Questão de Português — Sinônimos e Antônimos — FCC 2026
Português›Sinônimos e Antônimos
Código
fc140772
Banca
FCC
Órgão
ALERR
Ano
2026
Cargo
Tec Leg Esp ( )
Atenção: Considere o poema “O desfecho”, de Machado de Assis, para responder à questão.
Prometeu1 sacudiu os braços manietados2
E súplice pediu a eterna compaixão.
Ao ver o desfilar dos séculos que vão
Pausadamente, como um dobre de finados.
Mais dez, mais cem, mais mil e mais um bilhão,
Uns cingidos de luz, outros ensanguentados...
Súbito, sacudindo as asas de tufão,
Fita-lhe a águia os olhos espantados.
Pela primeira vez a víscera do herói,
Que a imensa ave do céu perpetuamente rói,
Deixou de renascer às raivas que a consomem.
Uma invisível mão as cadeias dilui;
Frio, inerte, ao abismo um corpo morto rui;
Acabara o suplício e acabara o homem.
(Adaptado de: MACHADO de Assis. Poesias completas. São Paulo: Todavia, 2024)
No contexto do poema, o termo que qualifica o substantivo na expressão eterna compaixão (1ª estrofe) tem sentido oposto àquele que qualifica o substantivo em:
Aolhos espantados (2ª estrofe).
Bcorpo morto (4ª estrofe).
Cprimeira vez (3ª estrofe).
Dimensa ave (3ª estrofe).
Einvisível mão (4ª estrofe).
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GabaritoB — corpo morto (4ª estrofe).
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Antonímia contextual: o sentido de "eterna" no poema
Gabarito: letra B. No contexto do poema, o adjetivo eterna (em "eterna compaixão") significa "que não tem fim, que dura para sempre". Seu antônimo direto é morto (em "corpo morto"), pois "morto" é exatamente o que teve fim, deixou de existir. A oposição está ancorada no desfecho do poema: o suplício de Prometeu, que era eterno, acabou — "Acabara o suplício e acabara o homem". Portanto, a alternativa B é a única em que o adjetivo qualificador estabelece relação de oposição com "eterna".
O comando: o que a banca pede
A questão pede que você identifique, entre as expressões destacadas, aquela cujo adjetivo qualificador tem sentido oposto ao adjetivo "eterna" na expressão "eterna compaixão". Isso é uma questão de antonímia contextual: não se trata de buscar o antônimo dicionarizado de "eterna" (que seria "finita", "passageira", "temporária"), mas de analisar o sentido que o adjetivo assume no poema e compará-lo com o sentido dos adjetivos das outras expressões.
O texto: o desfecho do suplício eterno
O poema narra o mito de Prometeu, acorrentado e tendo o fígado devorado eternamente pela águia. A "eterna compaixão" é a súplica de Prometeu por piedade que nunca termina. No desfecho, porém, algo inesperado acontece: a águia, pela primeira vez, deixa de devorar a víscera, as cadeias se dissolvem e o corpo cai morto. O verso final — "Acabara o suplício e acabara o homem" — marca o fim do que era eterno. É exatamente essa oposição entre o eterno (que não acaba) e o morto (que acabou) que a banca explora.
A técnica: antonímia não é só dicionário
Antônimos são palavras de sentido oposto, mas em provas de interpretação o que importa é o sentido no contexto. O adjetivo "eterna" aqui não é apenas "que dura muito"; é "que não tem fim". O antônimo perfeito no poema é "morto", pois o corpo morto é o que deixou de viver, de existir. Veja a oposição:
Expressão
Sentido no poema
Oposição a "eterna"?
eterna compaixão
que não tem fim
—
corpo morto
que teve fim, inerte
Sim
olhos espantados
surpresos, arregalados
Não
primeira vez
inaugural
Não
imensa ave
enorme
Não
invisível mão
que não se vê
Não
Análise das alternativas
Alternativa A — ❌ Incorreta
olhos espantados (2ª estrofe). O adjetivo "espantados" significa "surpresos, assustados". Não há oposição com "eterna". A banca tenta confundir com a ideia de "espanto" diante do fim, mas o sentido é de reação, não de duração. Erro: troca de conceito — compara adjetivos de naturezas diferentes.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
corpo morto (4ª estrofe). O adjetivo "morto" é o oposto de "eterno" no contexto: o que é eterno não acaba; o que é morto acabou. O poema confirma: "Acabara o suplício e acabara o homem". A oposição é direta e ancorada no texto.
Alternativa C — ❌ Incorreta
primeira vez (3ª estrofe). "Primeira" indica ordem, algo que ocorre pela primeira vez. Não há relação de oposição com "eterna". A banca pode tentar associar "primeira" a "única", mas não é antônimo. Erro: troca de conceito — confunde ordem com duração.
Alternativa D — ❌ Incorreta
imensa ave (3ª estrofe). "Imensa" significa "enorme, gigantesca". Não se opõe a "eterna". A banca pode tentar associar "imensa" a "infinita", mas são sentidos diferentes: tamanho vs. duração. Erro: troca de conceito — confunde grandeza com eternidade.
Alternativa E — ❌ Incorreta
invisível mão (4ª estrofe). "Invisível" significa "que não pode ser vista". Não há oposição com "eterna". A banca pode tentar associar "invisível" a "não existente", mas o sentido é de imperceptibilidade, não de fim. Erro: troca de conceito — confunde ausência de visão com ausência de fim.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a antonímia contextual: o antônimo de "eterna" não é um sinônimo dicionarizado, mas o adjetivo que, no contexto do poema, expressa o fim do que era eterno. Fique atento ao sentido que a palavra assume no texto.
PEGA ESSA DICA!
Em questões de antonímia, pergunte-se: "qual adjetivo, no contexto, expressa o oposto exato do sentido da palavra destacada?" Não busque apenas o antônimo de dicionário.
Conclusão: a única alternativa em que o adjetivo tem sentido oposto a "eterna" é corpo morto (B), pois o morto é o que teve fim, enquanto o eterno é o que não acaba. As demais alternativas apresentam adjetivos de outras naturezas (reação, ordem, tamanho, visibilidade) que não se opõem à duração infinita.