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Questão de Português — Conjugação. Reconhecimento e Emprego dos Modos e Tempos Verbais — FCC 2026

PortuguêsConjugação. Reconhecimento e Emprego dos Modos e Tempos Verbais
Código
fc140767
Banca
FCC
Órgão
ALERR
Ano
2026
Cargo
Tec Leg Esp ( )

Atenção: Considere o conto “Sua excelência”, de Lima Barreto, para responder à questão.

 

O ministro saiu do baile da embaixada, embarcando logo no carro. Ansiava estar só, só com o seu pensamento, pesando bem as palavras que proferira, relembrando as atitudes e os pasmos olhares dos circunstantes. Por isso entrara no coupé¹ depressa, sôfrego, sem mesmo reparar se, de fato, era o seu. Vinha cegamente, tangido por sentimentos complexos: orgulho, força, valor, vaidade. Todo ele era um poço de certeza. As obscuras determinações das coisas, acertadamente, haviam-no erguido até ali, e mais alto levá-lo-iam, visto que só e unicamente ele seria capaz de fazer o país chegar aos destinos que os antecedentes dele impunham... Lembrou-se do seu discurso de ainda agora. “Na vida das sociedades, como na dos indivíduos...” Que maravilha! Tinha algo de filosófico, de transcendente. O olhar brilhante e cheio de admiração do líder da oposição foi o mais seguro penhor do efeito da frase... E quando terminou! Oh! “Senhor, o nosso tempo é de grandes reformas; estejamos com ele: reformemos!” A cerimônia mal conteve, nos circunstantes, o entusiasmo com que esse final foi recebido. O auditório delirou. As palmas estrugiram; e, dentro do grande salão iluminado, pareceu-lhe que recebia as palmas da Terra toda.

 

O carro continuava a voar. As luzes da rua extensa apareciam como um só traço de fogo; depois, sumiram-se. O veículo agora corria vertiginosamente dentro de uma névoa fosforescente. Era em vão que seus augustos olhos se abriam desmedidamente; não havia contornos, formas, onde eles pousassem. Consultou o relógio. Estava parado? Não; mas marcava a mesma hora e o mesmo minuto da saída da festa. Perguntou ao cocheiro: “Aonde vamos?” Quis arriar as vidraças. Não pôde; queimavam. Redobrou os esforços, conseguindo arriar as da frente. Gritou ao cocheiro: “Aonde vamos? Miserável, aonde me levas?” Apesar de ter o carro algumas vidraças arriadas, no seu interior fazia um calor de forja. Quando lhe veio esta imagem, apalpou bem, no peito, as grã-cruzes² magníficas. Graças a Deus, ainda não se haviam derretido. Gritou ainda uma vez ao cocheiro: “Para, para, senão me pagarás caro!”

 

Não era o mesmo cocheiro. Aquele homem de nariz adunco, queixo longo com uma barbicha, não era, de fato, o seu fiel Manuel. O calor aumentava. Pelos cantos o carro chispava. Não podendo suportar o calor, despiu-se. Saltaria do carro, se pudesse. Sufocado, estonteado, parecia-lhe que continuava com vida, mas que suas pernas e seus braços, seu tronco e sua cabeça dançavam, separados. Desmaiou; e, ao recuperar os sentidos, viu-se vestido com uma reles libre³ e uma grotesca cartola, cochilando à porta do palácio em que estivera ainda há pouco e de onde saíra triunfalmente, não havia minutos. Nas proximidades um coupé estacionava. Quis verificar bem as coisas circunstantes; mas não houve tempo. Pelas escadas de mármore, gravemente, solenemente, um homem (pareceu-lhe isso) descia os degraus envolvido no fardão que despira, tendo no peito as mesmas magníficas grã-cruzes. Logo que o personagem pisou na soleira, de um só ímpeto aproximou-se e, abjetamente, como se até ali não tivesse feito outra coisa, indagou: “Vossa Excelência quer o carro?”

 

BARRETO, Lima. Histórias e sonhos. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2008, p. 33-36.

Confere caráter hipotético ao enunciado o verbo sublinhado em:
  1. AO olhar brilhante e cheio de admiração do líder da oposição foi o mais seguro penhor do efeito da frase.
  2. Bele seria capaz de fazer o país chegar aos destinos que os antecedentes dele impunham.
  3. CAs palmas estrugiram; e, dentro do grande salão iluminado, pareceu-lhe que recebia as palmas da Terra toda.
  4. DAquele homem de nariz adunco, queixo longo com uma barbicha, não era, de fato, o seu fiel Manuel.
  5. EPelas escadas de mármore, gravemente, solenemente, um homem (pareceu-lhe isso) descia os degraus.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — ele seria capaz de fazer o país chegar aos destinos que os antecedentes dele impunham.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Valor hipotético do futuro do pretérito: a hipótese mora no modo, não no tempo

Gabarito: letra B. O verbo seria (futuro do pretérito do indicativo) é o único que confere caráter hipotético ao enunciado, pois expressa uma possibilidade, uma suposição — não um fato consumado. Como se lê no 1º parágrafo: "mais alto levá-lo-iam, visto que só e unicamente ele seria capaz de fazer o país chegar aos destinos que os antecedentes dele impunham". O futuro do pretérito, por natureza, indica um fato condicionado, provável, incerto — exatamente o que o enunciado chama de "caráter hipotético". As demais alternativas trazem verbos no pretérito perfeito ou imperfeito do indicativo, que expressam certeza e fato realizado, não hipótese.

O comando: o que a banca pede

A questão é de gramática aplicada ao texto: não se pergunta o que o texto diz, mas o valor semântico de um tempo verbal dentro do enunciado. O verbo "sublinhado" (que aqui reconstruímos como seria, na alternativa B) deve ser identificado pelo modo e tempo em que está flexionado. A banca quer que você reconheça que o futuro do pretérito do indicativo é o tempo verbal que, por excelência, expressa hipótese, condição, possibilidade, incerteza — em oposição ao presente e aos pretéritos, que expressam fato, certeza, realidade.

O texto: onde mora a hipótese

No conto de Lima Barreto, o ministro, em seu delírio de grandeza, pensa: "mais alto levá-lo-iam, visto que só e unicamente ele seria capaz de fazer o país chegar aos destinos que os antecedentes dele impunham". O futuro do pretérito seria não descreve um fato ocorrido, mas uma projeção mental, uma suposição do personagem sobre o próprio futuro. É a voz da vaidade e do orgulho — o ministro imagina que é insubstituível. Essa é a pista textual que ancora a alternativa B: o verbo está no futuro do pretérito, tempo que, por definição, expressa hipótese, condição, possibilidade.

A técnica: como reconhecer o valor hipotético

O modo indicativo expressa certeza, fato, realidade — é o modo da constatação. Dentro dele, porém, o futuro do pretérito (seria, faria, levaria) tem um valor especial: indica um fato condicionado a uma hipótese, algo que poderia acontecer, mas que não se afirma como real. Compare:

  • Pretérito perfeito ("foi", "estrugiram"): fato concluído, certo.

  • Pretérito imperfeito ("recebia", "descia"): fato habitual ou em curso no passado, também certo.

  • Futuro do pretérito ("seria"): hipótese, possibilidade, condição — não é fato, é suposição.

A banca adora explorar a confusão entre o futuro do pretérito e o pretérito imperfeito, porque ambos terminam em -ia (seria, recebia, descia). Mas o valor é oposto: um é hipotético, o outro é factual. A dica é perguntar: "o verbo descreve algo que aconteceu ou algo que poderia acontecer?" Se for a segunda opção, é futuro do pretérito com valor hipotético.

1Futuro do pretérito (seria)
Hipótese, condição, possibilidade
Suposição, projeção mental
2Pretérito perfeito (foi)
Fato concluído, certeza
3Pretérito imperfeito (recebia, descia)
Fato habitual ou em curso
Certeza, constatação
Valor hipotético do verbo
LEVELsoulevel.com.br
Valor hipotético do verbo: Futuro do pretérito (seria) (Hipótese, condição, possibilidade, Suposição, projeção mental); Pretérito perfeito (foi) (Fato concluído, certeza); Pretérito imperfeito (recebia, descia) (Fato habitual ou em curso, Certeza, constatação)

Alternativa A — ❌ Incorreta

"O olhar brilhante e cheio de admiração do líder da oposição foi o mais seguro penhor do efeito da frase."

O verbo foi está no pretérito perfeito do indicativo, que expressa fato concluído, certeza. O texto afirma que o olhar do líder foi o penhor — algo realizado, não hipotético. Erro: contradiz o valor de hipótese — o pretérito perfeito é o tempo da facticidade.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"mais alto levá-lo-iam, visto que só e unicamente ele seria capaz de fazer o país chegar aos destinos que os antecedentes dele impunham."

O verbo seria está no futuro do pretérito do indicativo, tempo que expressa hipótese, condição, possibilidade. O ministro supõe que seria capaz — não afirma como fato. É a única alternativa em que o verbo confere caráter hipotético ao enunciado. Correta: o futuro do pretérito é o tempo da hipótese por excelência.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"As palmas estrugiram; e, dentro do grande salão iluminado, pareceu-lhe que recebia as palmas da Terra toda."

O verbo recebia está no pretérito imperfeito do indicativo, que expressa fato habitual ou em curso no passado — algo que acontecia, não uma hipótese. O personagem efetivamente recebia as palmas (em sua imaginação, mas como fato narrado). Erro: o pretérito imperfeito é factual, não hipotético — a banca tenta confundir com a desinência -ia.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"Aquele homem de nariz adunco, queixo longo com uma barbicha, não era, de fato, o seu fiel Manuel."

O verbo era está no pretérito imperfeito do indicativo, expressando fato certo, constatação — o texto afirma que aquele homem não era o Manuel. Não há hipótese, há negação de um fato. Erro: o pretérito imperfeito é factual, não hipotético — a negação não transforma o valor do tempo.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"Pelas escadas de mármore, gravemente, solenemente, um homem (pareceu-lhe isso) descia os degraus."

O verbo descia está no pretérito imperfeito do indicativo, descrevendo uma ação em curso no passado — o homem descia os degraus, fato narrado. Não há hipótese, há descrição de cena. Erro: o pretérito imperfeito é factual, não hipotético — a banca repete a armadilha da desinência -ia.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a desinência -ia comum ao futuro do pretérito (seria) e ao pretérito imperfeito (recebia, descia). A diferença está no valor: o primeiro é hipotético, o segundo é factual. Não se deixe enganar pela forma — pergunte sempre: "o verbo descreve algo que aconteceu ou algo que poderia acontecer?"

PEGA ESSA DICA!

Para identificar o valor hipotético, procure verbos que expressem condição, possibilidade, suposição — o futuro do pretérito (seria, faria, levaria) é o campeão. Já o pretérito imperfeito (recebia, descia) descreve fatos habituais ou em curso, sempre com valor de certeza.

Conclusão: a única alternativa em que o verbo confere caráter hipotético ao enunciado é a letra B, com o futuro do pretérito seria. As demais usam pretéritos (perfeito ou imperfeito) do indicativo, que expressam fato e certeza. Gabarito: letra B.

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