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Questão de Português — Sinônimos e Antônimos — FCC 2026

PortuguêsSinônimos e Antônimos
Código
fc140756
Banca
FCC
Órgão
ALERR
Ano
2026
Cargo
Tec Leg Esp ( )

Atenção: Considere o conto “Sua excelência”, de Lima Barreto, para responder à questão.

 

O ministro saiu do baile da embaixada, embarcando logo no carro. Ansiava estar só, só com o seu pensamento, pesando bem as palavras que proferira, relembrando as atitudes e os pasmos olhares dos circunstantes. Por isso entrara no coupé¹ depressa, sôfrego, sem mesmo reparar se, de fato, era o seu. Vinha cegamente, tangido por sentimentos complexos: orgulho, força, valor, vaidade. Todo ele era um poço de certeza. As obscuras determinações das coisas, acertadamente, haviam-no erguido até ali, e mais alto levá-lo-iam, visto que só e unicamente ele seria capaz de fazer o país chegar aos destinos que os antecedentes dele impunham... Lembrou-se do seu discurso de ainda agora. “Na vida das sociedades, como na dos indivíduos...” Que maravilha! Tinha algo de filosófico, de transcendente. O olhar brilhante e cheio de admiração do líder da oposição foi o mais seguro penhor do efeito da frase... E quando terminou! Oh! “Senhor, o nosso tempo é de grandes reformas; estejamos com ele: reformemos!” A cerimônia mal conteve, nos circunstantes, o entusiasmo com que esse final foi recebido. O auditório delirou. As palmas estrugiram; e, dentro do grande salão iluminado, pareceu-lhe que recebia as palmas da Terra toda.

 

O carro continuava a voar. As luzes da rua extensa apareciam como um só traço de fogo; depois, sumiram-se. O veículo agora corria vertiginosamente dentro de uma névoa fosforescente. Era em vão que seus augustos olhos se abriam desmedidamente; não havia contornos, formas, onde eles pousassem. Consultou o relógio. Estava parado? Não; mas marcava a mesma hora e o mesmo minuto da saída da festa. Perguntou ao cocheiro: “Aonde vamos?” Quis arriar as vidraças. Não pôde; queimavam. Redobrou os esforços, conseguindo arriar as da frente. Gritou ao cocheiro: “Aonde vamos? Miserável, aonde me levas?” Apesar de ter o carro algumas vidraças arriadas, no seu interior fazia um calor de forja. Quando lhe veio esta imagem, apalpou bem, no peito, as grã-cruzes² magníficas. Graças a Deus, ainda não se haviam derretido. Gritou ainda uma vez ao cocheiro: “Para, para, senão me pagarás caro!”

 

Não era o mesmo cocheiro. Aquele homem de nariz adunco, queixo longo com uma barbicha, não era, de fato, o seu fiel Manuel. O calor aumentava. Pelos cantos o carro chispava. Não podendo suportar o calor, despiu-se. Saltaria do carro, se pudesse. Sufocado, estonteado, parecia-lhe que continuava com vida, mas que suas pernas e seus braços, seu tronco e sua cabeça dançavam, separados. Desmaiou; e, ao recuperar os sentidos, viu-se vestido com uma reles libre³ e uma grotesca cartola, cochilando à porta do palácio em que estivera ainda há pouco e de onde saíra triunfalmente, não havia minutos. Nas proximidades um coupé estacionava. Quis verificar bem as coisas circunstantes; mas não houve tempo. Pelas escadas de mármore, gravemente, solenemente, um homem (pareceu-lhe isso) descia os degraus envolvido no fardão que despira, tendo no peito as mesmas magníficas grã-cruzes. Logo que o personagem pisou na soleira, de um só ímpeto aproximou-se e, abjetamente, como se até ali não tivesse feito outra coisa, indagou: “Vossa Excelência quer o carro?”

 

BARRETO, Lima. Histórias e sonhos. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2008, p. 33-36.

Não era o mesmo cocheiro. Aquele homem de nariz adunco, queixo longo com uma barbicha, não era, de fato, o seu fiel Manuel.

 

No contexto em que se insere, a expressão "de fato" pode ser substituída, sem prejuízo para o sentido do texto, por:

  1. Asurpreendentemente
  2. Bcuriosamente
  3. Crealmente
  4. Deventualmente
  5. Einfelizmente
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GabaritoC — realmente

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Sinonímia contextual: o valor de "de fato" no conto de Lima Barreto

Gabarito: letra C. A expressão "de fato" tem valor de confirmação/ratificação — equivale a "realmente", "efetivamente", "com efeito". No trecho, o narrador confirma que aquele homem de nariz adunco não era o fiel Manuel: "não era, de fato, o seu fiel Manuel". A substituição por "realmente" preserva integralmente esse sentido de confirmação, como se lê no 3º parágrafo do conto.

O comando: substituição sem prejuízo de sentido

A questão pede uma substituição vocabular — tarefa de sinonímia contextual. O verbo "pode ser substituída" indica que se busca um sinônimo da expressão "de fato" naquele contexto específico. Não se trata de interpretação ampla do conto, mas de reconhecer o valor semântico de uma locução adverbial dentro da frase em que ocorre. O método: identificar o sentido que "de fato" carrega no trecho e testar cada alternativa, perguntando se a troca mantém o mesmo efeito de sentido.

O texto: a confirmação de uma suspeita

No conto "Sua excelência", o ministro vive uma experiência onírica/alucinatória: entra num carro que não é o seu, com um cocheiro que não é o seu fiel Manuel. O trecho-chave é:

"Não era o mesmo cocheiro. Aquele homem de nariz adunco, queixo longo com uma barbicha, não era, de fato, o seu fiel Manuel."

A expressão "de fato" aqui ratifica a afirmação anterior: o narrador confirma, assegura que aquele homem realmente não era Manuel. É um reforço de certeza, não uma surpresa, curiosidade, possibilidade ou lamento. O valor é de asserção enfática — "realmente não era".

A técnica: sinônimos contextuais e a armadilha dos falsos sinônimos

Sinônimos não são palavras idênticas, mas palavras que, num dado contexto, podem se substituir sem alterar o sentido. A banca explora exatamente isso: oferece advérbios que, em outros contextos, poderiam parecer próximos, mas que aqui introduzem matizes semânticos distintos. O teste decisivo é a substituição na frase: "não era, realmente, o seu fiel Manuel" mantém a confirmação; "não era, surpreendentemente, o seu fiel Manuel" acrescenta uma reação de espanto que o texto não expressa; "não era, eventualmente, o seu fiel Manuel" introduz possibilidade/hipótese, contradizendo a certeza do narrador.

NÃO CAIA NESSA!

A banca oferece advérbios que expressam reações (surpresa, curiosidade, lamento) ou possibilidade (eventualmente), quando "de fato" expressa confirmação. A armadilha é trocar o valor semântico da locução por um matiz que o texto não autoriza.

1Realmente (sinônimo perfeito)
2Surpreendentemente (acrescenta espanto)
3Curiosamente (acrescenta estranheza)
4Eventualmente (introduz possibilidade)
5Infelizmente (acrescenta lamento)
"De fato" (valor de confirmação)
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"De fato" (valor de confirmação): Realmente (sinônimo perfeito); Surpreendentemente (acrescenta espanto); Curiosamente (acrescenta estranheza); Eventualmente (introduz possibilidade); Infelizmente (acrescenta lamento)

Alternativa A — ❌ Incorreta

"Surpreendentemente" expressa espanto, admiração diante do fato. O narrador não demonstra surpresa ao constatar que o cocheiro não era Manuel — ele apenas confirma uma percepção. A troca introduz um matiz emocional ausente no texto. Erro: troca de sentido (acrescenta reação de espanto).

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Curiosamente" expressa estranheza, interesse pelo fato. O narrador não manifesta curiosidade; ele assegura a identidade do cocheiro. A troca desloca o sentido de confirmação para um matiz de admiração/estranheza. Erro: troca de sentido (acrescenta reação de curiosidade).

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Realmente" é sinônimo direto de "de fato" no sentido de confirmação, efetivamente. A frase "não era, realmente, o seu fiel Manuel" preserva integralmente o valor de ratificação da afirmação. É a única alternativa que mantém o sentido sem qualquer acréscimo ou deslocamento. Correta: sinonímia perfeita no contexto.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"Eventualmente" expressa possibilidade, casualidade — "por acaso", "talvez". O narrador afirma com certeza que o cocheiro não era Manuel; a troca por "eventualmente" transformaria a afirmação em hipótese, contradizendo o texto. Erro: contradiz o texto (introduz possibilidade onde há certeza).

Alternativa E — ❌ Incorreta

"Infelizmente" expressa lamento, pesar pelo fato. O narrador não demonstra tristeza; ele apenas constata a troca do cocheiro. A troca acrescenta um juízo de valor emocional ausente no texto. Erro: acrescenta opinião/sentimento não expresso pelo narrador.

PEGA ESSA DICA!

Ao substituir uma expressão, faça o teste da troca na frase original: "não era, [alternativa], o seu fiel Manuel". A única que mantém o sentido de confirmação é "realmente". Desconfie de advérbios que expressam reação emocional (surpresa, curiosidade, lamento) — eles mudam o tom do texto.

Gabarito: letra C.

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