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Questão de Português — Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto. — FCC 2026

PortuguêsReescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
Código
fc140681
Banca
FCC
Órgão
SEFAZ GO
Ano
2026
Cargo
AFRE GO

Para responder à questão, baseie-se no texto a seguir.

 

O devaneio é uma doença?

 

Cansada de sonhar de olhos abertos, uma leitora, Ana, quer saber mais sobre devaneios: “Por que acabo sempre fugindo para esse lugar fictício, onde tudo pode ser tão melhor ou pior, um mundo do que poderia ser, do que poderia ter sido, da pior hipótese fantástica, pretéritos imperfeitos, mais-que-perfeitos, futuros incertos – e quando vejo, perdi tanto tempo com isso?”

 

Tenho carinho pelos sonhos de olhos abertos. Até o começo da adolescência, o devaneio era meu aliado contra o que me parecia ser a mediocridade do mundo. Para mim, como para Ana, o devaneio era o país de onde eu vinha (minha origem escondida) ou minha pátria futura; de um jeito ou de outro, era meu passaporte para um outro mundo, que me salvaria de meu lugar e de meu presente.

 

Graças ao devaneio, assisti a centenas de aulas chatérrimas, aparentando minha absoluta atenção (embora de olhos um tanto vidrados). Quando atravessei a dolorosa época em que os adolescentes menosprezam os pais, o devaneio me consolou, alimentando a certeza de que eu, de fato, pertencia a outra família.

 

Enfim, à força de contar histórias para mim mesmo, aprendi a contá-las para os outros. O que fez com que aos poucos meu devaneio se acalmasse – por sorte, sem se exaurir. Será que eu amadureci? Ou será que as aulas, o trabalho e os amores se tornaram interessantes, e a necessidade de sonhar diminuiu? Na hora de explicar o excesso de devaneio, o adolescente tende a acusar a realidade na qual vive, a qual mereceria o enfado que ela lhe inspira. Mas, em geral, não há realidade enfadonha, apenas indivíduos enfadados, que, por alguma razão, não enxergam o encanto possível do dia a dia.

 

Ao devanear, eu me afasto da realidade. Por outro lado, sem devanear mal consigo inventar e desejar realidades diferentes. O que é pior? Entre renunciar a devanear e sucumbir ao devaneio, talvez seja pior renunciar a devanear. Infelizmente, enquanto a gente sonha sossegado, alguns se esforçam para transformar o devaneio num transtorno, senão numa doença. No fundo, nada disso me estranha. Desde o século 19 as regras para uma vida saudável (física e psíquica) são nossa nova moral. E esse ataque contra o devaneio era previsível: qualquer forma de poder prefere limitar os sonhos de seus sujeitos.

 

(Adaptado de: CALLIGARIS, Contardo. Aproveite a vida e suas dores. São Paulo: Planeta do Brasil, 2025, p. 147-150, passim)

Infelizmente, enquanto a gente sonha sossegado, alguns se esforçam para transformar o devaneio num transtorno.

 

Numa nova redação, na qual se mantenham a correção e o sentido básico da frase acima, o elemento sublinhado pode ser adequadamente substituído por:

  1. Amuitos hão de implementar no devaneio uma transformação transtornada.
  2. Bvárias pessoas laboram em constituir no devaneio como uma alucinação.
  3. Chá os que não titubeiam para se transtornar um devaneio.
  4. Dtem gente que não mede estratagemas para que um devaneio se transtorne.
  5. Enão faltam os que se aplicam em fazer do devaneio uma perturbação.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — não faltam os que se aplicam em fazer do devaneio uma perturbação.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Reescrita de frases: equivalência semântica e sinonímia contextual

Gabarito: letra E. A alternativa E é a única que preserva integralmente o sentido básico da frase original, substituindo "se esforçam" por "se aplicam" e "transtorno" por "perturbação", ambos sinônimos contextuais adequados, mantendo a correção gramatical. Como se lê no trecho original: "alguns se esforçam para transformar o devaneio num transtorno" — a reescrita "não faltam os que se aplicam em fazer do devaneio uma perturbação" mantém a ideia de que há pessoas que se dedicam a converter o devaneio em algo patológico, sem acrescentar ou suprimir informação.

O comando pede uma reescrita que mantenha "a correção e o sentido básico da frase". Isso significa que a nova redação deve ser uma paráfrase: mesma ideia, palavras diferentes, sem alteração de sentido e sem erro gramatical. A banca testa, portanto, a capacidade de reconhecer sinônimos contextuais e de avaliar se a estrutura sintática da nova frase é válida. Não se trata de interpretar o texto maior, mas de analisar a frase isolada, embora o contexto do texto-base ajude a confirmar que "transtorno" aqui tem sentido de "perturbação" (algo que desestabiliza), e não de "alucinação" ou "transformação".

A técnica central é testar cada alternativa perguntando: (1) a nova frase mantém o mesmo sujeito, verbo e objeto? (2) os termos substituídos são sinônimos no contexto? (3) a gramática está correta? A alternativa correta é a que responde "sim" a todas. As erradas falham em pelo menos um desses pontos: algumas trocam o sentido (A, B, C), outras quebram a gramática (C, D), e todas se afastam da equivalência semântica.

A armadilha da banca está em oferecer opções que parecem próximas, mas que ou usam palavras com sentido diferente ("alucinação" não é sinônimo de "transtorno"), ou criam estruturas agramaticais ("se transtornar" não é verbo pronominal com esse sentido), ou invertem a relação entre os termos ("transformar o devaneio num transtorno" ≠ "transformar um devaneio transtornado"). A letra E é a única que faz uma substituição limpa, termo a termo, sem forçar a sintaxe.

Reescrita de frases
  • 1Teste da paráfrase
    • Mesmo sujeito, verbo e objeto
    • Sinônimos contextuais
    • Gramática correta
  • 2Erros comuns
    • Troca de sentido
      • "alucinação" ≠ "transtorno"
      • "implementar" ≠ "se esforçar"
    • Erro gramatical
      • "se transtornar" (inadequado)
      • Regência errada
    • Inversão da relação
      • Devaneio se transtorna sozinho
  • 3✅ Substituição limpa
    • "se esforçam" → "se aplicam"
    • "transtorno" → "perturbação"
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: troca de sentido (extrapolação semântica). "Muitos hão de implementar no devaneio uma transformação transtornada" altera completamente o sentido: o original diz que alguns transformam o devaneio em um transtorno (o devaneio vira algo patológico), enquanto a reescrita diz que eles implementam uma transformação transtornada (a transformação é que seria transtornada, e o devaneio é apenas o local da ação). Além disso, "implementar" não equivale a "se esforçar para transformar", e "transformação transtornada" é uma expressão confusa e não sinônima de "transtorno". A frase também soa artificial e não mantém a correção natural.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: troca de conceito (sinonímia inadequada). "Várias pessoas laboram em constituir no devaneio como uma alucinação" troca "transtorno" por "alucinação", que não são sinônimos: transtorno é um distúrbio mais amplo, alucinação é uma percepção falsa específica. Além disso, "laboram em constituir" é uma construção estranha e não equivale a "se esforçam para transformar". A preposição "em" após "constituir" está inadequada (o verbo constituir não pede essa regência nesse sentido), e "no devaneio como uma alucinação" é sintaticamente confuso. A frase não mantém o sentido básico e apresenta problemas de correção.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto e erro gramatical. "Há os que não titubeiam para se transtornar um devaneio" inverte a relação: no original, as pessoas transformam o devaneio em transtorno; aqui, "se transtornar um devaneio" sugere que o devaneio se transtorna a si mesmo, o que é ilógico. Além disso, "se transtornar" não é uma forma verbal adequada — "transtornar" é transitivo direto (transtornar algo), e a construção pronominal "se transtornar" com objeto "um devaneio" é agramatical. "Não titubeiam" até poderia equivaler a "se esforçam", mas o restante da frase invalida a alternativa.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: erro gramatical (regência e voz verbal). "Tem gente que não mede estratagemas para que um devaneio se transtorne" apresenta dois problemas: primeiro, "não mede estratagemas" é uma expressão que não equivale a "se esforçam" (medir estratagemas significa planejar com astúcia, não se esforçar); segundo, "para que um devaneio se transtorne" usa o verbo "transtornar" na voz reflexiva, mas o sentido original é de que alguém transforma o devaneio em transtorno — aqui o devaneio se transtorna sozinho, o que altera o sentido. A construção "se transtorne" é possível gramaticalmente, mas semanticamente inadequada.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A única que mantém o sentido e a correção. A reescrita "não faltam os que se aplicam em fazer do devaneio uma perturbação" preserva a estrutura: sujeito indeterminado ("os que se aplicam"), verbo de esforço ("se aplicam" = se dedicam, se esforçam), e a ideia de transformar o devaneio em algo patológico ("fazer do devaneio uma perturbação"). "Perturbação" é sinônimo contextual de "transtorno" (ambos designam um distúrbio, uma desordem), e "se aplicam em" é uma locução verbal correta que equivale a "se esforçam para". A frase é gramaticalmente impecável e semanticamente fiel ao original.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de reescrita, sublinhe os termos-chave da frase original (sujeito, verbo, objeto) e verifique se a alternativa os mantém equivalentes. Desconfie de palavras que parecem sinônimas, mas têm sentido específico (como "alucinação" em vez de "transtorno") e de construções que invertem a relação entre os termos.

Conclusão: a banca testa a paráfrase fiel: a correta é a que substitui cada termo por um sinônimo adequado, sem alterar a estrutura lógica da frase. As demais ou trocam o sentido, ou quebram a gramática, ou fazem as duas coisas. Gabarito: letra E.

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