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Questão de Português — Vícios de Linguagem (Pleonasmo, Ambiguidade, Cacofonia, etc.) — FCC 2026

PortuguêsVícios de Linguagem (Pleonasmo, Ambiguidade, Cacofonia, etc.)
Código
fc140667
Banca
FCC
Órgão
Pref Barueri
Ano
2026
Cargo
Tele ( )

Todo mundo conhece um caçador de redundâncias. É aquela pessoa adepta de corrigir alguém que diz ou escreve, por exemplo, “azeite de oliva”. “Se é azeite só pode ser de oliva, oliva é azeitona, de azeitona se faz azeite, entendeu? Falar azeite de oliva é o mesmo que falar ‘entrar para dentro’.”

 

Sempre à espreita de pleonasmos viciosos, de palavras supérfluas, esse tipo especial de sabichão começa estando certo e logo fica errado, erradíssimo. Como se contenta com as primeiras linhas da história, nem desconfia disso, e acaba por protagonizar cenas constrangedoras. Se não sabe que a construção “entrar para dentro” pode, em determinadas circunstâncias, traduzir um reforço legítimo ou até necessário, no caso do azeite seu erro é ignorar que a palavra vinda do árabe “az-zayt” nasceu nos olivais, mas ganhou o mundo. Foi rápido o processo de expansão do sentido de azeite, que logo designava diversos tipos de óleo vegetal – azeite de dendê, por exemplo – e até de origem animal.

 

Em outras palavras, a azeitona perdeu os direitos exclusivos sobre o azeite, que de óleo extraído dela virou genérico e foi azeitar sentidos variados pelo mundo. Daí a necessidade de um qualificativo, “de oliva”, para marcar seu significado primeiro e evitar mal-entendidos. O nome disso não é pleonasmo vicioso. É só a língua se mexendo em seu espetáculo habitual de metáfora e metonímia, quer dizer, de vida. Como se sabe, nada irrita mais os sabichões.

 

Mal se livrou do caçador de redundâncias, o pobre azeite de oliva já precisa encarar, que sina, o maníaco do sentido literal: “Como não é extraído de uma oliva só, o certo é azeite de olivas”. Este pensa que a língua é um kit de mecânica cheio de peças únicas com funções unívocas, quando uma metáfora mais funcional para ela é um kit de química, com as palavras se entrechocando e gerando uma infinidade de reações, muitas surpreendentes, algumas com cara de magia. Mas esse é outro capítulo no almanaque do sabichonismo.

 

(RODRIGUES, Sérgio. Disponível em: www1.folha.uol.com.br/colunas/sergio-rodrigues. Adaptado)

Ao refletir sobre o uso da linguagem, o autor
  1. Acritica a hipercorreção, fenômeno linguístico em que o falante, na tentativa de soar mais formal, exagera na aplicação de regras gramaticais.
  2. Banalisa o uso da expressão entrar para dentro, a fim de redefinir formalmente o conceito de pleonasmo vicioso.
  3. Cidentifica-se com o chamado caçador de redundâncias, que condena expressões empregadas sem critério na comunicação virtual.
  4. Dassinala que certas expressões aparentemente redundantes são funcionais em determinados contextos.
  5. Econdena o uso indevido de palavras oriundas de língua estrangeira, que acabam sendo usadas fora do contexto histórico original.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — assinala que certas expressões aparentemente redundantes são funcionais em determinados contextos.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

A funcionalidade das expressões aparentemente redundantes

Gabarito: letra D. O autor assinala que certas expressões aparentemente redundantes são funcionais em determinados contextos, como se lê no trecho: "a construção 'entrar para dentro' pode, em determinadas circunstâncias, traduzir um reforço legítimo ou até necessário". A questão é de compreensão (o comando "Ao refletir sobre o uso da linguagem, o autor" pede que se identifique a tese defendida), e a alternativa correta é a única que parafraseia fielmente a posição central do texto, sem acrescentar, restringir ou contradizer o que está escrito.

O texto de Sérgio Rodrigues é uma crônica argumentativa sobre o purismo linguístico. O autor critica dois tipos de "sabichões": o caçador de redundâncias, que condena expressões como "azeite de oliva" e "entrar para dentro", e o maníaco do sentido literal, que exige "azeite de olivas". A tese central é que essas expressões, longe de serem vícios, são fenômenos legítimos da língua — resultado de processos como a metáfora e a metonímia. O autor defende que a língua é viva e que o que parece redundância pode ter função comunicativa real.

A técnica para resolver esta questão é simples: teste cada alternativa perguntando se o texto a autoriza. A alternativa correta (D) encontra apoio direto no 2º parágrafo, onde o autor afirma que "entrar para dentro" pode ser "um reforço legítimo ou até necessário". As demais alternativas ou extrapolam (A, C, E) ou restringem indevidamente (B). Vamos analisar cada uma.

Expressões aparentemente redundantes
  • 1Tese do autor
    • Funcionais em certos contextos
    • Reforço legítimo ou necessário
    • Evitam mal-entendidos
  • 2Crítica aos "sabichões"
    • Caçador de redundâncias
      • Condena "entrar para dentro"
      • Condena "azeite de oliva"
    • Maníaco do sentido literal
      • Exige "azeite de olivas"
  • 3Fenômenos legítimos da língua
    • Metáfora
    • Metonímia
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. O texto critica o "caçador de redundâncias" e o "maníaco do sentido literal", mas não menciona o conceito de "hipercorreção" nem a motivação de "soar mais formal". A alternativa atribui ao autor uma tese que ele não defende — é um acréscimo de informação externa ao texto. O autor critica a atitude de corrigir expressões legítimas, mas não a relaciona a um exagero na aplicação de regras gramaticais por formalidade.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: restrição indevida. O autor não analisa "entrar para dentro" com o objetivo de "redefinir formalmente o conceito de pleonasmo vicioso". Ele apenas usa essa expressão como exemplo para ilustrar que certas redundâncias podem ser legítimas. O texto não redefine o conceito; apenas questiona a aplicação automática do rótulo de "pleonasmo vicioso". A alternativa restringe o alcance da discussão, que é mais ampla (sobre a língua viva e a mudança de sentido).

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. O autor não se identifica com o "caçador de redundâncias"; pelo contrário, critica-o ironicamente, chamando-o de "sabichão" e dizendo que ele "começa estando certo e logo fica errado, erradíssimo". Além disso, o texto não menciona "comunicação virtual" — isso é uma extrapolação (fuga ao tema). A alternativa inverte a posição do autor e acrescenta um contexto inexistente.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Paráfrase fiel da tese. O autor defende que expressões aparentemente redundantes podem ser funcionais. No 2º parágrafo, ele afirma:

"a construção 'entrar para dentro' pode, em determinadas circunstâncias, traduzir um reforço legítimo ou até necessário"

E no 3º parágrafo, sobre "azeite de oliva":

"Daí a necessidade de um qualificativo, 'de oliva', para marcar seu significado primeiro e evitar mal-entendidos."

Ou seja, o autor assinala (aponta, indica) que tais expressões têm função comunicativa — exatamente o que a alternativa D diz. Não há acréscimo, restrição ou contradição.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. O texto não condena o uso de palavras de origem estrangeira. A palavra "azeite" vem do árabe, mas o autor não faz nenhuma crítica a isso; pelo contrário, usa essa origem para explicar a expansão de sentido. A alternativa inventa uma tese sobre estrangeirismos que não está no texto. É uma extrapolação com um tema (estrangeirismo) que o texto não aborda.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre condenar o pleonasmo vicioso e reconhecer a legitimidade de expressões aparentemente redundantes. A alternativa A parece plausível (hipercorreção é um tema comum), mas o texto não a menciona. Fique atento: a resposta correta é a que parafraseia o texto, não a que completa com conhecimento de mundo.

PEGA ESSA DICA!

Ao resolver questões de compreensão, grife a tese do autor (geralmente na introdução ou conclusão) e teste cada alternativa perguntando: "o texto autoriza isto, ou exige acrescentar algo de fora?". Alternativas com palavras absolutas ("sempre", "nunca", "apenas") ou com conceitos não citados ("hipercorreção", "comunicação virtual") são fortes candidatas a erro.

Conclusão: a alternativa D é a única inteiramente sustentada pelo texto. As demais ou extrapolam (A, C, E) ou restringem (B). Lembre-se: em compreensão, a resposta mora no texto — não na sua opinião ou no seu conhecimento de mundo.

Gabarito: letra D

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