Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — FCC 2026
Português›Interpretação de Textos (Compreensão)
Código
fc140750
Banca
FCC
Órgão
ALERR
Ano
2026
Cargo
Tec Leg Esp ( )
Atenção: Leia o texto a seguir para responder à questão.
Volta e meia aparece alguém declarando que não gosta de arte contemporânea. Assim, na lata, sem maiores especificações. Normalmente, nesses casos, o contemporâneo entra como uma espécie de estilo tardio; não se gosta da arte contemporânea, mas sim do impressionismo, por exemplo. O que sobressai aí é uma percepção (uma irritação) de que a partir de algum momento na história teria se perdido o foco, e qualquer gesto, por mais arbitrário que pareça, passou a poder reivindicar legitimidade artística. Nostalgias à parte, multiplicaram-se as formas de arte e diversificaram-se as genealogias poéticas.
Adaptado de: OSORIO, Luiz Camillo. Arte contemporânea brasileira. In: Agenda Brasileira: temas de uma sociedade em mudança (org. André Botelho e Lilia Moritz Schwarcz). Companhia das Letras
Ao mencionar o sentimento de "irritação", o autor refere-se
Aao descompasso entre a expectativa do público e as práticas artísticas contemporâneas.
Bà crítica do público ao caráter enigmático manifestado pela arte contemporânea.
Cà falta de critérios lógicos para determinar a função das práticas artísticas.
Dao caráter regressivo da arte contemporânea, quando comparada às práticas artísticas do passado.
Eà ideia de que qualquer forma de arte pode se apresentar como mero objeto de consumo.
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GabaritoA — ao descompasso entre a expectativa do público e as práticas artísticas contemporâneas.
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A "irritação" do público com a arte contemporânea
Gabarito: letra A. Ao mencionar o sentimento de "irritação", o autor refere-se ao descompasso entre a expectativa do público e as práticas artísticas contemporâneas — como se lê no trecho em que se fala da percepção de que "a partir de algum momento na história teria se perdido o foco". A alternativa A é a única que traduz fielmente essa ideia de frustração da expectativa, sem acrescentar nada que o texto não diga.
O comando: interpretar uma palavra no contexto
A questão pede que você interprete o sentido de "irritação" dentro do texto — não é uma pergunta de compreensão literal (o que a palavra significa no dicionário), mas de inferência: o que essa irritação representa na argumentação do autor. O comando "refere-se" indica que você deve buscar a referência da palavra, ou seja, o que ela aponta no texto. Isso muda a resolução: você não procura um sinônimo, procura a causa ou o objeto dessa irritação.
O texto: a tese e o movimento argumentativo
O texto de Luiz Camillo Osorio discute a rejeição à arte contemporânea. O autor observa que, quando alguém diz que não gosta de arte contemporânea, na verdade está se referindo a um estilo específico (como o impressionismo), e que por trás dessa rejeição há uma percepção de que a arte perdeu o foco — "qualquer gesto, por mais arbitrário que pareça, passou a poder reivindicar legitimidade artística". A "irritação" é justamente essa sensação de que a arte contemporânea não corresponde ao que o público espera dela, ou seja, um descompasso entre expectativa e prática. O autor não diz que a arte é enigmática, ilógica, regressiva ou mero consumo — essas são leituras que extrapolam o texto.
A técnica: inferência com pista textual
Para resolver, você deve identificar a pista que o texto oferece para o sentido de "irritação". O trecho-chave é:
"O que sobressai aí é uma percepção (uma irritação) de que a partir de algum momento na história teria se perdido o foco, e qualquer gesto, por mais arbitrário que pareça, passou a poder reivindicar legitimidade artística."
A palavra "irritação" aparece entre parênteses, como sinônimo de "percepção" — mas não uma percepção qualquer: é a percepção de que se perdeu o foco. Isso significa que o público esperava que a arte tivesse um foco (um critério, uma direção), e a arte contemporânea, ao permitir "qualquer gesto", frustra essa expectativa. É exatamente isso que a alternativa A diz: descompasso entre a expectativa do público e as práticas artísticas contemporâneas. As demais alternativas ou acrescentam ideias que não estão no texto (enigma, lógica, regressão, consumo) ou restringem demais o sentido.
Alternativa A — ✅ Correta
A alternativa A é a única que se ancora diretamente no texto. O trecho citado mostra que a irritação é a percepção de que "se perdeu o foco" — ou seja, o público esperava que a arte tivesse um foco, e a arte contemporânea, ao permitir "qualquer gesto", frustra essa expectativa. Isso é exatamente um descompasso entre a expectativa do público e as práticas artísticas contemporâneas. Nenhuma outra alternativa captura essa ideia de frustração da expectativa.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa B fala em "crítica do público ao caráter enigmático" da arte contemporânea. O texto não menciona que a arte contemporânea seja enigmática, nem que o público a critique por isso. A irritação é descrita como uma percepção de perda de foco, não como uma reação a algo enigmático. Isso é uma extrapolação: acrescenta uma característica (enigma) que não está no texto.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa C fala em "falta de critérios lógicos para determinar a função das práticas artísticas". O texto menciona que "qualquer gesto, por mais arbitrário que pareça, passou a poder reivindicar legitimidade artística" — mas isso não é o mesmo que "falta de critérios lógicos". A palavra "arbitrário" aqui se refere à aparência dos gestos, não a uma lógica. Além disso, o texto não fala em "função" das práticas artísticas. É uma troca de conceito: substitui "foco" por "critérios lógicos" e "legitimidade" por "função", alterando o sentido.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa D fala em "caráter regressivo da arte contemporânea, quando comparada às práticas artísticas do passado". O texto não faz essa comparação nem afirma que a arte contemporânea é regressiva. O autor apenas observa que o público tem uma nostalgia ("Nostalgias à parte"), mas não endossa a ideia de regressão. Isso é uma extrapolação: atribui ao autor um juízo de valor que ele não emite.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa E fala em "qualquer forma de arte pode se apresentar como mero objeto de consumo". O texto não menciona consumo, objeto de consumo ou qualquer relação com o mercado. A ideia de "qualquer gesto... reivindicar legitimidade artística" é sobre a ampliação do que pode ser considerado arte, não sobre consumo. Isso é uma fuga ao tema: introduz um assunto (consumo) que não está no texto.
Conclusão
A questão testa sua capacidade de inferir o sentido de uma palavra a partir do contexto. A alternativa A é a única que se sustenta integralmente no texto, pois traduz a ideia de "perda de foco" como um descompasso entre expectativa e prática. As demais ou extrapolam, ou trocam conceitos, ou fogem ao tema. Lembre-se: em questões de interpretação, a resposta mora no texto — se você precisar acrescentar algo de fora, está errada.
PEGA ESSA DICA!
Grife o comando: "refere-se" pede que você busque a referência da palavra no texto, não um sinônimo. Procure a causa ou o objeto da irritação, e você encontrará a resposta.