Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Figuras de Linguagem — FCC 2026

PortuguêsFiguras de Linguagem
Código
fc140669
Banca
FCC
Órgão
Pref Barueri
Ano
2026
Cargo
Tele ( )

Todo mundo conhece um caçador de redundâncias. É aquela pessoa adepta de corrigir alguém que diz ou escreve, por exemplo, “azeite de oliva”. “Se é azeite só pode ser de oliva, oliva é azeitona, de azeitona se faz azeite, entendeu? Falar azeite de oliva é o mesmo que falar ‘entrar para dentro’.”

 

Sempre à espreita de pleonasmos viciosos, de palavras supérfluas, esse tipo especial de sabichão começa estando certo e logo fica errado, erradíssimo. Como se contenta com as primeiras linhas da história, nem desconfia disso, e acaba por protagonizar cenas constrangedoras. Se não sabe que a construção “entrar para dentro” pode, em determinadas circunstâncias, traduzir um reforço legítimo ou até necessário, no caso do azeite seu erro é ignorar que a palavra vinda do árabe “az-zayt” nasceu nos olivais, mas ganhou o mundo. Foi rápido o processo de expansão do sentido de azeite, que logo designava diversos tipos de óleo vegetal – azeite de dendê, por exemplo – e até de origem animal.

 

Em outras palavras, a azeitona perdeu os direitos exclusivos sobre o azeite, que de óleo extraído dela virou genérico e foi azeitar sentidos variados pelo mundo. Daí a necessidade de um qualificativo, “de oliva”, para marcar seu significado primeiro e evitar mal-entendidos. O nome disso não é pleonasmo vicioso. É só a língua se mexendo em seu espetáculo habitual de metáfora e metonímia, quer dizer, de vida. Como se sabe, nada irrita mais os sabichões.

 

Mal se livrou do caçador de redundâncias, o pobre azeite de oliva já precisa encarar, que sina, o maníaco do sentido literal: “Como não é extraído de uma oliva só, o certo é azeite de olivas”. Este pensa que a língua é um kit de mecânica cheio de peças únicas com funções unívocas, quando uma metáfora mais funcional para ela é um kit de química, com as palavras se entrechocando e gerando uma infinidade de reações, muitas surpreendentes, algumas com cara de magia. Mas esse é outro capítulo no almanaque do sabichonismo.

 

(RODRIGUES, Sérgio. Disponível em: www1.folha.uol.com.br/colunas/sergio-rodrigues. Adaptado)

   

Mal se livrou do caçador de redundâncias, o pobre azeite de oliva já precisa encarar, que sina, o maníaco do sentido literal:

 

No trecho acima, identifica-se a seguinte figura de linguagem:

  1. Apersonificação, pois atribui-se comportamento humano a um objeto inanimado, o azeite de oliva.
  2. Bantítese, pois opõem-se os termos redundâncias e literal.
  3. Chipérbole, pois há exagero intencional no uso do adjetivo literal.
  4. Dmetáfora, pois a palavra sina é usada em substituição ao termo destino, estabelecendo comparação implícita.
  5. Emetonímia, pois o termo Mal representa a ideia, mais genérica, de sofrimento.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — personificação, pois atribui-se comportamento humano a um objeto inanimado, o azeite de oliva.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Personificação: o azeite que "encara" o maníaco do sentido literal

Gabarito: letra A. No trecho, o autor atribui ao azeite de oliva a ação humana de "encarar" — verbo que exige um sujeito capaz de enfrentar, de olhar de frente —, o que configura personificação (ou prosopopeia), figura de pensamento que dá características humanas a seres inanimados. A passagem que prova é: "o pobre azeite de oliva já precisa encarar, que sina, o maníaco do sentido literal". O azeite, um objeto, é tratado como se pudesse "encarar" alguém, comportamento tipicamente humano.

O comando: identificar a figura de linguagem

A questão pede que você identifique a figura de linguagem presente no trecho destacado. Isso é uma tarefa de interpretação — não basta reconhecer a definição teórica, é preciso aplicá-la ao contexto. A banca quer que você perceba o efeito expressivo criado pela escolha vocabular do autor.

O texto: a língua como espetáculo de metáfora e metonímia

O texto de Sérgio Rodrigues discute o uso de "azeite de oliva" e a reação dos "sabichões" que criticam a expressão como pleonasmo. O autor defende que a língua é viva e que a expressão é legítima. No trecho em questão, o autor personifica o azeite, dando-lhe a capacidade de "encarar" o maníaco do sentido literal. Essa personificação é um recurso estilístico que torna a crítica mais irônica e expressiva.

A técnica: reconhecer a personificação

A personificação (ou prosopopeia) é a figura de linguagem que atribui ações, sentimentos ou características humanas a seres inanimados, animais ou entidades abstratas. No trecho, o verbo "encarar" é a chave: ele indica uma ação que só um ser humano (ou animal) pode realizar — encarar é olhar de frente, enfrentar. O azeite, um produto, é o sujeito dessa ação. Portanto, há personificação.

"o pobre azeite de oliva já precisa encarar, que sina, o maníaco do sentido literal"

O autor também usa o adjetivo "pobre" e a interjeição "que sina" para reforçar a ideia de que o azeite é uma vítima, um ser que sofre — mais uma característica humana.

Análise das alternativas

1Personificação (gabarito)
Atribui ação humana a ser inanimado
"Azeite encara o maníaco"
2Antítese
Oposição de ideias
Ex.: vida × morte
3Hipérbole
Exagero intencional
4Metáfora
Comparação implícita
Ex.: "a vida é uma estrada"
5Metonímia
Substituição por proximidade
Figuras de linguagem
LEVELsoulevel.com.br
Figuras de linguagem: Personificação (gabarito) (Atribui ação humana a ser inanimado, "Azeite encara o maníaco"); Antítese (Oposição de ideias, Ex.: vida × morte); Hipérbole (Exagero intencional); Metáfora (Comparação implícita, Ex.: "a vida é uma estrada"); Metonímia (Substituição por proximidade)

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa afirma que há personificação, pois se atribui comportamento humano a um objeto inanimado, o azeite de oliva. Isso está exatamente no texto: o azeite "encara" o maníaco. O verbo "encarar" é uma ação humana, e o azeite é um objeto. Portanto, a figura é a personificação.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa fala em antítese, que é a oposição de ideias. No trecho, há a oposição entre "redundâncias" e "literal", mas isso não configura antítese, pois não há uma contraposição direta de termos com sentidos opostos no mesmo enunciado. A antítese exigiria, por exemplo, "vida e morte", "amor e ódio". Aqui, "redundâncias" e "literal" são apenas conceitos relacionados ao tema, não opostos. Erro: troca de figura.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa fala em hipérbole, que é o exagero intencional. No trecho, não há exagero; o autor não está exagerando ao dizer que o azeite "encara" o maníaco. A personificação não é hipérbole. Erro: troca de figura.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa fala em metáfora, que é uma comparação implícita. No trecho, "sina" é usada no sentido de "destino", mas isso não é uma metáfora — é apenas o uso de uma palavra com sentido aproximado. A metáfora exigiria uma transferência de significado mais evidente, como "a vida é uma estrada". Erro: troca de figura.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa fala em metonímia, que é a substituição de um termo por outro com relação de proximidade. No trecho, "Mal" (com M maiúsculo) é usado como advérbio de tempo ("Mal se livrou"), não como substantivo que representa sofrimento. A interpretação da alternativa é equivocada. Erro: troca de figura e interpretação incorreta do termo "Mal".

Conclusão

A única figura de linguagem presente no trecho é a personificação, pois o azeite é tratado como um ser humano capaz de "encarar" o maníaco. As demais alternativas citam figuras que não se aplicam ao contexto. Gabarito: letra A.

PEGA ESSA DICA!

Para identificar figuras de linguagem, pergunte-se: "que efeito o autor quis criar?" Se um ser inanimado pratica uma ação humana, é personificação. Se há exagero, é hipérbole. Se há comparação implícita, é metáfora. Se há substituição por proximidade, é metonímia.

Link permanente: /questoes/fc140669