de" (valer-se de algo), e o pronome relativo "os quais" se refere a "pensamentos", formando "dos quais" (de + os quais). O sentido de "recorrer a" é mantido por "valer-se de". Já "dispensar" significa "não precisar de, abrir mão de", exatamente o sentido de "não precisar de tal vida interior". A frase reescrita fica: "Se forem pensamentos dos quais nos valemos quando não temos nada para fazer, não é mais simples a gente se manter ocupado e dispensar tal vida interior?" — gramatical e semanticamente correta.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"pelos quais socorremos" — o verbo "socorrer" não pede a preposição "por" (socorre-se a alguém, não "por" algo). Além disso, "socorrer" significa "ajudar, prestar socorro", o que não equivale a "recorrer a". "desfavorecer" significa "prejudicar, não favorecer", o que não é o mesmo que "não precisar de". Erro: troca de sentido e regência inadequada.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"em cujos incorremos" — o verbo "incorrer" exige a preposição "em" (incorrer em algo), mas o pronome "cujos" estabelece uma relação de posse que não existe no original. Além disso, "incorrer" significa "cair, cometer", não "recorrer a". "relutar" significa "hesitar, resistir", o que não equivale a "não precisar de". Erro: troca de sentido e estrutura pronominal inadequada.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"a que nos pautamos" — o verbo "pautar-se" exige a preposição "por" (pautar-se por algo), não "a". Além disso, "pautar-se" significa "basear-se, orientar-se", o que não é o mesmo que "recorrer a". "excluir" significa "eliminar, retirar", o que não equivale a "não precisar de". Erro: regência inadequada e troca de sentido.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"aonde investimos" — o verbo "investir" exige a preposição "em" (investir em algo), não "aonde". Além disso, "aonde" é usado com verbos que indicam movimento, o que não é o caso. "impossibilitar" significa "tornar impossível", o que não equivale a "não precisar de". Erro: regência inadequada e troca de sentido.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a regência verbal e a precisão semântica. A alternativa A é a única que mantém a regência correta (valer-se de) e o sentido de "não precisar" (dispensar). As demais trocam o sentido ou usam regência inadequada.

PEGA ESSA DICA!

Ao substituir um verbo, verifique sempre a preposição que ele exige. "Recorrer a" = "valer-se de"; "não precisar de" = "dispensar". Teste a regência e o sentido antes de marcar.

Gabarito: letra A — a única que preserva o sentido e a correção gramatical.

Link permanente: /questoes/fc140640