Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Significação de Vocábulo e Expressões — FCC 2026

PortuguêsSignificação de Vocábulo e Expressões
Código
fc140670
Banca
FCC
Órgão
Pref Barueri
Ano
2026
Cargo
Tele ( )

Todo mundo conhece um caçador de redundâncias. É aquela pessoa adepta de corrigir alguém que diz ou escreve, por exemplo, “azeite de oliva”. “Se é azeite só pode ser de oliva, oliva é azeitona, de azeitona se faz azeite, entendeu? Falar azeite de oliva é o mesmo que falar ‘entrar para dentro’.”

 

Sempre à espreita de pleonasmos viciosos, de palavras supérfluas, esse tipo especial de sabichão começa estando certo e logo fica errado, erradíssimo. Como se contenta com as primeiras linhas da história, nem desconfia disso, e acaba por protagonizar cenas constrangedoras. Se não sabe que a construção “entrar para dentro” pode, em determinadas circunstâncias, traduzir um reforço legítimo ou até necessário, no caso do azeite seu erro é ignorar que a palavra vinda do árabe “az-zayt” nasceu nos olivais, mas ganhou o mundo. Foi rápido o processo de expansão do sentido de azeite, que logo designava diversos tipos de óleo vegetal – azeite de dendê, por exemplo – e até de origem animal.

 

Em outras palavras, a azeitona perdeu os direitos exclusivos sobre o azeite, que de óleo extraído dela virou genérico e foi azeitar sentidos variados pelo mundo. Daí a necessidade de um qualificativo, “de oliva”, para marcar seu significado primeiro e evitar mal-entendidos. O nome disso não é pleonasmo vicioso. É só a língua se mexendo em seu espetáculo habitual de metáfora e metonímia, quer dizer, de vida. Como se sabe, nada irrita mais os sabichões.

 

Mal se livrou do caçador de redundâncias, o pobre azeite de oliva já precisa encarar, que sina, o maníaco do sentido literal: “Como não é extraído de uma oliva só, o certo é azeite de olivas”. Este pensa que a língua é um kit de mecânica cheio de peças únicas com funções unívocas, quando uma metáfora mais funcional para ela é um kit de química, com as palavras se entrechocando e gerando uma infinidade de reações, muitas surpreendentes, algumas com cara de magia. Mas esse é outro capítulo no almanaque do sabichonismo.

 

(RODRIGUES, Sérgio. Disponível em: www1.folha.uol.com.br/colunas/sergio-rodrigues. Adaptado)

Considerando o contexto, no trecho almanaque do sabichonismo (4º parágrafo), a palavra sublinhada, um neologismo derivado do termo “sabichão”,

  1. Aexpressa um elogio.
  2. Bexpressa uma crítica.
  3. Cconstitui um eufemismo.
  4. Dexpressa neutralidade.
  5. Eassume tom melancólico.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — expressa uma crítica.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

O neologismo "sabichonismo" e o tom crítico do texto

Gabarito: letra B. O neologismo "sabichonismo" expressa uma crítica ao comportamento dos "sabichões" — pessoas que corrigem os outros com base em um conhecimento superficial da língua. A resposta se ancora no contexto do 4º parágrafo, em que o autor compara esses "sabichões" a um "maníaco do sentido literal" e afirma que eles pensam a língua como um "kit de mecânica", ignorando sua natureza viva e criativa.

O comando pede que se considere o contexto para interpretar o sentido da palavra sublinhada. Isso significa que não basta saber o significado literal de "sabichonismo" (derivado de "sabichão"); é preciso analisar como o autor usa essa palavra no texto e qual atitude (elogio, crítica, eufemismo, neutralidade, melancolia) ela revela. A questão é de interpretação de texto, pois exige inferir o valor semântico-expressivo do neologismo a partir do contexto.

O texto, de Sérgio Rodrigues, critica dois tipos de "sabichões": o "caçador de redundâncias" (que condena "azeite de oliva") e o "maníaco do sentido literal" (que exige "azeite de olivas"). O autor mostra que ambos estão errados por ignorarem a dinâmica da língua. No 4º parágrafo, ele escreve:

"Este pensa que a língua é um kit de mecânica cheio de peças únicas com funções unívocas, quando uma metáfora mais funcional para ela é um kit de química, com as palavras se entrechocando e gerando uma infinidade de reações, muitas surpreendentes, algumas com cara de magia. Mas esse é outro capítulo no almanaque do sabichonismo."

A expressão "almanaque do sabichonismo" é irônica. O autor não está elogiando os sabichões; está ridicularizando a postura deles, que é limitada e pretensiosa. O sufixo "-ismo" (como em "cretinismo", "pedantismo") cria um substantivo abstrato que designa uma atitude ou comportamento típico de quem se acha sabedor. No contexto, essa atitude é apresentada como algo negativo, digno de crítica.

A técnica para resolver é identificar o tom do texto. O autor usa expressões como "sabichão" (pejorativo), "maníaco do sentido literal" e a comparação com um "kit de mecânica" (que sugere rigidez e falta de criatividade) para construir uma crítica bem-humorada. O neologismo "sabichonismo" carrega esse mesmo valor pejorativo, resumindo a atitude criticada.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre o sentido literal do neologismo (derivado de "sabichão") e seu valor expressivo no contexto. O candidato pode achar que "sabichonismo" é neutro ou até elogioso, mas o texto o usa com clara intenção crítica.

Sabichonismo (neologismo)
  • 1Deriva de "sabichão"
  • 2Sufixo "-ismo" (atitude típica)
  • 3Valor expressivo no contexto
    • Crítica
    • Ironia/ridicularização
    • Pejorativo
  • 4Contexto do 4º parágrafo
    • "Maníaco do sentido literal"
    • "Kit de mecânica" (rigidez)
    • "Almanaque do sabichonismo"
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que "sabichonismo" expressa um elogio. Isso contradiz o texto. O autor critica os sabichões, chamando-os de "maníacos" e comparando sua visão da língua a um "kit de mecânica" — uma imagem negativa. Não há nenhum elogio no contexto. A palavra "sabichão" já tem valor pejorativo, e o neologismo "sabichonismo" herda esse tom. Erro: contradiz o texto.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa afirma que "sabichonismo" expressa uma crítica. Isso é exatamente o que o texto faz. O autor critica a postura dos sabichões, que se contentam com um conhecimento superficial e acabam errando. A expressão "almanaque do sabichonismo" é irônica e resume essa crítica. A resposta está ancorada no contexto do 4º parágrafo.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que "sabichonismo" constitui um eufemismo. Eufemismo é uma palavra ou expressão usada para suavizar uma ideia desagradável (ex.: "partiu" por "morreu"). No texto, "sabichonismo" não suaviza nada; pelo contrário, intensifica a crítica, criando um termo irônico e pejorativo. Erro: troca de conceito.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que "sabichonismo" expressa neutralidade. Isso é falso. O contexto é claramente crítico e irônico. O autor não é neutro em relação aos sabichões; ele os ridiculariza. Erro: contradiz o texto.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que "sabichonismo" assume tom melancólico. Melancolia é tristeza, nostalgia. O texto tem tom humorístico e crítico, não melancólico. O autor faz piada com a situação dos sabichões, não lamenta por eles. Erro: contradiz o texto.

Conclusão: A questão testa a capacidade de perceber o valor expressivo de um neologismo no contexto. A palavra "sabichonismo" não é neutra nem elogiosa; ela carrega a crítica do autor à postura pretensiosa e limitada dos sabichões. Ao analisar o tom do texto, fica claro que a resposta é a letra B.

PEGA ESSA DICA!

Ao interpretar o sentido de uma palavra, pergunte-se: "Qual é a atitude do autor em relação ao que ele descreve?" Se o contexto é irônico ou crítico, a palavra provavelmente carrega esse valor. Desconfie de alternativas que atribuem neutralidade ou elogio a termos usados em tom de crítica.

Gabarito: letra B

Link permanente: /questoes/fc140670