Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Pontuação (Ponto, Vírgula, Travessão, Aspas, Parênteses, etc) — FCC 2026

PortuguêsPontuação (Ponto, Vírgula, Travessão, Aspas, Parênteses, etc)
Código
fc140644
Banca
FCC
Órgão
ALMS
Ano
2026
Cargo
ALegis ( )

A favor do tédio

 

Alguns livros recentes tratam dos malefícios de nossa constante vontade de encontrar diversões. Como sugere o título de um deles (O vício da distração), de Alex Pange, a vontade de se distrair seria uma forma de dependência. Também já li artigos de revista sobre “os surpreendentes benefícios do tédio”.

 

Os livros não me pareceram imperdíveis. E os artigos nas revistas de grande circulação citam pesquisas por ouvir dizer. Mas tanto faz. O conjunto manifesta um novo clima segundo o qual a necessidade de sermos entretidos e estimulados continuamente não tornaria nossa vida mais rica e variada; ao contrário, é possível que essa disparidade empobreça nossa experiência.

 

Já foi dito por evolucionistas que a sorte de nossa espécie foi sua fraqueza: enquanto passávamos horas a fio escondidos e calados nos arbustos, esperando as feras passarem, a imobilidade e o tédio forçados produziriam o surgimento da consciência, do pensamento e da fantasia. Que tal aplicar essa hipótese no campo da educação? O que é mais “educativo” para as crianças? A diversão? Ou a chance de se entediar?

 

Umberto Eco atribui ao filósofo Benedetto Croce uma frase que ele cita com frequência: “O primeiro dever dos jovens é o de se tornar velhos”. Esse slogan não tem como ser muito popular numa época em que o primeiro dever dos velhos é o de parecerem jovens. De fato, em nossa época os adultos não ajudam os jovens a envelhecer; eles preferem mantê-los na mesma criancice que eles desejam para si.

 

Certo, é preciso estimular as crianças para que elas se desenvolvam na interação com o mundo. Mas o problema é que, sem tédio maçante, ninguém, criança ou adulto, consegue inventar para si uma vida interior. E para que serve uma vida interior? Se forem pensamentos aos quais recorremos quando não temos nada para fazer, não é mais simples a gente se manter ocupado e não precisar da tal vida interior?

 

O problema é que há uma boa parte da vida exterior que, sem vida interior, é totalmente insossa. Se não acredita, tente se envolver com as artes, com as amizades ou com o sentimento amoroso levando apenas o ser que você tenha esvaziado. Mesmo entre outras espécies, há lições a observar. Os gatos, por exemplo, são ótimos administradores de seu tédio. Eles sabem se divertir muito bem, quando a ocasião se apresenta, mas também sabem não fazer nada com muita categoria. Nisso, eles batem os cachorros, que sempre parecem aliviados quando finalmente têm algo para fazer.

 

(Adaptado de: CALLIGARIS, Contardo. Aproveitar a vida e suas dores.

São Paulo: Planeta, 2025. p. 159-162)

Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto seguinte.     Está inteiramente adequada a pontuação da frase:
  1. AO título O vício da distração de um livro de Alex Pange, é, ao mesmo tempo, sugestivo e provocador; porquanto contraria o senso comum; imperativo para tantos.
  2. BPara estimular a vida interior na qual se desfruta o prazer das artes, é imprescindível que em certa medida o tédio crie seu espaço − aberto, para as cogitações.
  3. CTratando-se de um filósofo como Croce há que se estranhar esse seu apelo, para que os jovens logo se tornem velhos descuidando, pois, dos prazeres de sua idade.
  4. DO tédio é uma deficiência do espírito, acreditam alguns; outros, como Alex Pange, combatem a obrigação da distração, na qual identificam mais um vício do que um prazer.
  5. EÉ notório em nossa época, esse esforço que fazem os adultos, interessados que estão em estimular uma criancice generalizada − em vez de apressarem sua maturação.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — O tédio é uma deficiência do espírito, acreditam alguns; outros, como Alex Pange, combatem a obrigação da distração, na qual identificam mais um vício do que um prazer.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Pontuação: a vírgula, o ponto e vírgula e o travessão a serviço do sentido

Gabarito: letra D. A frase da alternativa D é a única em que todos os sinais de pontuação estão empregados conforme a norma culta: a vírgula isola o aposto "acreditam alguns", o ponto e vírgula separa orações coordenadas que já contêm vírgulas internas, e a vírgula antes de "na qual" introduz uma oração adjetiva explicativa. As demais alternativas apresentam vícios de pontuação, como separar sujeito de verbo, usar ponto e vírgula indevidamente ou empregar travessão sem necessidade.

O comando pede que se identifique a frase em que a pontuação está inteiramente adequada. Isso significa que devemos analisar cada alternativa sob as regras de pontuação da norma culta, verificando se os sinais estão bem empregados e se não há separação indevida de termos essenciais da oração. Não se trata de interpretar o texto, mas de aplicar a gramática normativa.

No texto-base, o autor defende a importância do tédio para a vida interior, citando Alex Pange e sua obra "O vício da distração". A alternativa D reescreve essa ideia com pontuação correta, mantendo o sentido original.

A técnica central é conhecer os usos da vírgula: ela não pode separar sujeito de verbo, verbo de complemento, nem adjunto adnominal do substantivo. Já o ponto e vírgula é usado para separar orações coordenadas que já possuem vírgulas internas, ou itens de uma enumeração. O travessão pode substituir vírgulas ou parênteses para isolar termos acessórios, mas não deve ser usado sem necessidade.

Vamos analisar cada alternativa:

Alternativa A — ❌ Incorreta

A frase "O título O vício da distração de um livro de Alex Pange, é, ao mesmo tempo, sugestivo e provocador; porquanto contraria o senso comum; imperativo para tantos." apresenta dois problemas graves. Primeiro, a vírgula após "Pange" separa o sujeito composto "O título O vício da distração de um livro de Alex Pange" do verbo "é", o que é proibido. Segundo, o ponto e vírgula antes de "porquanto" e antes de "imperativo" é inadequado, pois "porquanto" é uma conjunção explicativa que não deve ser separada por ponto e vírgula, e "imperativo para tantos" é um termo solto que não forma oração. O correto seria usar vírgulas ou reestruturar a frase.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A frase "Para estimular a vida interior na qual se desfruta o prazer das artes, é imprescindível que em certa medida o tédio crie seu espaço − aberto, para as cogitações." tem dois problemas. Primeiro, a vírgula após "artes" é facultativa, mas o travessão antes de "aberto" é desnecessário, pois "aberto" é um adjunto adnominal que não precisa de isolamento. Segundo, a vírgula após "aberto" separa o adjunto adnominal "aberto" do substantivo "espaço", o que é proibido. O correto seria: "...o tédio crie seu espaço aberto para as cogitações."

Alternativa C — ❌ Incorreta

A frase "Tratando-se de um filósofo como Croce há que se estranhar esse seu apelo, para que os jovens logo se tornem velhos descuidando, pois, dos prazeres de sua idade." tem dois problemas. Primeiro, falta uma vírgula após "Croce" para isolar a oração reduzida "Tratando-se de um filósofo como Croce". Segundo, a vírgula após "velhos" separa o verbo "descuidando" de seu complemento "dos prazeres de sua idade", o que é proibido. O correto seria: "Tratando-se de um filósofo como Croce, há que se estranhar esse seu apelo, para que os jovens logo se tornem velhos, descuidando dos prazeres de sua idade."

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A frase "O tédio é uma deficiência do espírito, acreditam alguns; outros, como Alex Pange, combatem a obrigação da distração, na qual identificam mais um vício do que um prazer." está perfeitamente pontuada. A vírgula após "espírito" isola a oração intercalada "acreditam alguns". O ponto e vírgula separa as duas orações coordenadas "O tédio é uma deficiência do espírito, acreditam alguns" e "outros, como Alex Pange, combatem a obrigação da distração, na qual identificam mais um vício do que um prazer", que já contêm vírgulas internas. A vírgula após "Pange" isola o aposto "como Alex Pange". A vírgula antes de "na qual" introduz uma oração adjetiva explicativa. Tudo está de acordo com a norma culta.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A frase "É notório em nossa época, esse esforço que fazem os adultos, interessados que estão em estimular uma criancice generalizada − em vez de apressarem sua maturação." tem dois problemas. Primeiro, a vírgula após "época" separa o sujeito "esse esforço que fazem os adultos" do verbo "É", o que é proibido. Segundo, o travessão antes de "em vez de" é desnecessário, pois "em vez de apressarem sua maturação" é uma locução que não precisa de isolamento. O correto seria: "É notório, em nossa época, esse esforço que fazem os adultos, interessados que estão em estimular uma criancice generalizada, em vez de apressarem sua maturação."

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre o uso do ponto e vírgula e da vírgula, além de oferecer frases com separação indevida de sujeito e verbo ou de verbo e complemento. Fique atento a essas armadilhas.

PEGA ESSA DICA!

Ao analisar a pontuação, verifique sempre se não há separação entre sujeito e verbo, verbo e complemento, ou adjunto adnominal e substantivo. O ponto e vírgula é usado para separar orações coordenadas que já possuem vírgulas internas, e o travessão pode substituir vírgulas ou parênteses para isolar termos acessórios.

Gabarito: letra D

Link permanente: /questoes/fc140644