Questão de Português — Figuras de Linguagem — FCC 2026
Português›Figuras de Linguagem
Código
fc140673
Banca
FCC
Órgão
Pref Barueri
Ano
2026
Cargo
Tele ( )
Janelas sobre o Saara
Redemoinhos
erigem rosas
rosas fugidias
em vórtices que não se cumprem
pois tudo em ti, deserto,
é a longa espera do horizonte.
Fulva tua cor, fulvos teus camelos,
lentos barcos da longa travessia.
Nas dunas nasce o sol,
rugindo.
A sede acorda, alongam-se as caravanas.
O céu é uma pupila imensa, dilatada,
e a sombra dos corpos, o repouso adiado,
além, na imensidão.
(SILVA, Dora Ferreira da Silva. Poesia Reunida. Rio de Janeiro: Topbooks, 1999)
No poema, compara-se a imagem de
Acamelos à de barcos lentos.
Bredemoinhos à de rosas fugidias.
Cdunas à do horizonte.
Dcaravanas à de uma longa espera.
Euma travessia à de uma pupila dilatada.
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GabaritoA — camelos à de barcos lentos.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Comparação entre camelos e barcos: a metáfora do poema
Gabarito: letra A. No poema, a imagem dos camelos é comparada à de barcos lentos, como se lê no verso "lentos barcos da longa travessia", que se refere diretamente aos camelos mencionados no verso anterior. A comparação é explícita: os camelos são chamados de "lentos barcos" que atravessam o deserto, estabelecendo uma metáfora entre a travessia do deserto e uma travessia marítima.
O comando da questão pede que se identifique a comparação presente no poema. Trata-se de uma questão de interpretação de texto com foco em figuras de linguagem, especificamente a metáfora e a comparação. O candidato deve localizar no texto a relação de semelhança estabelecida entre dois elementos, sem confundir com outras imagens poéticas que também aparecem no poema.
O poema "Janelas sobre o Saara" constrói uma paisagem desértica com imagens fortes: redemoinhos que "erigem rosas", a "longa espera do horizonte", a cor fulva, as dunas, o sol "rugindo", a sede, as caravanas e a pupila dilatada do céu. O movimento central é o da travessia — do deserto, das caravanas, dos camelos. É nesse contexto que surge a comparação pedida:
"Fulva tua cor, fulvos teus camelos,\nlentos barcos da longa travessia."
O termo "lentos barcos" é um aposto que se refere a "teus camelos". O poeta não diz "camelos como barcos" (comparação com conectivo), mas sim "camelos, lentos barcos" — uma metáfora, comparação implícita sem conectivo. A imagem é clássica: o camelo é o "barco do deserto", e a travessia do Saara é comparada a uma travessia marítima. A alternativa A captura exatamente essa relação.
A técnica para resolver: localize no poema o termo que funciona como aposto explicativo ou predicativo de outro, pois é aí que mora a comparação implícita. "Lentos barcos" está em aposição a "camelos" — é a metáfora que a banca pede.
Figuras de linguagem no poema
1Metáfora (comparação implícita)
Camelos = "lentos barcos" (aposto)
Céu = "pupila dilatada" (predicativo)
2Imagem (criação, não comparação)
Redemoinhos "erigem rosas"
3Comparação com conectivo
Ausente no poema
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"Fulva tua cor, fulvos teus camelos,\nlentos barcos da longa travessia."
O verso "lentos barcos" retoma "teus camelos" por meio de um aposto. A comparação é direta: camelos = barcos lentos. A imagem do camelo como "barco do deserto" é uma metáfora consagrada, e o poema a atualiza ao falar em "longa travessia". A alternativa está integralmente sustentada pelo texto.
Alternativa B — ❌ Incorreta
"Redemoinhos\nerigem rosas\nrosas fugidias\nem vórtices que não se cumprem"
O texto diz que os redemoinhos "erigem rosas" — ou seja, as rosas são o produto da ação dos redemoinhos, não o termo de comparação. Não há relação de semelhança entre redemoinhos e rosas; há uma imagem de criação (redemoinhos erguem rosas de areia). A alternativa troca a relação de causa/efeito por uma relação de comparação — erro de leitura.
Alternativa C — ❌ Incorreta
"pois tudo em ti, deserto,\né a longa espera do horizonte."
O texto compara o deserto à "longa espera do horizonte", não as dunas ao horizonte. As dunas aparecem em outro verso ("Nas dunas nasce o sol"), sem qualquer relação de comparação com o horizonte. A alternativa desloca o referente: troca "deserto" por "dunas" — erro de referência.
Alternativa D — ❌ Incorreta
"A sede acorda, alongam-se as caravanas."
As caravanas são mencionadas, mas não são comparadas a uma "longa espera". A "longa espera" é atribuída ao deserto ("tudo em ti, deserto, é a longa espera do horizonte"). A alternativa mistura dois elementos distintos do poema, criando uma relação que não existe — erro de síntese.
Alternativa E — ❌ Incorreta
"O céu é uma pupila imensa, dilatada,"
O texto compara o céu a uma pupila dilatada, não uma travessia a uma pupila. A "longa travessia" aparece no verso dos camelos/barcos, em contexto totalmente diverso. A alternativa combina elementos de passagens diferentes do poema, fabricando uma comparação inexistente — erro de montagem.
NÃO CAIA NESSA!
A banca oferece comparações que misturam elementos de versos distintos (C, D, E) ou invertem a relação real (B). A única comparação explícita e correta é a dos camelos com barcos, marcada pelo aposto "lentos barcos".
PEGA ESSA DICA!
Em questões de figura de linguagem em poemas, procure o aposto ou o predicativo — é onde a metáfora costuma estar. "Camelos, lentos barcos" é aposto; "céu é uma pupila" é predicativo. Ambos são comparações implícitas.
Gabarito: letra A — a única alternativa que reproduz fielmente a comparação estabelecida pelo texto, sem acrescentar, deslocar ou inverter elementos.