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Questão de Português — Concordância (Verbal e Nominal) — FCC 2026

PortuguêsConcordância (Verbal e Nominal)
Código
fc140680
Banca
FCC
Órgão
SEFAZ GO
Ano
2026
Cargo
AFRE GO

Para responder à questão, baseie-se no texto a seguir.

 

O devaneio é uma doença?

 

Cansada de sonhar de olhos abertos, uma leitora, Ana, quer saber mais sobre devaneios: “Por que acabo sempre fugindo para esse lugar fictício, onde tudo pode ser tão melhor ou pior, um mundo do que poderia ser, do que poderia ter sido, da pior hipótese fantástica, pretéritos imperfeitos, mais-que-perfeitos, futuros incertos – e quando vejo, perdi tanto tempo com isso?”

 

Tenho carinho pelos sonhos de olhos abertos. Até o começo da adolescência, o devaneio era meu aliado contra o que me parecia ser a mediocridade do mundo. Para mim, como para Ana, o devaneio era o país de onde eu vinha (minha origem escondida) ou minha pátria futura; de um jeito ou de outro, era meu passaporte para um outro mundo, que me salvaria de meu lugar e de meu presente.

 

Graças ao devaneio, assisti a centenas de aulas chatérrimas, aparentando minha absoluta atenção (embora de olhos um tanto vidrados). Quando atravessei a dolorosa época em que os adolescentes menosprezam os pais, o devaneio me consolou, alimentando a certeza de que eu, de fato, pertencia a outra família.

 

Enfim, à força de contar histórias para mim mesmo, aprendi a contá-las para os outros. O que fez com que aos poucos meu devaneio se acalmasse – por sorte, sem se exaurir. Será que eu amadureci? Ou será que as aulas, o trabalho e os amores se tornaram interessantes, e a necessidade de sonhar diminuiu? Na hora de explicar o excesso de devaneio, o adolescente tende a acusar a realidade na qual vive, a qual mereceria o enfado que ela lhe inspira. Mas, em geral, não há realidade enfadonha, apenas indivíduos enfadados, que, por alguma razão, não enxergam o encanto possível do dia a dia.

 

Ao devanear, eu me afasto da realidade. Por outro lado, sem devanear mal consigo inventar e desejar realidades diferentes. O que é pior? Entre renunciar a devanear e sucumbir ao devaneio, talvez seja pior renunciar a devanear. Infelizmente, enquanto a gente sonha sossegado, alguns se esforçam para transformar o devaneio num transtorno, senão numa doença. No fundo, nada disso me estranha. Desde o século 19 as regras para uma vida saudável (física e psíquica) são nossa nova moral. E esse ataque contra o devaneio era previsível: qualquer forma de poder prefere limitar os sonhos de seus sujeitos.

 

(Adaptado de: CALLIGARIS, Contardo. Aproveite a vida e suas dores. São Paulo: Planeta do Brasil, 2025, p. 147-150, passim)

As normas de concordância verbal estão plenamente observadas na frase:
  1. AÉ possível que o interesse pelo trabalho ou pelo amor venham a suprir os devaneios.
  2. BSempre haverá os que querem que o sujeito dos sonhos se submeta a limitações.
  3. CSão nos nossos devaneios que projetamos as realidades que mais nos convém.
  4. DDesprendem-se dos sonhos, quando marcantes, o que gostaríamos que permanecessem.
  5. ENão falta à curiosidade da leitora Ana respostas que também busca o autor do texto.
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GabaritoB — Sempre haverá os que querem que o sujeito dos sonhos se submeta a limitações.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Concordância verbal: o verbo haver impessoal e o sujeito oracional

Gabarito: letra B. A frase "Sempre haverá os que querem que o sujeito dos sonhos se submeta a limitações" é a única em que todas as formas verbais estão corretamente flexionadas: haverá fica no singular por ser impessoal (sentido de existir), querem concorda com o pronome relativo os (antecedente plural), e submeta concorda com o sujeito singular o sujeito dos sonhos. As demais alternativas apresentam desvios de concordância, como se verá a seguir.

O comando pede que se identifique a frase em que as normas de concordância verbal estão plenamente observadas. Isso significa que devemos verificar, em cada alternativa, se o verbo está flexionado em número e pessoa de acordo com o seu sujeito. A questão é de gramática aplicada, não de interpretação de texto: o texto-base serve apenas como contexto temático, mas a resposta depende exclusivamente da análise sintática das frases.

A técnica central é localizar o núcleo do sujeito de cada verbo e conferir se a flexão está correta. As armadilhas mais comuns são: (1) verbo haver com sentido de existir, que é impessoal e fica sempre no singular; (2) sujeito oracional, que exige verbo no singular; (3) pronome relativo que, que exige concordância com o antecedente; (4) sujeito composto posposto, que admite concordância com o núcleo mais próximo ou com todos os núcleos.

Vamos analisar cada alternativa, aplicando essas regras.

1Verbo haver (existir)
Impessoal
Sempre singular
2Sujeito oracional
Verbo no singular
3Pronome relativo "que"
Concorda com o antecedente
4Sujeito posposto
Concorda com o núcleo
Concordância verbal
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Concordância verbal: Verbo haver (existir) (Impessoal, Sempre singular); Sujeito oracional (Verbo no singular); Pronome relativo "que" (Concorda com o antecedente); Sujeito posposto (Concorda com o núcleo)

Alternativa A — ❌ Incorreta

"É possível que o interesse pelo trabalho ou pelo amor venham a suprir os devaneios."

O sujeito da locução verbal "venham a suprir" é a oração subordinada substantiva subjetiva "que o interesse pelo trabalho ou pelo amor venham a suprir os devaneios". Quando o sujeito é uma oração, o verbo deve ficar na 3ª pessoa do singular: "É possível que o interesse pelo trabalho ou pelo amor venha a suprir os devaneios." O erro está em flexionar o verbo no plural, tratando o sujeito oracional como se fosse composto. Erro: contradiz a regra de concordância com sujeito oracional.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Sempre haverá os que querem que o sujeito dos sonhos se submeta a limitações."

  • haverá: verbo haver com sentido de existir é impessoal, não tem sujeito, e fica sempre no singular. Correto.

  • querem: o pronome relativo que retoma o antecedente os (plural), então o verbo concorda com ele: "os que querem". Correto.

  • submeta: o sujeito é "o sujeito dos sonhos" (singular), logo o verbo fica na 3ª pessoa do singular: "se submeta". Correto.

Todas as formas verbais estão corretamente flexionadas. É a única frase plenamente correta.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"São nos nossos devaneios que projetamos as realidades que mais nos convém."

O verbo convém deve concordar com o sujeito da oração adjetiva: "as realidades que mais nos convêm". O pronome relativo que retoma realidades (plural), portanto o verbo deve ir para o plural. Erro: contradiz a concordância com o pronome relativo que.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"Desprendem-se dos sonhos, quando marcantes, o que gostaríamos que permanecessem."

O sujeito da locução "Desprendem-se" é a oração subjetiva "o que gostaríamos que permanecessem". Sujeito oracional exige verbo no singular: "Desprende-se dos sonhos...". Além disso, o verbo permanecessem concorda com o sujeito oculto "nós" (gostaríamos), mas o correto seria "permanecesse" se o sujeito fosse "o que" (singular). Na verdade, a oração "o que gostaríamos que permanecessem" tem sujeito composto implícito? Não: o sujeito de "permanecessem" é o pronome relativo que, que retoma o que (singular), então deveria ser "permanecesse". Erro: contradiz a concordância com sujeito oracional e com pronome relativo.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"Não falta à curiosidade da leitora Ana respostas que também busca o autor do texto."

O verbo falta concorda com o sujeito respostas (plural), que está posposto. O correto seria "Não faltam ... respostas". Além disso, o verbo busca concorda com o sujeito o autor do texto (singular), o que está correto, mas o erro principal está na concordância de falta. Erro: contradiz a concordância com sujeito posposto.

Conclusão: A única frase em que todas as formas verbais estão corretamente flexionadas é a da letra B. As demais apresentam desvios de concordância, seja com sujeito oracional, com pronome relativo ou com sujeito posposto.

PEGA ESSA DICA!

Ao analisar concordância verbal, sublinhe o verbo e pergunte: qual é o sujeito? Se o sujeito for uma oração, o verbo fica no singular. Se houver pronome relativo que, o verbo concorda com o antecedente. E lembre-se: haver no sentido de existir é impessoal, sempre singular.

Gabarito: letra B

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