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Questão de Português — Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto. — FCC 2026

PortuguêsReescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
Código
fc140712
Banca
FCC
Órgão
ALERR
Ano
2026
Cargo
Ana Leg ( )

Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto a seguir.

 

As ruas abertas à livre circulação de pessoas e veículos representam uma das imagens mais vivas da cidade moderna. Apesar de as cidades ocidentais incorporarem várias e até contraditórias versões da modernidade, há um grande consenso a respeito de quais são os elementos básicos da experiência moderna de vida pública urbana: a primazia e a abertura de ruas; a circulação livre; os encontros impessoais e anônimos de pedestres; o uso público e espontâneo das ruas e praças; e a presença de pessoas de diferentes grupos sociais passeando e observando os outros que passam, olhando vitrines, fazendo compras, sentando nos cafés, participando de manifestações políticas, apropriando as ruas para seus festivais e comemorações, ou usando os espaços especialmente designados para o lazer das massas. Esses elementos são associados à vida moderna em cidades capitalistas pelo menos desde a reforma de Paris promovida pelo barão de Haussmann na segunda metade do século XIX.

 

No cerne da concepção de vida pública urbana incorporada na Paris moderna estavam as noções de que o espaço da cidade é aberto para ser usado e usufruído por qualquer um e de que a sociedade de consumo que ele abriga poderia tornar-se acessível a todos. É claro que esse nunca foi exatamente o caso, em Paris ou em qualquer outro lugar. As cidades modernas foram sempre marcadas por desigualdades sociais e segregação espacial e nunca deixaram de ser apropriadas de formas bastante diferentes por diversos grupos, dependendo de sua posição social e de seu poder. No entanto, a despeito das persistentes desigualdades e injustiças sociais, as cidades ocidentais modernas sempre mantiveram vários sinais de abertura, sobretudo no que diz respeito à circulação e ao consumo. Esses sinais contribuíram para manter o valor positivo associado à ideia de um espaço público aberto, acessível a todos e a qualquer um.

 

As cidades modernas têm servido de cenário para todo tipo de manifestação política. Na verdade, a promessa de incorporação à sociedade moderna incluía não só a cidade e o consumo, mas também a ordem política. As imagens da cidade moderna são análogas àquelas da ordem liberal-democrática, consolidada a partir da ficção do contrato social entre pessoas livres e iguais e que moldou a esfera política moderna. Essa ficção, tão radical quanto aquela da cidade aberta, ajudou a destruir a ordem social estamental que a precedeu. No entanto, foi só depois de muitas lutas que as definições de quem poderia ser considerado "livre e igual" foram pouco a pouco expandidas. Tanto a cidade aberta e sem exclusões quanto a ordem política incorporando todos os cidadãos como iguais nunca existiram, mas seus ideais fundadores e suas promessas de incorporação mantiveram seu poder por pelo menos dois séculos, dando forma a experiências de cidadania e de vida urbana e legitimando as ações de vários grupos excluídos em suas reivindicações por incorporação.

 

(Adaptado de: CALDEIRA, Teresa Pires do Rio. Cidade de muros: crime, segregação e cidadania em São Paulo. São Paulo: Editora 34; Edusp, 2011, pp. 302 a 305)

No cerne da concepção de vida pública urbana incorporada na Paris moderna estavam as noções de que o espaço de cidade é aberto para ser usado e usufruído por qualquer um e de que a sociedade de consumo que ele abriga poderia tornar-se acessível a todos.

 

Uma nova redação para a frase acima, em que se mantém a correção e, em linhas gerais, o sentido original, encontra-se em:

  1. AResidia na essência da Paris moderna, a crença de que qualquer um pode aspirar o uso das áreas comuns e de que a sociedade de mercado ali estabelecida, visa incluir toda a população sem distinções.
  2. BExistia no âmago do projeto de urbanidade parisiense, as visões de livre fruição das ruas por qualquer indivíduo, garantindo que o acesso aos bens de consumo assistissem por todos de forma igualitária.
  3. CNo centro da concepção de vida pública urbana presente na Paris moderna, estavam as ideias de que o espaço urbano deveria ser franqueado ao uso e usufruto de qualquer pessoa e de que a sociedade de consumo ali existente poderia se tornar acessível a todos.
  4. DA ideia de esfera pública na Paris da modernidade fundamentava na premissa de que o território urbano é de livre acesso, e que a dinâmica do consumo presente nele deve estar ao encaixe de todos cidadãos.
  5. EO conceito de vida coletiva nas cidades, que a Paris moderna personificou, traziam o princípio de que o espaço público pertence ao povo; além disso a acessibilidade à essa cultura de consumo seria um direito universal.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — No centro da concepção de vida pública urbana presente na Paris moderna, estavam as ideias de que o espaço urbano deveria ser franqueado ao uso e usufruto de qualquer pessoa e de que a sociedade de consumo ali existente poderia se tornar acessível a todos.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Reescrita de frase: fidelidade semântica e correção gramatical

Gabarito: letra C. A alternativa C é a única que reescreve o trecho original preservando, em linhas gerais, o sentido e a correção gramatical. Ela mantém a estrutura de duas ideias coordenadas — o espaço urbano aberto a todos e a sociedade de consumo acessível —, troca vocábulos por sinônimos adequados ("no centro" por "no cerne", "ideias" por "noções", "franqueado" por "aberto") e conserva a regência e a concordância corretas. As demais alternativas ou alteram o sentido, ou cometem erros de regência/concordância, ou acrescentam informações que não estão no texto original.

O comando da questão

A questão pede uma reescritura ("Uma nova redação para a frase acima") que mantenha "a correção e, em linhas gerais, o sentido original". Isso significa que a alternativa correta deve:

  1. Preservar o sentido — não pode acrescentar, suprimir ou inverter ideias do trecho original.

  2. Manter a correção gramatical — regência, concordância, pontuação e colocação pronominal devem estar adequadas.

O foco não é interpretar o texto, mas reescrever com fidelidade semântica e correção formal. É uma questão de paráfrase: trocar palavras por sinônimos, reorganizar a estrutura, mas sem mudar o conteúdo.

O trecho original e sua estrutura

O trecho original é:

"No cerne da concepção de vida pública urbana incorporada na Paris moderna estavam as noções de que o espaço de cidade é aberto para ser usado e usufruído por qualquer um e de que a sociedade de consumo que ele abriga poderia tornar-se acessível a todos."

A estrutura é clara: há um sujeito composto ("as noções de que... e de que...") com verbo no plural ("estavam"), e duas orações subordinadas substantivas completivas nominais ligadas por "e". A primeira noção trata do espaço urbano aberto a qualquer um; a segunda, da sociedade de consumo acessível a todos. A reescrita correta precisa manter essa dupla ideia e a concordância.

A técnica de reescrita

Ao reescrever, o candidato deve:

  • Identificar o núcleo do sentido: as duas noções (espaço aberto + consumo acessível).

  • Verificar a correção gramatical: sujeito composto exige verbo no plural; regência de verbos como "aspirar" (quem aspira, aspira a algo); concordância nominal e verbal.

  • Evitar acréscimos: não introduzir ideias novas (como "direito universal" ou "garantia") que não estão no original.

A pegadinha da banca está em oferecer alternativas que parecem equivalentes, mas que ou trocam um vocábulo crucial (alterando o sentido), ou cometem erro de regência/concordância, ou acrescentam opiniões/informações externas.

Reescrita de frase
  • 1Critérios
    • Preservar o sentido
    • Manter a correção gramatical
  • 2Erros comuns
    • Regência
      • Aspirar a (não "aspirar")
      • Assistir a (não "assistir")
      • Fundamentar-se em (não "fundamentar em")
    • Concordância
      • Sujeito composto → verbo no plural
    • Acréscimo de ideias
      • Ex.: "direito universal" (não está no original)
  • 3Técnica
    • Identificar as duas noções centrais
    • Verificar regência e concordância
    • Evitar acréscimos
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: regência e pontuação. O verbo "aspirar" no sentido de "desejar" exige a preposição "a": "aspirar a algo". A frase "aspirar o uso" está incorreta (deveria ser "aspirar ao uso"). Além disso, a vírgula após "estabelecida" separa indevidamente o sujeito do verbo "visa", criando uma pausa que quebra a estrutura. O sentido geral é próximo, mas o erro de regência torna a alternativa incorreta.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: concordância e regência. O sujeito "as visões" exige verbo no plural: "Existiam", não "Existia". Além disso, "garantindo que o acesso aos bens de consumo assistissem por todos" está incorreto: o verbo "assistir" no sentido de "caber" rege a preposição "a" ("assistir a algo"), e a concordância "assistissem" com "acesso" (singular) está errada — deveria ser "assistisse". A frase é confusa e gramaticalmente incorreta.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Correta. A alternativa C reescreve o trecho com fidelidade:

  • "No centro" substitui "No cerne" (sinônimo adequado).

  • "presente na Paris moderna" substitui "incorporada na Paris moderna" (mantém o sentido).

  • "estavam as ideias" preserva o sujeito composto e a concordância no plural.

  • "o espaço urbano deveria ser franqueado ao uso e usufruto de qualquer pessoa" — "franqueado" é sinônimo de "aberto", e a estrutura mantém a ideia de acesso universal.

  • "a sociedade de consumo ali existente poderia se tornar acessível a todos" — preserva a segunda noção com o mesmo sentido de possibilidade ("poderia").

A frase mantém a correção gramatical e o sentido original, sem acréscimos ou supressões.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: regência e sentido. "fundamentava na premissa" está incorreto: o verbo "fundamentar" é transitivo direto ("fundamentar algo") ou pronominal ("fundamentar-se em"). O correto seria "fundamentava-se na premissa". Além disso, "deve estar ao encaixe de todos cidadãos" é uma expressão estranha e não preserva o sentido de "acessível a todos" — "ao encaixe" não é sinônimo de "acessível". A alternativa altera o sentido e comete erro de regência.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: acréscimo de informação e concordância. "traziam o princípio" está incorreto: o sujeito "O conceito" é singular, então o verbo deveria ser "trazia". Além disso, "a acessibilidade à essa cultura de consumo seria um direito universal" acrescenta a ideia de "direito universal", que não está no texto original — é uma extrapolação. O trecho original fala em "poderia tornar-se acessível a todos", não em "direito universal". A alternativa também usa "à essa" (crase incorreta antes de pronome demonstrativo).

Conclusão

A alternativa C é a única que mantém a correção gramatical e o sentido original, sem acréscimos ou erros. Ao reescrever, o candidato deve sempre verificar: (1) a concordância entre sujeito e verbo; (2) a regência dos verbos; (3) se alguma ideia nova foi acrescentada. A banca adora oferecer alternativas que parecem equivalentes, mas que trocam um vocábulo crucial ou cometem um erro de regência.

PEGA ESSA DICA!

Ao reescrever, sublinhe as duas ideias principais do trecho original e confira se ambas estão presentes na alternativa. Depois, teste a regência dos verbos: "aspirar a", "assistir a", "fundamentar-se em".

Gabarito: letra C

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