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Questão de Português — Conjugação. Reconhecimento e Emprego dos Modos e Tempos Verbais — FCC 2026

PortuguêsConjugação. Reconhecimento e Emprego dos Modos e Tempos Verbais
Código
fc140761
Banca
FCC
Órgão
ALERR
Ano
2026
Cargo
Tec Leg Esp ( )

Atenção: Considere o conto “Sua excelência”, de Lima Barreto, para responder à questão.

 

O ministro saiu do baile da embaixada, embarcando logo no carro. Ansiava estar só, só com o seu pensamento, pesando bem as palavras que proferira, relembrando as atitudes e os pasmos olhares dos circunstantes. Por isso entrara no coupé¹ depressa, sôfrego, sem mesmo reparar se, de fato, era o seu. Vinha cegamente, tangido por sentimentos complexos: orgulho, força, valor, vaidade. Todo ele era um poço de certeza. As obscuras determinações das coisas, acertadamente, haviam-no erguido até ali, e mais alto levá-lo-iam, visto que só e unicamente ele seria capaz de fazer o país chegar aos destinos que os antecedentes dele impunham... Lembrou-se do seu discurso de ainda agora. “Na vida das sociedades, como na dos indivíduos...” Que maravilha! Tinha algo de filosófico, de transcendente. O olhar brilhante e cheio de admiração do líder da oposição foi o mais seguro penhor do efeito da frase... E quando terminou! Oh! “Senhor, o nosso tempo é de grandes reformas; estejamos com ele: reformemos!” A cerimônia mal conteve, nos circunstantes, o entusiasmo com que esse final foi recebido. O auditório delirou. As palmas estrugiram; e, dentro do grande salão iluminado, pareceu-lhe que recebia as palmas da Terra toda.

 

O carro continuava a voar. As luzes da rua extensa apareciam como um só traço de fogo; depois, sumiram-se. O veículo agora corria vertiginosamente dentro de uma névoa fosforescente. Era em vão que seus augustos olhos se abriam desmedidamente; não havia contornos, formas, onde eles pousassem. Consultou o relógio. Estava parado? Não; mas marcava a mesma hora e o mesmo minuto da saída da festa. Perguntou ao cocheiro: “Aonde vamos?” Quis arriar as vidraças. Não pôde; queimavam. Redobrou os esforços, conseguindo arriar as da frente. Gritou ao cocheiro: “Aonde vamos? Miserável, aonde me levas?” Apesar de ter o carro algumas vidraças arriadas, no seu interior fazia um calor de forja. Quando lhe veio esta imagem, apalpou bem, no peito, as grã-cruzes² magníficas. Graças a Deus, ainda não se haviam derretido. Gritou ainda uma vez ao cocheiro: “Para, para, senão me pagarás caro!”

 

Não era o mesmo cocheiro. Aquele homem de nariz adunco, queixo longo com uma barbicha, não era, de fato, o seu fiel Manuel. O calor aumentava. Pelos cantos o carro chispava. Não podendo suportar o calor, despiu-se. Saltaria do carro, se pudesse. Sufocado, estonteado, parecia-lhe que continuava com vida, mas que suas pernas e seus braços, seu tronco e sua cabeça dançavam, separados. Desmaiou; e, ao recuperar os sentidos, viu-se vestido com uma reles libre³ e uma grotesca cartola, cochilando à porta do palácio em que estivera ainda há pouco e de onde saíra triunfalmente, não havia minutos. Nas proximidades um coupé estacionava. Quis verificar bem as coisas circunstantes; mas não houve tempo. Pelas escadas de mármore, gravemente, solenemente, um homem (pareceu-lhe isso) descia os degraus envolvido no fardão que despira, tendo no peito as mesmas magníficas grã-cruzes. Logo que o personagem pisou na soleira, de um só ímpeto aproximou-se e, abjetamente, como se até ali não tivesse feito outra coisa, indagou: “Vossa Excelência quer o carro?”

 

BARRETO, Lima. Histórias e sonhos. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2008, p. 33-36.

O ministro saiu do baile da embaixada, embarcando logo no carro. Ansiava estar só, só com o seu pensamento, pesando bem as palavras que proferira, relembrando as atitudes e os pasmos olhares dos circunstantes.

 

No excerto transcrito acima, o narrador relata alguns fatos ocorridos no passado. Um fato anterior a esse tempo passado está indicado pela seguinte forma verbal:

  1. Aproferira.
  2. Bsaiu.
  3. Cembarcando.
  4. DAnsiava.
  5. Erelembrando.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — proferira.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Pretérito mais-que-perfeito: a anterioridade no tempo passado

Gabarito: letra A. A forma verbal "proferira" é a única que indica um fato anterior ao tempo passado narrado, pois está no pretérito mais-que-perfeito do indicativo. No trecho, o narrador relata que o ministro "Ansiava estar só... pesando bem as palavras que proferira" — ou seja, o ato de proferir o discurso aconteceu antes do momento em que ele "ansiava" e "pesava" as palavras. As demais formas (saiu, embarcando, Ansiava, relembrando) situam-se no mesmo plano temporal da narração ou expressam simultaneidade, não anterioridade.

O comando: o que a banca pede

A questão exige reconhecimento do valor temporal de uma forma verbal dentro de um contexto narrativo. O enunciado afirma que o narrador "relata alguns fatos ocorridos no passado" e pergunta qual forma verbal indica "um fato anterior a esse tempo passado". Isso é uma questão de gramática aplicada ao texto: não basta saber a definição de cada tempo verbal; é preciso identificar, no fluxo da narração, qual verbo expressa uma ação que já estava concluída quando outra ação passada ocorreu.

O texto: a linha do tempo da narração

No excerto, o narrador descreve o ministro saindo do baile e entrando no carro. A partir daí, há uma sequência de ações passadas: "saiu", "Ansiava", "pesando", "relembrando". Todas essas formas situam-se no mesmo plano temporal — o passado da narração. A forma "proferira" aparece na oração "pesando bem as palavras que proferira", indicando que o discurso foi proferido antes do momento em que o ministro "pesa" as palavras. Essa relação de anterioridade é exatamente o que o pretérito mais-que-perfeito expressa.

A técnica: o valor do pretérito mais-que-perfeito

O pretérito mais-que-perfeito do indicativo (forma simples: "proferira", "falara", "vira") indica um fato passado anterior a outro fato passado. É o tempo da "retrospecção": quando o narrador quer situar uma ação que já estava concluída antes de outra ação também passada. No texto, a sequência lógica é:

  1. O ministro proferiu o discurso (ação mais antiga).

  2. Depois, saiu do baile e ansiava estar só (ações posteriores).

  3. No carro, pesava as palavras que proferira (ação de relembrar, posterior ao discurso).

A forma "proferira" é a única que aponta para o momento mais recuado da linha do tempo. As demais formas — "saiu" (pretérito perfeito), "Ansiava" (pretérito imperfeito), "embarcando" e "relembrando" (gerúndios) — situam-se no mesmo plano temporal da narração ou expressam simultaneidade.

  1. Proferiu o discurso (mais-que-perfeito)
  2. Saiu do baile (perfeito)
  3. Ansiava estar só (imperfeito)
  4. Pesava/relembrava (gerúndio)
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Proferira" é a forma correta. No trecho "pesando bem as palavras que proferira", o verbo está no pretérito mais-que-perfeito do indicativo, indicando que o ato de proferir o discurso ocorreu antes do momento em que o ministro "pesa" as palavras. A anterioridade é clara: primeiro ele proferiu o discurso; depois, já no carro, relembra e avalia o que disse. Essa é a única forma verbal do excerto que expressa um fato anterior ao tempo passado da narração.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Saiu" está no pretérito perfeito do indicativo, que indica um fato concluído no passado, mas no mesmo plano temporal da narração. O verbo "saiu" é o ponto de partida da narrativa: "O ministro saiu do baile da embaixada". Ele não expressa anterioridade em relação a outro fato passado; é o fato que inicia a sequência narrada.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Embarcando" é uma forma nominal do verbo (gerúndio), que expressa uma ação em curso, simultânea ou imediatamente posterior à ação principal. No trecho "saiu do baile da embaixada, embarcando logo no carro", o gerúndio indica uma ação que acompanha a ação de "sair" — não há anterioridade, mas sim simultaneidade ou sequência imediata.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"Ansiava" está no pretérito imperfeito do indicativo, que expressa uma ação passada habitual, contínua ou durativa, sem indicar anterioridade em relação a outro fato passado. No trecho "Ansiava estar só", o verbo descreve um estado ou desejo do ministro no momento da narração, não uma ação anterior a ela.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"Relembrando" é outra forma nominal (gerúndio), que expressa uma ação em curso, simultânea à ação principal. No trecho "relembrando as atitudes e os pasmos olhares dos circunstantes", o gerúndio indica uma ação que acompanha o ato de "ansiar" — não há anterioridade, mas simultaneidade.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre os tempos verbais do passado. O candidato pode ser tentado a marcar "saiu" (pretérito perfeito) por ser um passado, mas a questão pede especificamente um fato anterior ao tempo passado narrado — e isso só o pretérito mais-que-perfeito expressa. A chave é identificar a relação de anterioridade entre as ações, não apenas o fato de estarem no passado.

PEGA ESSA DICA!

Ao encontrar uma questão sobre tempos verbais, monte a linha do tempo do texto: identifique o momento da narração e, depois, verifique qual verbo aponta para um momento anterior a ele. O pretérito mais-que-perfeito (simples ou composto) é o tempo da anterioridade no passado.

Gabarito: letra A — "proferira" é a única forma verbal que indica um fato anterior ao tempo passado narrado, pois está no pretérito mais-que-perfeito do indicativo.

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