Atenção: Leia o texto a seguir para responder à questão.
Volta e meia aparece alguém declarando que não gosta de arte contemporânea. Assim, na lata, sem maiores especificações. Normalmente, nesses casos, o contemporâneo entra como uma espécie de estilo tardio; não se gosta da arte contemporânea, mas sim do impressionismo, por exemplo. O que sobressai aí é uma percepção (uma irritação) de que a partir de algum momento na história teria se perdido o foco, e qualquer gesto, por mais arbitrário que pareça, passou a poder reivindicar legitimidade artística. Nostalgias à parte, multiplicaram-se as formas de arte e diversificaram-se as genealogias poéticas.
Adaptado de: OSORIO, Luiz Camillo. Arte contemporânea brasileira. In: Agenda Brasileira: temas de uma sociedade em mudança (org. André Botelho e Lilia Moritz Schwarcz). Companhia das Letras
Há sujeito indeterminado, que não se quer ou não se pode identificar, no seguinte trecho:
Ao contemporâneo entra como uma espécie de estilo tardio.
Bmultiplicaram-se as formas de arte.
Cnão se gosta da arte contemporânea, mas sim do impressionismo.
Dqualquer gesto, por mais arbitrário que pareça, passou a poder reivindicar legitimidade artística.
Ediversificaram-se as genealogias poéticas.
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GabaritoC — não se gosta da arte contemporânea, mas sim do impressionismo.
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Sujeito indeterminado: o "se" como índice de indeterminação
Gabarito: letra C. A alternativa C — "não se gosta da arte contemporânea, mas sim do impressionismo" — é a única que apresenta sujeito indeterminado, construído com o pronome "se" como índice de indeterminação do sujeito, acompanhando um verbo transitivo indireto ("gostar de"). As demais alternativas apresentam sujeitos determinados (simples ou ocultos), como se comprova pela análise sintática de cada trecho.
O comando da questão
O enunciado pede que se identifique o trecho em que há sujeito indeterminado, ou seja, aquele em que "não se quer ou não se pode identificar" o agente da ação verbal. Isso é uma questão de análise sintática — mais especificamente, de classificação do sujeito. Não se trata de interpretação de texto, mas de reconhecer uma estrutura gramatical específica dentro das frases do texto-base.
A técnica: como reconhecer o sujeito indeterminado
O sujeito indeterminado ocorre em três construções clássicas na norma culta:
Verbo na 3ª pessoa do plural sem referência a um sujeito explícito ou implícito no contexto: "Falaram bem de você ontem".
Verbo na 3ª pessoa do singular + partícula "se" (índice de indeterminação do sujeito), com verbos intransitivos, transitivos indiretos ou de ligação: "Vive-se bem aqui", "Precisa-se de empregados", "É-se feliz".
Verbo no infinitivo impessoal: "É preciso estudar" (embora haja divergência entre gramáticos sobre este caso).
A pegadinha central da questão está em não confundir o "se" índice de indeterminação do sujeito com o "se" partícula apassivadora. No primeiro caso, o verbo é intransitivo, transitivo indireto ou de ligação, e não há sujeito; no segundo, o verbo é transitivo direto, e o "se" apenas marca a voz passiva sintética, havendo sujeito paciente.
Análise das alternativas
Sujeito indeterminado: 3ª pessoa do plural ("Falaram bem de você"); Verbo + "se" (índice de indeterminação) (Verbo transitivo indireto, Verbo intransitivo, Verbo de ligação); Infinitivo impessoal ("É preciso estudar"); "Se" partícula apassivadora (não indetermina) (Verbo transitivo direto, Sujeito paciente determinado)
Alternativa A — ❌ Incorreta
"o contemporâneo entra como uma espécie de estilo tardio"
O sujeito é determinado simples: "o contemporâneo" (núcleo: "contemporâneo"). O verbo "entra" concorda com esse sujeito explícito. Não há indeterminação.
Alternativa B — ❌ Incorreta
"multiplicaram-se as formas de arte"
Aqui o "se" é partícula apassivadora, e o sujeito é paciente determinado: "as formas de arte". A frase equivale a "as formas de arte foram multiplicadas". O verbo "multiplicaram" concorda com o sujeito plural. Não há indeterminação.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"não se gosta da arte contemporânea, mas sim do impressionismo"
O verbo "gostar" é transitivo indireto (gosta-se de algo). Quando o "se" acompanha verbo transitivo indireto, ele é índice de indeterminação do sujeito, e a oração fica sem sujeito determinado. Não se sabe quem não gosta da arte contemporânea; a afirmação é genérica, referindo-se a "as pessoas em geral". É exatamente o caso clássico de sujeito indeterminado.
Alternativa D — ❌ Incorreta
"qualquer gesto, por mais arbitrário que pareça, passou a poder reivindicar legitimidade artística"
O sujeito é determinado simples: "qualquer gesto" (núcleo: "gesto"). O verbo "passou" concorda com esse sujeito. Não há indeterminação.
Alternativa E — ❌ Incorreta
"diversificaram-se as genealogias poéticas"
Assim como na alternativa B, o "se" é partícula apassivadora, e o sujeito é paciente determinado: "as genealogias poéticas". A frase equivale a "as genealogias poéticas foram diversificadas". Não há indeterminação.
Conclusão
A questão testa a distinção entre o "se" índice de indeterminação do sujeito (com verbo transitivo indireto, intransitivo ou de ligação) e o "se" partícula apassivadora (com verbo transitivo direto). A alternativa C é a única que apresenta a primeira estrutura, sendo, portanto, a correta.
PEGA ESSA DICA!
Ao identificar o "se", verifique a transitividade do verbo. Se for transitivo direto, é partícula apassivadora (há sujeito paciente). Se for transitivo indireto, intransitivo ou de ligação, é índice de indeterminação do sujeito (não há sujeito).