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Questão de Português — Concordância (Verbal e Nominal) — FCC 2026

PortuguêsConcordância (Verbal e Nominal)
Código
fc140651
Banca
FCC
Órgão
ALMS
Ano
2026
Cargo
ALegis ( )

[Luzia e a linguagem]

 

O nome dela pode ser Luzia. Nasceu agora mesmo, no Brasil. Um peso, mas também uma alegria. Se tudo estiver bem com ela, com sua saúde e seu desenvolvimento, a menina vai realizar um pequeno milagre. A partir de dados desorganizados, fragmentados e muitas vezes contraditórios, Luzia vai aprender a falar.

 

Quando, na vida adulta, ou mesmo ainda na escola, ela for tentar aprender um novo idioma, vai entender que não foi à toa que usei a palavra “milagre” agora há pouco. Aquilo que para uma pessoa adulta, instruída, com acesso a todo tipo de recursos e métodos é uma tarefa complicadíssima, uma criança pequena resolve por conta própria, quase sem dar por isso.

 

A linguagem é algo absolutamente central para a nossa espécie, e somos muitíssimo competentes em pegar esse bastão de uma geração anterior. Caso seja estritamente necessário, chegamos até a desenvolver um idioma que atenda às necessidades do nosso grupo, como já aconteceu com crianças surdas que, reunidas, desenvolveram como que do zero uma linguagem de sinais todinha delas.

 

As exigências para este milagre da aquisição de linguagem são até menores do que as relativas a outros campos: nossa menina Luzia pode nascer em condições de violenta pobreza e privação, e, mesmo assim, seu desenvolvimento linguístico vai acontecer. Pode demorar um pouco mais, porém vai acontecer. E se tudo estiver razoavelmente bem, ela vai acabar ganhando o domínio completo do idioma dos seus pais, da sua comunidade, do seu país. Ou, na verdade, sua nova versão dessa língua. Sim, mesmo que Luzia não tenha acesso à educação formal. Nesse caso, é essa variedade do idioma que ela não vai ter no bolso. Mas apenas essa.

 

Como nasceu no Brasil, é quase certo que esse idioma venha a ser o português. Ele vai ter um papel central na existência de Luzia: será o instrumento que ela vai utilizar para aprender a tomar decisões, conquistar o amor de alguém, alertar um amigo, pedir carinho à mãe, dizer bobagens para um filho... Tudo vai se dar nesse idioma. Nessa coisa variada, colorida, esquisita e maravilhosa que chamamos de língua portuguesa.

 

(Adaptado de: GALINDO, Caetano W. Latim em pó. São Paulo:

Companhia das Letras, 2022. p. 11-13)

Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto seguinte.     Justifica-se plenamente o emprego das formas verbais no plural em:
  1. ANão se admitam que a pessoas sensíveis como elas imponham-se o terror de tais filmes.
  2. BConvém a crianças nervosas exporem-se a um surto emocional que tanto as impressionem?
  3. CCaberiam a eles compreender que são fáceis de abalar os inocentes num filme como esse.
  4. DNão se tratem crianças como criaturas que detenham pleno controle de seus nervos.
  5. EDe cenas de terror costumam ficar nos meninos muito do realismo que nelas se imprimiram.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — Não se tratem crianças como criaturas que detenham pleno controle de seus nervos.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Concordância verbal: quando o plural é justificado

Gabarito: letra D. A única frase em que o emprego do plural é plenamente justificado é a D, porque o verbo tratar concorda com o sujeito crianças (núcleo do sujeito simples, plural). Nas demais, o plural é um erro de concordância: ou o sujeito é oracional (exige singular), ou o verbo deveria concordar com um núcleo singular, ou há um falso plural por atração. A passagem que sustenta a análise é a estrutura sintática de cada alternativa, não o texto-base — a questão é de gramática normativa aplicada a frases soltas.

O comando: o que a banca pede

O enunciado pede que você identifique a frase em que o plural está correto — ou seja, em que a forma verbal no plural tem um sujeito plural que a justifica. Isso é uma questão de concordância verbal: o verbo deve flexionar em número e pessoa de acordo com o núcleo do sujeito. A banca não quer que você julgue o sentido, mas a correção gramatical da flexão. Portanto, o método é: para cada alternativa, achar o sujeito do verbo em destaque e verificar se ele é singular ou plural.

A técnica: como achar o sujeito

Em toda oração, o verbo concorda com o núcleo do sujeito. Para não se enganar, siga estes passos:

  1. Identifique o verbo (a forma que está no plural ou que deveria estar).

  2. Pergunte ao verbo: quem pratica a ação? A resposta é o sujeito.

  3. Ache o núcleo desse sujeito (o substantivo ou pronome principal).

  4. Flexione o verbo de acordo com esse núcleo.

A pegadinha clássica da FCC é distanciar o sujeito do verbo ou usar sujeito oracional (que exige singular). Vamos aplicar isso em cada alternativa.

1Sujeito oracional
Verbo no singular (A, C)
2Pronome relativo "que"
Concorda com o antecedente
Antecedente singular → verbo singular (B, E)
3Sujeito simples
Verbo concorda com o núcleo (D)
4Atração indevida
Verbo atraído por termo plural que não é sujeito (E)
Concordância verbal
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Concordância verbal: Sujeito oracional (Verbo no singular (A, C)); Pronome relativo "que" (Concorda com o antecedente, Antecedente singular → verbo singular (B, E)); Sujeito simples (Verbo concorda com o núcleo (D)); Atração indevida (Verbo atraído por termo plural que não é sujeito (E))

Alternativa A — ❌ Incorreta

"Não se admitam que a pessoas sensíveis como elas imponham-se o terror de tais filmes."

O verbo admitam está no plural, mas o sujeito é a oração subordinada substantiva subjetiva "que a pessoas sensíveis como elas imponham-se o terror de tais filmes". Quando o sujeito é uma oração, o verbo da oração principal fica na 3ª pessoa do singular: "Não se admita que...". Além disso, há outro erro: "a pessoas" deveria ser "às pessoas" (crase), e "imponham-se" é inadequado (o correto seria "se imponha" ou reestruturar). O plural de admitam é injustificado — erro de concordância com sujeito oracional.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Convém a crianças nervosas exporem-se a um surto emocional que tanto as impressionem?"

O verbo Convém está no singular, e isso está correto, porque o sujeito é a oração "exporem-se a um surto emocional...". O problema está em impressionem: o pronome relativo que retoma "um surto emocional" (singular), então o verbo deveria ser impressione (singular). O plural impressionem é um erro de concordância com o pronome relativo — o verbo deve concordar com o antecedente do "que", que é singular.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Caberiam a eles compreender que são fáceis de abalar os inocentes num filme como esse."

O verbo Caberiam está no plural, mas o sujeito é a oração "compreender que são fáceis de abalar os inocentes...". Sujeito oracional exige verbo na 3ª pessoa do singular: "Caberiam" deveria ser Caberia. O plural é injustificado — erro de concordância com sujeito oracional.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Não se tratem crianças como criaturas que detenham pleno controle de seus nervos."

Aqui o verbo tratem está no plural e isso é correto. O sujeito é crianças (substantivo plural), núcleo do sujeito simples. A frase está na voz passiva sintética ("Não se tratem crianças" = "crianças não sejam tratadas"), e o verbo concorda com o sujeito paciente crianças. Portanto, o plural é plenamente justificado. Note que detenham também está correto: o pronome relativo que retoma criaturas (plural), então o verbo fica no plural.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"De cenas de terror costumam ficar nos meninos muito do realismo que nelas se imprimiram."

O verbo costumam está no plural, mas o sujeito é muito do realismo (núcleo: muito, singular). A expressão "muito do realismo" tem núcleo singular, então o verbo deveria ser costuma (singular). O plural é um erro de concordância por atração — o verbo foi atraído por "cenas de terror" (plural), que é adjunto adverbial, não sujeito. Além disso, imprimiram também está errado: o sujeito de "imprimiram" é que (retoma realismo, singular), então deveria ser imprimiu.

Conclusão

A única frase em que o plural é justificado é a D, porque o verbo concorda com o sujeito plural crianças. Nas demais, o plural é um erro de concordância: sujeito oracional (A, C), pronome relativo com antecedente singular (B, E) ou atração indevida (E).

PEGA ESSA DICA!

Para questões de concordância, sublinhe o verbo e pergunte "quem?" — a resposta é o sujeito. Desconfie de plurais em frases longas: a banca adora colocar um plural chamativo (como "cenas de terror") para atrair o verbo, mas o sujeito real pode estar escondido no singular.

Gabarito: letra D

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