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Questão de Português — Tipos de Discurso (Direto, Indireto e Indireto Livre) — FCC 2026

PortuguêsTipos de Discurso (Direto, Indireto e Indireto Livre)
Código
fc140763
Banca
FCC
Órgão
ALERR
Ano
2026
Cargo
Tec Leg Esp ( )

Atenção: Considere o conto “Sua excelência”, de Lima Barreto, para responder à questão.

 

O ministro saiu do baile da embaixada, embarcando logo no carro. Ansiava estar só, só com o seu pensamento, pesando bem as palavras que proferira, relembrando as atitudes e os pasmos olhares dos circunstantes. Por isso entrara no coupé¹ depressa, sôfrego, sem mesmo reparar se, de fato, era o seu. Vinha cegamente, tangido por sentimentos complexos: orgulho, força, valor, vaidade. Todo ele era um poço de certeza. As obscuras determinações das coisas, acertadamente, haviam-no erguido até ali, e mais alto levá-lo-iam, visto que só e unicamente ele seria capaz de fazer o país chegar aos destinos que os antecedentes dele impunham... Lembrou-se do seu discurso de ainda agora. “Na vida das sociedades, como na dos indivíduos...” Que maravilha! Tinha algo de filosófico, de transcendente. O olhar brilhante e cheio de admiração do líder da oposição foi o mais seguro penhor do efeito da frase... E quando terminou! Oh! “Senhor, o nosso tempo é de grandes reformas; estejamos com ele: reformemos!” A cerimônia mal conteve, nos circunstantes, o entusiasmo com que esse final foi recebido. O auditório delirou. As palmas estrugiram; e, dentro do grande salão iluminado, pareceu-lhe que recebia as palmas da Terra toda.

 

O carro continuava a voar. As luzes da rua extensa apareciam como um só traço de fogo; depois, sumiram-se. O veículo agora corria vertiginosamente dentro de uma névoa fosforescente. Era em vão que seus augustos olhos se abriam desmedidamente; não havia contornos, formas, onde eles pousassem. Consultou o relógio. Estava parado? Não; mas marcava a mesma hora e o mesmo minuto da saída da festa. Perguntou ao cocheiro: “Aonde vamos?” Quis arriar as vidraças. Não pôde; queimavam. Redobrou os esforços, conseguindo arriar as da frente. Gritou ao cocheiro: “Aonde vamos? Miserável, aonde me levas?” Apesar de ter o carro algumas vidraças arriadas, no seu interior fazia um calor de forja. Quando lhe veio esta imagem, apalpou bem, no peito, as grã-cruzes² magníficas. Graças a Deus, ainda não se haviam derretido. Gritou ainda uma vez ao cocheiro: “Para, para, senão me pagarás caro!”

 

Não era o mesmo cocheiro. Aquele homem de nariz adunco, queixo longo com uma barbicha, não era, de fato, o seu fiel Manuel. O calor aumentava. Pelos cantos o carro chispava. Não podendo suportar o calor, despiu-se. Saltaria do carro, se pudesse. Sufocado, estonteado, parecia-lhe que continuava com vida, mas que suas pernas e seus braços, seu tronco e sua cabeça dançavam, separados. Desmaiou; e, ao recuperar os sentidos, viu-se vestido com uma reles libre³ e uma grotesca cartola, cochilando à porta do palácio em que estivera ainda há pouco e de onde saíra triunfalmente, não havia minutos. Nas proximidades um coupé estacionava. Quis verificar bem as coisas circunstantes; mas não houve tempo. Pelas escadas de mármore, gravemente, solenemente, um homem (pareceu-lhe isso) descia os degraus envolvido no fardão que despira, tendo no peito as mesmas magníficas grã-cruzes. Logo que o personagem pisou na soleira, de um só ímpeto aproximou-se e, abjetamente, como se até ali não tivesse feito outra coisa, indagou: “Vossa Excelência quer o carro?”

 

BARRETO, Lima. Histórias e sonhos. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2008, p. 33-36.

Perguntou ao cocheiro: “Aonde vamos?” (2º parágrafo)

 

Ao se transpor o trecho acima para o discurso indireto, o verbo sublinhado assume a seguinte forma:

  1. Afomos
  2. Bforam
  3. Cíamos
  4. Dvão
  5. Eiam
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GabaritoE — iam

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Transposição para o discurso indireto: o verbo "vamos" vira "iam"

Gabarito: letra E. Ao transpor a pergunta do ministro — "Aonde vamos?" — para o discurso indireto, o verbo "vamos" (1ª pessoa do plural, presente do indicativo) assume a forma "iam" (3ª pessoa do plural, pretérito imperfeito do indicativo). A regra é dupla: no discurso indireto a fala passa para a 3ª pessoa, e o presente do indicativo recua para o pretérito imperfeito. Como se lê no 2º parágrafo do conto, a fala é do ministro dirigida ao cocheiro, e o narrador a reporta na 3ª pessoa.

O comando pede uma reescritura — transpor o trecho do discurso direto para o indireto. Isso não é interpretação livre: é aplicar a correlação de tempos e pessoas que a língua exige nessa conversão. O verbo sublinhado é "vamos", forma de 1ª pessoa do plural (nós). No discurso direto, quem fala é o ministro, referindo-se a si mesmo e ao cocheiro ("nós" = eu + você). No discurso indireto, o narrador assume a fala e a reporta na 3ª pessoa: o "nós" vira "eles" (o ministro e o cocheiro).

A regra de conversão dos tempos é fixa e está no próprio material de apoio: presente do indicativo → pretérito imperfeito do indicativo. Veja a tabela:

Discurso direto

Discurso indireto

Presente do indicativo

Pretérito imperfeito do indicativo

1ª pessoa (nós)

3ª pessoa (eles)

Aplicando ao verbo "ir": presente "vamos" (nós) → pretérito imperfeito "íamos" (nós) → 3ª pessoa "iam" (eles). A alternativa E é a única que combina tempo (pretérito imperfeito) e pessoa (3ª do plural) corretamente.

NÃO CAIA NESSA!

A banca arma com a troca de pessoa: "íamos" (letra C) tem o tempo certo, mas mantém a 1ª pessoa do discurso direto — o que viola a regra de que o indireto reporta na 3ª pessoa. Quem só lembra da regra do tempo cai na C.

Alternativa A — ❌ Incorreta

"fomos" é pretérito perfeito do indicativo, 1ª pessoa do plural. Erra no tempo (deveria ser imperfeito) e na pessoa (deveria ser 3ª). O texto não autoriza essa forma: a fala original está no presente, e a conversão exige o imperfeito.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"foram" é pretérito perfeito do indicativo, 3ª pessoa do plural. Acerta a pessoa, mas erra o tempo: o perfeito indica ação concluída, enquanto o imperfeito indica ação em curso no passado — que é o valor exigido pela transposição do presente. A banca troca o tempo para confundir.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"íamos" é pretérito imperfeito do indicativo, 1ª pessoa do plural. Acerta o tempo, mas mantém a 1ª pessoa do discurso direto. No indireto, o narrador fala na 3ª pessoa: "perguntou aonde iam". É a pegadinha clássica — o candidato que só aplica a regra do tempo cai aqui.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"vão" é presente do indicativo, 3ª pessoa do plural. Acerta a pessoa, mas mantém o presente, como se a fala fosse contemporânea ao narrador. Como o verbo introdutor "perguntou" está no pretérito, o presente do discurso direto deve recuar para o imperfeito.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"iam" é pretérito imperfeito do indicativo, 3ª pessoa do plural. É a transposição exata: presente "vamos" (1ª pessoa) → imperfeito "iam" (3ª pessoa). A frase transposta fica: "Perguntou ao cocheiro aonde iam". O texto-base confirma a cena: o ministro pergunta ao cocheiro, e o narrador a reporta — a 3ª pessoa é a voz do narrador.

PEGA ESSA DICA!

Na transposição para o indireto, faça duas perguntas: 1) qual o tempo do verbo no direto? 2) quem fala (1ª/2ª pessoa) vira quem no indireto (3ª pessoa)? Só depois escolha a forma. Desconfie de alternativas que acertam um e erram o outro.

Gabarito: letra E — a única que combina pretérito imperfeito com 3ª pessoa do plural, como manda a conversão de discurso.

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