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Questão de Português — Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc) — FCC 2026

PortuguêsCoerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
Código
fc140719
Banca
FCC
Órgão
ALERR
Ano
2026
Cargo
Cons Leg ( )

Atenção: Considere o texto abaixo para responder à questão.

 

1. As duas éticas: a ética que brota da contemplação das estrelas perfeitas, imutáveis e mortas, a que os filósofos dão o nome de ética de princípios, e a ética que brota da contemplação dos jardins imperfeitos e mutáveis, mas vivos – a que os filósofos dão o nome de ética contextual.

 

2. Os jardineiros não olham para as estrelas. Eles nada sabem sobre as estrelas que alguns dizem já ter visto por revelação dos deuses. Como os homens comuns não veem essas estrelas, eles têm de acreditar na palavra dos que dizem já as ter visto longe, muito longe... Os jardineiros só acreditam no que os seus olhos veem. Pensam a partir da experiência: pegam a terra com as mãos e a cheiram...

 

3. Vejamos o seguinte caso. A mulher está com câncer em estado avançado. É certo que ela morrerá. Ela suspeita disso e tem medo. O médico vai visitá-la. Olhando, do fundo do seu medo, no fundo dos olhos do médico ela pergunta: “Doutor, será que eu escapo desta?” Está configurada uma situação ética. Que é que o médico vai dizer? Se o médico for um adepto da ética estelar de princípios, a resposta será simples. Ele não terá que decidir ou escolher. O princípio é claro: dizer a verdade sempre. A enferma perguntou. A resposta terá de ser a verdade. E ele, então, responderá: “Não, a senhora não escapará desta. A senhora vai morrer...” Respondeu segundo um princípio invariável para todas as situações. A lealdade a um princípio o livra de um pensamento perturbador: o que a verdade irá fazer com o corpo e a alma daquela mulher? O princípio, sendo absoluto, não leva em consideração o potencial destruidor da verdade.

 

4. Mas, se for um jardineiro, ele não se lembrará de nenhum princípio. Ele só pensará nos olhos suplicantes daquela mulher. Pensará que a sua palavra terá que produzir a bondade. E ele se perguntará: “Que palavra eu posso dizer que, não sendo um engano – ‘A senhora breve estará curada...’ –, cuidará da mulher como se a palavra fosse um colo que acolhe uma criança?” E ele dirá: “Você me faz essa pergunta porque você está com medo de morrer. Também tenho medo de morrer...” Aí, então, os dois conversarão longamente – como se estivessem de mãos dadas ... – sobre a morte que os dois haverão de enfrentar.

 

5. Como sugeriu o apóstolo Paulo, a verdade está subordinada à bondade. Pela ética de princípios, o uso da camisinha, a pesquisa das células-tronco, o aborto de fetos sem cérebro, o divórcio, a eutanásia são questões resolvidas que não requerem decisões: os princípios universais os proíbem. Mas a ética contextual nos obriga a fazer perguntas sobre o bem ou o mal que uma ação irá criar. O uso da camisinha contribui para diminuir a incidência da aids? As pesquisas com células-tronco contribuem para trazer a cura para uma infinidade de doenças? O aborto de um feto sem cérebro contribuirá para diminuir a dor de uma mulher? O divórcio contribuirá para que homens e mulheres possam recomeçar suas vidas afetivas? A eutanásia pode ser o único caminho para libertar uma pessoa da dor que não a deixará? Duas éticas. A única pergunta a se fazer é: “Qual delas está mais a serviço do amor?”

 

(Adaptado de: ALVES, Rubem. “As duas éticas”. Disponível em: https://cronicasbrasil.blogspot.com)

Em ... eles têm de acreditar na palavra dos que dizem já as ter visto longe, muito longe... (2º parágrafo), os termos sublinhados fazem alusão, respectivamente, aos

  1. Ahomens comuns, aos que se pautam pela ética contextual e às duas éticas.
  2. Bjardineiros, aos que se pautam pela ética dos princípios e às estrelas.
  3. Cjardineiros, aos que se pautam pela ética dos princípios e às duas éticas.
  4. Djardineiros, aos que se pautam pela ética contextual e às estrelas.
  5. Ehomens comuns, aos que se pautam pela ética dos princípios e às estrelas.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — homens comuns, aos que se pautam pela ética dos princípios e às estrelas.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Coesão referencial: a quem se referem os termos sublinhados?

Gabarito: letra E. No trecho "eles têm de acreditar na palavra dos que dizem já as ter visto longe, muito longe...", os termos sublinhados fazem alusão, respectivamente, a homens comuns, aos que se pautam pela ética dos princípios e às estrelas. A prova está no 2º parágrafo: "Como os homens comuns não veem essas estrelas, eles têm de acreditar na palavra dos que dizem já as ter visto". O pronome "eles" retoma "homens comuns"; "os que dizem" refere-se aos que afirmam ter visto as estrelas (os adeptos da ética de princípios, que creem em verdades reveladas); e "as" retoma "estrelas".

O comando pede que você identifique os referentes dos termos sublinhados — uma típica questão de coesão referencial (anáfora). Não se trata de interpretar o texto, mas de rastrear a cadeia de referência: quem o pronome "eles" substitui? Quem são "os que dizem"? O que "as" retoma? A resposta está na retomada pronominal dentro do próprio parágrafo.

No 2º parágrafo, o autor contrapõe dois grupos: os jardineiros (que "só acreditam no que os seus olhos veem") e os que creem nas estrelas "por revelação dos deuses". O trecho-chave é:

"Como os homens comuns não veem essas estrelas, eles têm de acreditar na palavra dos que dizem já as ter visto longe, muito longe..."

Aqui, "eles" só pode ser "homens comuns" — pois são eles que não veem as estrelas e precisam crer na palavra alheia. Os jardineiros, ao contrário, "não olham para as estrelas" e "só acreditam no que os seus olhos veem". Já "os que dizem" são os que afirmam ter visto as estrelas — os adeptos da ética de princípios, que seguem verdades absolutas e reveladas (como o médico que responde "segundo um princípio invariável"). Por fim, "as" é pronome que retoma "estrelas", o objeto da contemplação da ética estelar.

A armadilha da banca está em trocar "homens comuns" por "jardineiros" nas alternativas. Quem lê sem atenção pode pensar que "eles" se refere aos jardineiros, mas o texto é explícito: os jardineiros não acreditam em estrelas; quem precisa acreditar são os homens comuns. A alternativa E é a única que acerta os três referentes.

1"eles"
Homens comuns
2"os que dizem"
Adeptos da ética dos princípios
3"as"
Estrelas
Coesão referencial (anáfora)
LEVELsoulevel.com.br
Coesão referencial (anáfora): "eles" (Homens comuns); "os que dizem" (Adeptos da ética dos princípios); "as" (Estrelas)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erra no primeiro referente: diz "homens comuns" (correto), mas troca o segundo por "ética contextual" e o terceiro por "duas éticas". O texto não diz que os homens comuns acreditam na palavra dos contextualistas; eles acreditam na palavra dos que viram as estrelas (os de princípios). Além disso, "as" retoma "estrelas", não "duas éticas". Erro: troca de referente.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erra no primeiro referente: diz "jardineiros", mas o texto afirma que os jardineiros "não olham para as estrelas" e "só acreditam no que os seus olhos veem" — logo, não são eles que precisam acreditar na palavra alheia. Os outros dois referentes estão corretos (ética dos princípios e estrelas). Erro: troca de referente (jardineiros no lugar de homens comuns).

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erra no primeiro referente (jardineiros) e no terceiro (duas éticas). O terceiro termo "as" retoma "estrelas", não "duas éticas". Erro: troca de referente.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erra no primeiro referente (jardineiros) e no segundo (ética contextual). O texto não associa os que dizem ter visto as estrelas à ética contextual; pelo contrário, a ética contextual é a dos jardineiros, que não creem em estrelas. Erro: troca de referente.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Acerta os três referentes: "eles" = homens comuns; "os que dizem" = adeptos da ética dos princípios; "as" = estrelas. Tudo ancorado no trecho citado. Correta.

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca "homens comuns" por "jardineiros" — o candidato desatento cai porque os jardineiros são o tema do parágrafo, mas o pronome "eles" não se refere a eles.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de coesão referencial, sublinhe o pronome e volte no texto para achar o termo que ele substitui. Desconfie de alternativas que trocam o referente por um termo próximo, mas semanticamente incompatível.

Gabarito: letra E — a única que identifica corretamente os três referentes: homens comuns, adeptos da ética dos princípios e estrelas.

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