Questão de Português — Regência Nominal e Verbal (Casos Gerais) — FCC 2026
Português›Regência Nominal e Verbal (Casos Gerais)
Código
fc140649
Banca
FCC
Órgão
ALMS
Ano
2026
Cargo
ALegis ( )
[Luzia e a linguagem]
O nome dela pode ser Luzia. Nasceu agora mesmo, no Brasil. Um peso, mas também uma alegria. Se tudo estiver bem com ela, com sua saúde e seu desenvolvimento, a menina vai realizar um pequeno milagre. A partir de dados desorganizados, fragmentados e muitas vezes contraditórios, Luzia vai aprender a falar.
Quando, na vida adulta, ou mesmo ainda na escola, ela for tentar aprender um novo idioma, vai entender que não foi à toa que usei a palavra “milagre” agora há pouco. Aquilo que para uma pessoa adulta, instruída, com acesso a todo tipo de recursos e métodos é uma tarefa complicadíssima, uma criança pequena resolve por conta própria, quase sem dar por isso.
A linguagem é algo absolutamente central para a nossa espécie, e somos muitíssimo competentes em pegar esse bastão de uma geração anterior. Caso seja estritamente necessário, chegamos até a desenvolver um idioma que atenda às necessidades do nosso grupo, como já aconteceu com crianças surdas que, reunidas, desenvolveram como que do zero uma linguagem de sinais todinha delas.
As exigências para este milagre da aquisição de linguagem são até menores do que as relativas a outros campos: nossa menina Luzia pode nascer em condições de violenta pobreza e privação, e, mesmo assim, seu desenvolvimento linguístico vai acontecer. Pode demorar um pouco mais, porém vai acontecer. E se tudo estiver razoavelmente bem, ela vai acabar ganhando o domínio completo do idioma dos seus pais, da sua comunidade, do seu país. Ou, na verdade, sua nova versão dessa língua. Sim, mesmo que Luzia não tenha acesso à educação formal. Nesse caso, é essa variedade do idioma que ela não vai ter no bolso. Mas apenas essa.
Como nasceu no Brasil, é quase certo que esse idioma venha a ser o português. Ele vai ter um papel central na existência de Luzia: será o instrumento que ela vai utilizar para aprender a tomar decisões, conquistar o amor de alguém, alertar um amigo, pedir carinho à mãe, dizer bobagens para um filho... Tudo vai se dar nesse idioma. Nessa coisa variada, colorida, esquisita e maravilhosa que chamamos de língua portuguesa.
(Adaptado de: GALINDO, Caetano W. Latim em pó. São Paulo:
Companhia das Letras, 2022. p. 11-13)
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto seguinte.
Aquilo que para uma pessoa com acesso ao uso de métodos eficazes é uma tarefa que lhe exige muito esforço, uma criança pequena resolve sem dar por isso.
A redação da frase acima permanecerá correta caso se substituam os elementos sublinhados, na ordem dada, por:
Aa quem não faltem – atinar com isso
Bde que disponha – lhe notar
Cprovida em – contar para isso
Dsendo acessível a – fazê-lo perceptível
Efranqueada no emprego de – torná-lo incluso
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GabaritoA — a quem não faltem – atinar com isso
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Reescritura com regência e pronomes: a troca que preserva o sentido
Gabarito: letra A. A substituição correta é "a quem não faltem – atinar com isso", pois mantém a regência e o sentido da frase original: "pessoa a quem não faltem métodos eficazes" equivale a "pessoa com acesso ao uso de métodos eficazes", e "atinar com isso" equivale a "resolver sem dar por isso" (perceber/compreender a solução). As demais alternativas ou quebram a regência, ou alteram o sentido, ou introduzem construções agramaticais.
O comando
A questão pede uma reescritura — substituir os elementos sublinhados por outros que preservem a correção gramatical e o sentido. Isso exige atenção a três frentes: (1) a regência do verbo/nome (que preposição ele exige), (2) a referência pronominal (o pronome deve retomar o mesmo antecedente), e (3) o sentido (a paráfrase não pode mudar o que se afirma). Não é uma questão de interpretação profunda, mas de análise sintático-semântica aplicada ao trecho.
O texto e a frase
O texto fala da aquisição de linguagem por crianças (Luzia) em contraste com a dificuldade de adultos. A frase reescrita condensa essa ideia: "Aquilo que para uma pessoa com acesso ao uso de métodos eficazes é uma tarefa que lhe exige muito esforço, uma criança pequena resolve sem dar por isso." Os elementos sublinhados são: "com acesso ao uso de" (locução que qualifica "pessoa") e "sem dar por isso" (expressão que indica não perceber o esforço). A substituição deve manter a ideia de que a pessoa tem métodos eficazes e que a criança resolve sem perceber.
A técnica que decide
A regra de ouro da reescritura: a troca deve preservar a regência e o sentido. Teste cada alternativa perguntando: (a) a nova expressão exige a mesma preposição? (b) o pronome retoma o mesmo referente? (c) o sentido continua o mesmo? A alternativa A é a única que passa nos três testes: "a quem não faltem" = "que não lhe faltem" (regência de "faltar a"), e "atinar com isso" = "perceber/compreender isso" (sentido de "resolver sem dar por isso"). As demais falham em pelo menos um dos critérios.
Alternativa A — ✅ Correta
A substituição "a quem não faltem – atinar com isso" é a única que preserva integralmente a estrutura e o sentido. Vejamos:
"a quem não faltem" substitui "com acesso ao uso de". A regência de "faltar" exige a preposição "a" (faltar a alguém), e o pronome relativo "quem" retoma "pessoa". A construção "pessoa a quem não faltem métodos eficazes" é gramatical e significa exatamente o mesmo: a pessoa tem métodos eficazes (não lhe faltam).
"atinar com isso" substitui "sem dar por isso". "Atinar com" significa "perceber, compreender, dar conta de". A criança "resolve sem dar por isso" = "resolve sem perceber" = "resolve atinando com isso" (no sentido de que a solução ocorre naturalmente). O sentido de "resolver sem esforço consciente" é mantido.
"Aquilo que para uma pessoa com acesso ao uso de métodos eficazes é uma tarefa que lhe exige muito esforço, uma criança pequena resolve sem dar por isso."
A paráfrase com A fica: "Aquilo que para uma pessoa a quem não faltem métodos eficazes é uma tarefa que lhe exige muito esforço, uma criança pequena resolve atinando com isso." Perfeita.
Alternativa B — ❌ Incorreta
"de que disponha – lhe notar" falha duplamente. Primeiro, "pessoa de que disponha" é estranho: "dispor de" exige a preposição "de", mas o pronome relativo "que" retomaria "pessoa", gerando "pessoa de que disponha" — o que daria a entender que a pessoa dispõe de algo, não que ela tem métodos. O correto seria "pessoa de que disponha métodos" (o que não é o caso). Segundo, "lhe notar" é agramatical: o verbo "notar" é transitivo direto (notar algo), não admite o pronome oblíquo "lhe" (que é objeto indireto). O correto seria "notá-lo". Além disso, "lhe notar" mudaria o sentido: "notar" é perceber, mas "sem dar por isso" é não perceber — a substituição inverteria a ideia. Erro: troca de conceito (regência e sentido).
Alternativa C — ❌ Incorreta
"provida em – contar para isso" quebra a regência. O adjetivo "provido" exige a preposição "de" (provido de recursos), não "em". "Pessoa provida em métodos" é agramatical. Além disso, "contar para isso" não tem o sentido de "resolver sem dar por isso": "contar para" significa "servir para" ou "ter importância para", o que não se aplica. A criança não "conta para" resolver; ela resolve. Erro: troca de conceito (regência e sentido).
Alternativa D — ❌ Incorreta
"sendo acessível a – fazê-lo perceptível" também falha. "Acessível a" exige a preposição "a", mas a construção "pessoa sendo acessível a métodos" muda o sentido: a pessoa tem acesso a métodos (ela é a agente), mas "acessível a" indica que algo é acessível para ela — inverte a relação. Além disso, "fazê-lo perceptível" significa "tornar algo perceptível", o que não equivale a "resolver sem dar por isso": a criança não torna a tarefa perceptível; ela simplesmente resolve. Erro: troca de conceito (regência e sentido).
Alternativa E — ❌ Incorreta
"franqueada no emprego de – torná-lo incluso" é a mais distante. "Franqueada" exige a preposição "a" (franqueada a alguém), não "no emprego de". "Pessoa franqueada no emprego de métodos" é agramatical e sem sentido claro. "Torná-lo incluso" significa "incluí-lo", o que não tem relação com "resolver sem dar por isso". A criança não "inclui" a tarefa; ela a resolve. Erro: troca de conceito (regência e sentido).
Conclusão
A única alternativa que preserva a regência, a referência pronominal e o sentido é a letra A. As demais ou quebram a regência (C, E), ou invertem o sentido (B, D), ou introduzem construções agramaticais (B, C, E).
NÃO CAIA NESSA!
A banca oferece expressões que parecem sinônimas, mas que exigem preposições diferentes ou mudam o sentido. A correta é a única que mantém a estrutura sintática e o significado.
PEGA ESSA DICA!
Na reescritura, teste cada troca perguntando: (1) a preposição exigida é a mesma? (2) o pronome retoma o mesmo referente? (3) o sentido continua idêntico? Se qualquer resposta for "não", a alternativa está errada.