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Questão de Português — Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto. — FCC 2026

PortuguêsReescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
Código
fc140717
Banca
FCC
Órgão
ALERR
Ano
2026
Cargo
Cons Leg ( )

Atenção: Considere o texto abaixo para responder à questão.

 

1. As duas éticas: a ética que brota da contemplação das estrelas perfeitas, imutáveis e mortas, a que os filósofos dão o nome de ética de princípios, e a ética que brota da contemplação dos jardins imperfeitos e mutáveis, mas vivos – a que os filósofos dão o nome de ética contextual.

 

2. Os jardineiros não olham para as estrelas. Eles nada sabem sobre as estrelas que alguns dizem já ter visto por revelação dos deuses. Como os homens comuns não veem essas estrelas, eles têm de acreditar na palavra dos que dizem já as ter visto longe, muito longe... Os jardineiros só acreditam no que os seus olhos veem. Pensam a partir da experiência: pegam a terra com as mãos e a cheiram...

 

3. Vejamos o seguinte caso. A mulher está com câncer em estado avançado. É certo que ela morrerá. Ela suspeita disso e tem medo. O médico vai visitá-la. Olhando, do fundo do seu medo, no fundo dos olhos do médico ela pergunta: “Doutor, será que eu escapo desta?” Está configurada uma situação ética. Que é que o médico vai dizer? Se o médico for um adepto da ética estelar de princípios, a resposta será simples. Ele não terá que decidir ou escolher. O princípio é claro: dizer a verdade sempre. A enferma perguntou. A resposta terá de ser a verdade. E ele, então, responderá: “Não, a senhora não escapará desta. A senhora vai morrer...” Respondeu segundo um princípio invariável para todas as situações. A lealdade a um princípio o livra de um pensamento perturbador: o que a verdade irá fazer com o corpo e a alma daquela mulher? O princípio, sendo absoluto, não leva em consideração o potencial destruidor da verdade.

 

4. Mas, se for um jardineiro, ele não se lembrará de nenhum princípio. Ele só pensará nos olhos suplicantes daquela mulher. Pensará que a sua palavra terá que produzir a bondade. E ele se perguntará: “Que palavra eu posso dizer que, não sendo um engano – ‘A senhora breve estará curada...’ –, cuidará da mulher como se a palavra fosse um colo que acolhe uma criança?” E ele dirá: “Você me faz essa pergunta porque você está com medo de morrer. Também tenho medo de morrer...” Aí, então, os dois conversarão longamente – como se estivessem de mãos dadas ... – sobre a morte que os dois haverão de enfrentar.

 

5. Como sugeriu o apóstolo Paulo, a verdade está subordinada à bondade. Pela ética de princípios, o uso da camisinha, a pesquisa das células-tronco, o aborto de fetos sem cérebro, o divórcio, a eutanásia são questões resolvidas que não requerem decisões: os princípios universais os proíbem. Mas a ética contextual nos obriga a fazer perguntas sobre o bem ou o mal que uma ação irá criar. O uso da camisinha contribui para diminuir a incidência da aids? As pesquisas com células-tronco contribuem para trazer a cura para uma infinidade de doenças? O aborto de um feto sem cérebro contribuirá para diminuir a dor de uma mulher? O divórcio contribuirá para que homens e mulheres possam recomeçar suas vidas afetivas? A eutanásia pode ser o único caminho para libertar uma pessoa da dor que não a deixará? Duas éticas. A única pergunta a se fazer é: “Qual delas está mais a serviço do amor?”

 

(Adaptado de: ALVES, Rubem. “As duas éticas”. Disponível em: https://cronicasbrasil.blogspot.com)

O segmento E ele dirá: “Você me faz essa pergunta porque você está com medo de morrer. Também tenho medo de morrer...” encontra-se corretamente transposto para o discurso indireto em:

  1. AE ele terá dito que ela fará essa pergunta porque estará com medo de morrer e que ele também terá medo de morrer.
  2. BE ele terá dito que você o fez essa pergunta porque estava com medo de morrer, porque também tinha medo de morrer.
  3. CE ele dirá que ela lhe fizera essa pergunta porque estaria com medo de morrer e que também ele teria medo de morrer.
  4. DE ele dirá que ela lhe faz essa pergunta porque está com medo de morrer e que ele também tem medo de morrer.
  5. EE ele dirá que ela lhe há de fazer essa pergunta porque estava com medo de morrer e que ele também tinha medo de morrer.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — E ele dirá que ela lhe faz essa pergunta porque está com medo de morrer e que ele também tem medo de morrer.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Transposição para o discurso indireto: a arte de manter o sentido

Gabarito: letra D. A transposição correta é "E ele dirá que ela lhe faz essa pergunta porque está com medo de morrer e que ele também tem medo de morrer." A chave está em manter o presente do indicativo do discurso direto, pois o verbo introdutor "dirá" está no futuro do presente, e a correlação verbal exige que as orações subordinadas permaneçam no presente, não no futuro ou no pretérito. Além disso, os pronomes "você" e "me" devem ser convertidos em "ela" e "lhe", respectivamente, para refletir a mudança de perspectiva do narrador.

O comando: transpor, não reescrever

A questão pede a transposição do discurso direto para o indireto. Isso não é uma simples paráfrase: exige aplicar regras específicas de mudança de pronomes, tempos verbais e conectivos. O verbo introdutor "dirá" (futuro do presente) é o ponto de partida — ele determina a correlação verbal com as orações subordinadas. Se o verbo introdutor está no futuro, as subordinadas devem permanecer no presente (ou, em alguns casos, no futuro do pretérito, mas aqui o presente é o correto).

O texto: o contexto da fala

No texto, o médico-jardineiro responde à mulher: "Você me faz essa pergunta porque você está com medo de morrer. Também tenho medo de morrer..." O narrador, ao transpor para o indireto, precisa adaptar os pronomes: "você" (a mulher) vira "ela", "me" (o médico) vira "lhe". O tempo verbal "faz" e "está" permanecem no presente, pois o verbo introdutor "dirá" está no futuro do presente, e a correlação verbal exige que as subordinadas fiquem no presente.

A técnica: correlação verbal e mudança de pronomes

A regra de ouro: quando o verbo introdutor está no presente ou no futuro do presente, os verbos das orações subordinadas permanecem no presente (ou no futuro do presente, se indicarem posterioridade). Quando o verbo introdutor está no pretérito perfeito ou no pretérito mais-que-perfeito, os verbos das subordinadas recuam um tempo: presente vira pretérito imperfeito, pretérito perfeito vira pretérito mais-que-perfeito, futuro do presente vira futuro do pretérito.

No caso, o verbo introdutor é "dirá" (futuro do presente), então as subordinadas devem manter o presente: "faz", "está", "tem". As alternativas que usam "fará", "estará", "terá" (futuro do presente) ou "fizera", "estaria", "teria" (pretérito) estão erradas.

Além disso, os pronomes mudam: "você" (2ª pessoa) vira "ela" (3ª pessoa), "me" (1ª pessoa) vira "lhe" (3ª pessoa). A alternativa D faz exatamente isso: "ela lhe faz essa pergunta" e "ele também tem medo de morrer".

Análise das alternativas

Transposição p/ discurso indireto
  • 1Verbo introdutor no presente/futuro do presente
    • Subordinadas mantêm presente
  • 2Verbo introdutor no pretérito
    • Subordinadas recuam um tempo
      • Presente → pretérito imperfeito
      • Futuro do presente → futuro do pretérito
  • 3Pronomes
    • "você" → "ele/ela"
    • "me" → "lhe"
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: usa o futuro do presente nas subordinadas ("fará", "estará", "terá"), o que não se harmoniza com o verbo introdutor "dirá" no futuro do presente. A correlação verbal exige presente, não futuro. Além disso, "terá dito" (futuro do pretérito composto) não é o tempo do verbo introdutor original, que é "dirá".

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: mantém o pronome "você" (2ª pessoa) em vez de convertê-lo para "ela" (3ª pessoa), e usa "o fez" em vez de "lhe faz". Além disso, "estava" e "tinha" (pretérito imperfeito) não se harmonizam com o verbo introdutor no futuro do presente. A transposição exige mudança de pronome e manutenção do presente.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: usa "fizera" (pretérito mais-que-perfeito) e "estaria", "teria" (futuro do pretérito), que não se harmonizam com o verbo introdutor "dirá" no futuro do presente. A correlação verbal exige presente, não pretérito ou futuro do pretérito.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Correta: mantém o presente do indicativo nas subordinadas ("faz", "está", "tem"), converte os pronomes corretamente ("ela lhe faz", "ele também tem"), e usa o verbo introdutor "dirá" no futuro do presente, exatamente como no original. A correlação verbal está perfeita.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: usa "há de fazer" (futuro do presente composto) e "estava", "tinha" (pretérito imperfeito), que não se harmonizam com o verbo introdutor no futuro do presente. Além disso, "há de fazer" indica posterioridade, mas o original "faz" indica simultaneidade.

Conclusão

A transposição correta exige manter o presente do indicativo nas subordinadas quando o verbo introdutor está no futuro do presente, e converter os pronomes de 2ª para 3ª pessoa. A alternativa D é a única que cumpre todos os requisitos.

PEGA ESSA DICA!

Ao transpor para o indireto, verifique primeiro o tempo do verbo introdutor. Se for presente ou futuro do presente, mantenha o presente nas subordinadas. Se for pretérito, recue um tempo. Depois, converta os pronomes: "você" vira "ele/ela", "me" vira "lhe".

Gabarito: letra D

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