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Questão de Português — Conjunção — FCC 2026

PortuguêsConjunção
Código
fc140739
Banca
FCC
Órgão
ALERR
Ano
2026
Cargo
Tec Leg Esp ( )

Atenção: Leia o texto a seguir para responder à questão.

 

Em um contexto como o que estamos vivendo, em que se valorizam tanto os fins e os objetivos, e em que se propala tanto o “foco na meta”, temos perdido o sentido e o valor do meio do caminho. Estamos sendo tão condicionados a focar nas metas (que, aliás, na maior parte das vezes nem são efetivamente nossas, mas impostas) que acabamos não valorizando o caminho. Cada vez mais, o caminho tem se reduzido a mero intervalo de tempo e espaço entre o começo e o fim; entre a definição da meta e seu cumprimento. Com isso, a existência humana vem empobrecendo e se reduzindo a um simples mecanismo de “desempenho”, de “obtenção” de metas, que, uma vez atingidas, são substituídas por outras, em uma dinâmica insaciável e frustrante. Esse “apagamento” do meio, do caminho, da via, apresenta-se, a meu ver, como uma das causas mais importantes do desastroso processo de desumanização que estamos sofrendo, pois a desvalorização do caminho corresponde, em última análise, à desvalorização da experiência. E como é possível a realização da nossa humanização sem a realização da experiência da vida?

 

Sem metas, não é possível a nossa autorrealização enquanto seres humanos; porém, sem a experiência do caminho tal realização se torna incompleta, vazia e, portanto, falsa. Daí a importância de aprendermos as lições sobre o saber viver o caminho; sobre o saber viver as experiências que encontramos na via da vida, e nos tornarmos mais humanos com elas e por causa delas.

 

(Adaptado de: GALLIAN, Dante. É próprio do humano: uma odisseia do autoconhecimento e da autorrealização em 12 lições. Rio de Janeiro: Record, 2022, edição digital)

No contexto em que se encontra, o segmento que acabamos não valorizando o caminho (1º parágrafo) expressa ideia de

  1. Aconsequência.
  2. Bcausa.
  3. Cproporção.
  4. Dfinalidade.
  5. Econcessão.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — consequência.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Conjunção consecutiva: o valor de "que" em "acabamos não valorizando o caminho"

Gabarito: letra A. O segmento "que acabamos não valorizando o caminho" expressa ideia de consequência, pois o "que" retoma a ideia de intensidade expressa por "tão condicionados" e introduz o efeito desse condicionamento. Como se lê no 1º parágrafo: "Estamos sendo tão condicionados a focar nas metas... que acabamos não valorizando o caminho" — a estrutura tão... que é a marca clássica da oração subordinada adverbial consecutiva.

O comando pede que você identifique o valor semântico da conjunção "que" no contexto — não é uma questão de compreensão global do texto, mas de gramática aplicada ao texto: você precisa reconhecer a relação lógica que o conectivo estabelece entre as orações. A banca não quer que você decore a lista de conjunções, mas que perceba como a estrutura "tão... que" funciona: o primeiro termo (tão) intensifica uma qualidade ou circunstância, e o segundo (que) apresenta o resultado, o efeito dessa intensidade.

No texto, o autor afirma que estamos "tão condicionados a focar nas metas" — essa é a causa — e, por causa desse condicionamento excessivo, "acabamos não valorizando o caminho" — essa é a consequência. A relação é de causa e efeito, e a conjunção "que" é o elo que introduz o efeito. Perceba que a oração consecutiva sempre vem depois da oração principal e é introduzida por "que" antecedido de "tão", "tanto", "tal" ou "tamanho".

A pegadinha central desta questão é a confusão entre consecutiva e causal. Na causal, a conjunção (porque, já que, visto que) introduz a causa; na consecutiva, o "que" introduz a consequência. Aqui, o "que" não explica por que estamos condicionados — ele mostra o que acontece por estarmos condicionados. A causa já está expressa em "tão condicionados"; o "que" apenas anuncia o resultado.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre consequência e causa. Na estrutura "tão... que", o "que" é consecutivo (introduz o efeito), não causal. Se você trocasse por "porque", o sentido mudaria completamente: "estamos condicionados porque não valorizamos o caminho" inverteria a relação lógica.

PEGA ESSA DICA!

Ao ver "tão/tanto/tal + que", marque mentalmente "consecutiva". Essa é a estrutura mais cobrada para esse valor semântico. E lembre: a consequência sempre vem DEPOIS da causa no período.

1Estrutura típica
tão/tanto/tal + que
2Função
Introduz o efeito
Causa já vem expressa antes
3Confusões comuns
Causal (inverte a relação)
Proporcional (variação paralela)
Final (objetivo)
Concessiva (oposição)
Oração subordinada adverbial consecutiva
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Oração subordinada adverbial consecutiva: Estrutura típica (tão/tanto/tal + que); Função (Introduz o efeito, Causa já vem expressa antes); Confusões comuns (Causal (inverte a relação), Proporcional (variação paralela), Final (objetivo), Concessiva (oposição))

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa está correta porque o "que" introduz a consequência do fato de estarmos "tão condicionados a focar nas metas". A estrutura "tão... que" é a marca da oração subordinada adverbial consecutiva: o primeiro termo intensifica, o segundo apresenta o efeito. No texto: "Estamos sendo tão condicionados a focar nas metas... que acabamos não valorizando o caminho" — o condicionamento excessivo (causa) leva à desvalorização do caminho (consequência).

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa erra ao inverter a relação lógica. Se o "que" fosse causal, a frase significaria que o condicionamento acontece PORQUE não valorizamos o caminho — o que contraria o texto. No original, a desvalorização do caminho é o efeito do condicionamento, não a causa. A causa já está expressa em "tão condicionados"; o "que" introduz o resultado. Erro: contradiz o texto ao inverter causa e consequência.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa erra ao atribuir ao "que" um valor de proporção. As conjunções proporcionais (à medida que, ao passo que, quanto mais... mais) expressam simultaneidade ou correlação de intensidade entre dois fatos que variam juntos. No trecho, não há essa variação paralela: há uma causa (condicionamento) e um efeito (desvalorização). Não existe a ideia de "à medida que condicionamos, desvalorizamos" — o texto afirma uma relação direta de causa e efeito. Erro: troca de conceito — confunde proporção com consequência.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa erra ao atribuir ao "que" um valor de finalidade. As conjunções finais (para que, a fim de que) expressam objetivo, propósito, intenção. No trecho, "acabamos não valorizando o caminho" não é o objetivo do condicionamento — é o resultado indesejado. O autor não diz que fomos condicionados PARA desvalorizar o caminho; diz que, por estarmos condicionados, ACABAMOS desvalorizando. Erro: troca de conceito — confunde finalidade com consequência.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa erra ao atribuir ao "que" um valor de concessão. As conjunções concessivas (embora, ainda que, apesar de) expressam uma ideia contrária que não impede a realização do fato principal. No trecho, não há oposição ou ressalva: o "que" não introduz um fato que contraria o anterior, mas sim o resultado natural dele. Não há como ler "embora acabemos não valorizando o caminho" sem destruir a relação de causa e efeito estabelecida pelo autor. Erro: troca de conceito — confunde concessão com consequência.

Gabarito: letra A. A chave da questão é reconhecer a estrutura "tão... que" como marca da oração consecutiva: o "que" introduz a consequência do que foi intensificado pelo "tão". Sempre que a banca perguntar o valor de um conectivo, volte ao texto e teste a relação lógica: aqui, o condicionamento (causa) produz a desvalorização do caminho (efeito).

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