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Questão de Português — Orações Subordinadas Adverbiais — FCC 2026

PortuguêsOrações Subordinadas Adverbiais
Código
fc140671
Banca
FCC
Órgão
Pref Barueri
Ano
2026
Cargo
Tele ( )

Todo mundo conhece um caçador de redundâncias. É aquela pessoa adepta de corrigir alguém que diz ou escreve, por exemplo, “azeite de oliva”. “Se é azeite só pode ser de oliva, oliva é azeitona, de azeitona se faz azeite, entendeu? Falar azeite de oliva é o mesmo que falar ‘entrar para dentro’.”

 

Sempre à espreita de pleonasmos viciosos, de palavras supérfluas, esse tipo especial de sabichão começa estando certo e logo fica errado, erradíssimo. Como se contenta com as primeiras linhas da história, nem desconfia disso, e acaba por protagonizar cenas constrangedoras. Se não sabe que a construção “entrar para dentro” pode, em determinadas circunstâncias, traduzir um reforço legítimo ou até necessário, no caso do azeite seu erro é ignorar que a palavra vinda do árabe “az-zayt” nasceu nos olivais, mas ganhou o mundo. Foi rápido o processo de expansão do sentido de azeite, que logo designava diversos tipos de óleo vegetal – azeite de dendê, por exemplo – e até de origem animal.

 

Em outras palavras, a azeitona perdeu os direitos exclusivos sobre o azeite, que de óleo extraído dela virou genérico e foi azeitar sentidos variados pelo mundo. Daí a necessidade de um qualificativo, “de oliva”, para marcar seu significado primeiro e evitar mal-entendidos. O nome disso não é pleonasmo vicioso. É só a língua se mexendo em seu espetáculo habitual de metáfora e metonímia, quer dizer, de vida. Como se sabe, nada irrita mais os sabichões.

 

Mal se livrou do caçador de redundâncias, o pobre azeite de oliva já precisa encarar, que sina, o maníaco do sentido literal: “Como não é extraído de uma oliva só, o certo é azeite de olivas”. Este pensa que a língua é um kit de mecânica cheio de peças únicas com funções unívocas, quando uma metáfora mais funcional para ela é um kit de química, com as palavras se entrechocando e gerando uma infinidade de reações, muitas surpreendentes, algumas com cara de magia. Mas esse é outro capítulo no almanaque do sabichonismo.

 

(RODRIGUES, Sérgio. Disponível em: www1.folha.uol.com.br/colunas/sergio-rodrigues. Adaptado)

   

Como se contenta com as primeiras linhas da história, nem desconfia disso, e acaba por protagonizar cenas constrangedoras (2º parágrafo).

 

No contexto em que se insere, a oração sublinhada expressa ideia de

  1. Acondição.
  2. Boposição.
  3. Ctempo.
  4. Dfinalidade.
  5. Ecausa.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — causa.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Orações subordinadas adverbiais: o valor de "como" no trecho

Gabarito: letra E. A oração "Como se contenta com as primeiras linhas da história" expressa ideia de causa, pois indica o motivo pelo qual o sabichão "nem desconfia disso" e "acaba por protagonizar cenas constrangedoras". A conjunção "como", nesse contexto, equivale a "porque" / "já que" / "visto que", todas de valor causal — como se lê no 2º parágrafo do texto.

O comando pede que se identifique a circunstância expressa pela oração sublinhada, ou seja, a relação semântica que ela estabelece com a oração principal. Isso é típico de questão de oração subordinada adverbial: a banca não quer a classificação sintática formal, mas o valor semântico que o conectivo instaura no contexto. Aqui, o conectivo é a conjunção "como", que pode introduzir orações causais, comparativas ou conformativas — e o contexto é quem decide.

No trecho, o autor explica o comportamento do "caçador de redundâncias": ele se contenta com as primeiras linhas da história e, por isso, não desconfia do erro e acaba passando vergonha. A oração sublinhada é a razão das ações seguintes. Veja a passagem:

"Como se contenta com as primeiras linhas da história, nem desconfia disso, e acaba por protagonizar cenas constrangedoras."

A relação é de causa e consequência: "contentar-se com as primeiras linhas" é a causa; "não desconfiar" e "protagonizar cenas constrangedoras" são as consequências. A conjunção "como", aqui, é uma conjunção subordinativa causal, podendo ser substituída por "porque", "já que", "visto que" ou "uma vez que", sem alteração de sentido.

A técnica para resolver: troque o conectivo por outro de valor conhecido. Se "como" puder ser substituído por "porque" mantendo o sentido, é causal; se por "quando", é temporal; se por "se", é condicional; se por "para que", é final; se por "embora", é concessiva. No trecho, "Porque se contenta com as primeiras linhas da história, nem desconfia disso" — perfeito, sentido preservado. Logo, causa.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a polissemia da conjunção "como", que também pode ser comparativa ("Ela é alta como o pai") ou conformativa ("Fiz como você pediu"). O candidato que decora a lista de conjunções sem testar no contexto cai na armadilha. A dica é sempre substituir o conectivo e verificar se o sentido se mantém.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de oração adverbial, não decore a lista de conjunções — teste a substituição no próprio trecho. A conjunção "como" é a mais traiçoeira: só o contexto revela se é causa, comparação ou conformidade.

1Causa
Equivale a "porque", "já que"
Substituição preserva o sentido
2Comparação
"Ela é alta como o pai"
3Conformidade
"Fiz como você pediu"
Conjunção "como"
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Conjunção "como": Causa (Equivale a "porque", "já que", Substituição preserva o sentido); Comparação ("Ela é alta como o pai"); Conformidade ("Fiz como você pediu")

Alternativa A — ❌ Incorreta

Condição seria expressa por "se", "caso", "contanto que", "desde que". A oração não apresenta nenhuma hipótese ou condição para a ação principal; ela apresenta um motivo. A substituição por "Se se contenta com as primeiras linhas..." alteraria o sentido, pois transformaria a causa em condição. Erro: troca de valor semântico do conectivo.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Oposição seria expressa por "mas", "porém", "embora", "ainda que". A oração não contrasta com a principal; ela a justifica. Não há ideia de contraste ou ressalva. Erro: confusão entre causa e oposição/concessão.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Tempo seria expresso por "quando", "enquanto", "logo que", "assim que". A oração não indica circunstância de tempo; indica o motivo da ação. A substituição por "Quando se contenta..." mudaria o sentido, pois daria ideia de simultaneidade, não de causa. Erro: troca de valor semântico do conectivo.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Finalidade seria expressa por "para que", "a fim de que", "porque" (em sentido final). A oração não indica objetivo ou propósito; indica a causa que desencadeia as consequências. A substituição por "Para que se contenta..." não faria sentido no trecho. Erro: confusão entre causa e finalidade.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A oração "Como se contenta com as primeiras linhas da história" expressa causa, pois apresenta o motivo pelo qual o sabichão "nem desconfia disso" e "acaba por protagonizar cenas constrangedoras". A conjunção "como" é causal, equivalente a "porque", "já que", "visto que". A substituição confirma: "Porque se contenta com as primeiras linhas da história, nem desconfia disso, e acaba por protagonizar cenas constrangedoras" — sentido plenamente preservado.

Gabarito: letra E. A regra de ouro: em orações adverbiais, o valor do conectivo é definido pelo contexto, não pela lista decorada. Teste sempre a substituição por um conectivo de valor conhecido — se o sentido se mantém, a classificação está correta.

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