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Questão de Português — Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto. — FCC 2026

PortuguêsReescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
Código
fc140725
Banca
FCC
Órgão
ALERR
Ano
2026
Cargo
Cons Leg ( )

Atenção: Considere o texto abaixo para responder à questão.

 

1. As duas éticas: a ética que brota da contemplação das estrelas perfeitas, imutáveis e mortas, a que os filósofos dão o nome de ética de princípios, e a ética que brota da contemplação dos jardins imperfeitos e mutáveis, mas vivos – a que os filósofos dão o nome de ética contextual.

 

2. Os jardineiros não olham para as estrelas. Eles nada sabem sobre as estrelas que alguns dizem já ter visto por revelação dos deuses. Como os homens comuns não veem essas estrelas, eles têm de acreditar na palavra dos que dizem já as ter visto longe, muito longe... Os jardineiros só acreditam no que os seus olhos veem. Pensam a partir da experiência: pegam a terra com as mãos e a cheiram...

 

3. Vejamos o seguinte caso. A mulher está com câncer em estado avançado. É certo que ela morrerá. Ela suspeita disso e tem medo. O médico vai visitá-la. Olhando, do fundo do seu medo, no fundo dos olhos do médico ela pergunta: “Doutor, será que eu escapo desta?” Está configurada uma situação ética. Que é que o médico vai dizer? Se o médico for um adepto da ética estelar de princípios, a resposta será simples. Ele não terá que decidir ou escolher. O princípio é claro: dizer a verdade sempre. A enferma perguntou. A resposta terá de ser a verdade. E ele, então, responderá: “Não, a senhora não escapará desta. A senhora vai morrer...” Respondeu segundo um princípio invariável para todas as situações. A lealdade a um princípio o livra de um pensamento perturbador: o que a verdade irá fazer com o corpo e a alma daquela mulher? O princípio, sendo absoluto, não leva em consideração o potencial destruidor da verdade.

 

4. Mas, se for um jardineiro, ele não se lembrará de nenhum princípio. Ele só pensará nos olhos suplicantes daquela mulher. Pensará que a sua palavra terá que produzir a bondade. E ele se perguntará: “Que palavra eu posso dizer que, não sendo um engano – ‘A senhora breve estará curada...’ –, cuidará da mulher como se a palavra fosse um colo que acolhe uma criança?” E ele dirá: “Você me faz essa pergunta porque você está com medo de morrer. Também tenho medo de morrer...” Aí, então, os dois conversarão longamente – como se estivessem de mãos dadas ... – sobre a morte que os dois haverão de enfrentar.

 

5. Como sugeriu o apóstolo Paulo, a verdade está subordinada à bondade. Pela ética de princípios, o uso da camisinha, a pesquisa das células-tronco, o aborto de fetos sem cérebro, o divórcio, a eutanásia são questões resolvidas que não requerem decisões: os princípios universais os proíbem. Mas a ética contextual nos obriga a fazer perguntas sobre o bem ou o mal que uma ação irá criar. O uso da camisinha contribui para diminuir a incidência da aids? As pesquisas com células-tronco contribuem para trazer a cura para uma infinidade de doenças? O aborto de um feto sem cérebro contribuirá para diminuir a dor de uma mulher? O divórcio contribuirá para que homens e mulheres possam recomeçar suas vidas afetivas? A eutanásia pode ser o único caminho para libertar uma pessoa da dor que não a deixará? Duas éticas. A única pergunta a se fazer é: “Qual delas está mais a serviço do amor?”

 

(Adaptado de: ALVES, Rubem. “As duas éticas”. Disponível em: https://cronicasbrasil.blogspot.com)

Substitui corretamente o trecho sublinhado, mantendo-se o sentido, o que se encontra em:
  1. Aa que os filósofos dão o nome de ética de princípios – de que os filósofos chamam
  2. Bas estrelas que alguns dizem já ter visto – as quais alguns dizem ter aspirado
  3. Co bem ou o mal que uma ação irá criar – cuja ação irá se processar
  4. Da morte que os dois haverão de enfrentar – com que ambos devem debater
  5. Equestões resolvidas que não requerem decisões – que prescindem de resoluções
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — questões resolvidas que não requerem decisões – que prescindem de resoluções

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Reescrita de frases: substituição sem alteração de sentido

Gabarito: letra E. A alternativa E é a única que substitui o trecho sublinhado mantendo integralmente o sentido, pois "prescindem de resoluções" é uma paráfrase exata de "não requerem decisões" — ambos expressam a ideia de que algo não precisa de deliberação. As demais alternativas ou trocam o sentido, ou quebram a regência, ou introduzem informação estranha ao texto, como se verá na análise de cada uma.

O comando pede uma reescrita sem alteração de sentido — ou seja, uma paráfrase. Isso significa que a substituição deve preservar o valor semântico do trecho original, mantendo a mesma ideia, o mesmo campo semântico e a mesma estrutura lógica. Não basta que a nova frase seja gramaticalmente correta; ela precisa dizer exatamente o mesmo que o trecho sublinhado dizia no contexto.

O texto-base apresenta duas éticas: a ética de princípios (estelar) e a ética contextual (dos jardineiros). No parágrafo 5, o autor afirma que, pela ética de princípios, certas questões são "resolvidas que não requerem decisões", pois os princípios universais já as proíbem. A substituição correta deve manter essa ideia de que tais questões dispensam deliberação.

A técnica central para resolver esta questão é testar cada alternativa perguntando: a nova redação preserva o sentido original? Para isso, é preciso verificar três coisas: (1) o significado das palavras, (2) a regência verbal/nominal, e (3) a referência dos pronomes relativos. A alternativa correta é a que passa nos três testes.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de reescrita, sublinhe o trecho original e escreva ao lado, com suas palavras, o que ele significa. Depois, compare cada alternativa com essa paráfrase mental. Se a alternativa disser algo diferente — mesmo que parecido —, está errada.

1Testes
Significado das palavras
Regência verbal/nominal
Referência dos pronomes
2Erros comuns
Troca de verbo por falso sinônimo
Quebra de regência
Mudança de foco
3Técnica
Parafrasear o trecho original
Comparar cada alternativa
Reescrita sem alterar sentido
LEVELsoulevel.com.br
Reescrita sem alterar sentido: Testes (Significado das palavras, Regência verbal/nominal, Referência dos pronomes); Erros comuns (Troca de verbo por falso sinônimo, Quebra de regência, Mudança de foco); Técnica (Parafrasear o trecho original, Comparar cada alternativa)

Alternativa A — ❌ Incorreta

"a que os filósofos dão o nome de ética de princípios – de que os filósofos chamam"

O erro está na regência do verbo "chamar". No texto, a estrutura é "dar o nome de X a Y" — o verbo "dar" exige objeto indireto introduzido por "a". Na alternativa, o verbo "chamar" é transitivo direto e indireto: chama-se algo (objeto direto) de algo (predicativo). A forma correta seria "a que os filósofos chamam de ética de princípios". A construção "de que os filósofos chamam" está incorreta porque o pronome relativo "que" deveria ser objeto direto, não objeto indireto. Além disso, a preposição "de" antes de "que" não se justifica com o verbo "chamar" nessa acepção. Erro: troca de regência que inviabiliza a substituição.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"as estrelas que alguns dizem já ter visto – as quais alguns dizem ter aspirado"

Aqui há uma troca de verbo que altera completamente o sentido. No texto, "visto" significa "ter contemplado, ter enxergado" — as estrelas são objeto da visão. O verbo "aspirar", no sentido de "almejar, desejar", exige a preposição "a" (aspirar a algo) e muda o significado: não se trata mais de ver as estrelas, mas de desejá-las. Além disso, "aspirar" também pode significar "inalar", o que seria ainda mais distante do sentido original. Erro: troca de vocábulo que altera o sentido (contradiz o texto).

Alternativa C — ❌ Incorreta

"o bem ou o mal que uma ação irá criar – cuja ação irá se processar"

O trecho original fala do bem ou mal que uma ação criará — ou seja, das consequências da ação. A alternativa troca isso por "cuja ação irá se processar", que significa "a ação irá se desenvolver, ocorrer". Isso muda o foco: o original fala do efeito (bem/mal), a alternativa fala do processo da ação. Além disso, "cuja" exige que o termo seguinte seja um substantivo que estabeleça relação de posse ou pertinência com o antecedente — "ação irá se processar" não é uma relação de posse, mas de sujeito. Erro: troca de sentido (do efeito para o processo) e uso inadequado do pronome relativo.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"a morte que os dois haverão de enfrentar – com que ambos devem debater"

O original diz que os dois enfrentarão a morte — ou seja, terão de lidar com ela, vivê-la. A alternativa troca "enfrentar" por "debater", que significa "discutir, argumentar". Isso muda o sentido: no texto, a morte é algo que se vivencia, não algo que se discute. Além disso, "com que" introduz uma ideia de instrumento ou companhia, enquanto o original usa "que" como objeto direto de "enfrentar". A regência também muda: "debater com" é diferente de "enfrentar". Erro: troca de verbo que altera o sentido (de vivenciar para discutir).

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"questões resolvidas que não requerem decisões – que prescindem de resoluções"

A substituição é perfeita. O verbo "prescindir" significa "dispensar, não precisar de algo". Assim, "prescindem de resoluções" = "não requerem decisões". A estrutura é mantida: o pronome relativo "que" retoma "questões resolvidas" e a oração subordinada adjetiva explica que tais questões não precisam de deliberação. O sentido é idêntico ao original, sem qualquer alteração semântica ou gramatical.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre verbos que parecem sinônimos, mas não são. "Aspirar" não é "ver", "debater" não é "enfrentar", "processar" não é "criar". A única alternativa que usa um verbo com sentido equivalente ao original é a E, com "prescindir" = "não requerer".

Conclusão: a questão testa a capacidade de reconhecer paráfrases fiéis. A alternativa E é a única que mantém o sentido, a regência e a referência corretas. As demais ou trocam o verbo por um de sentido diferente, ou quebram a regência, ou mudam o foco da frase. Gabarito: letra E.

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