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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — FCC 2026

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
fc140778
Banca
FCC
Órgão
ALERR
Ano
2026
Cargo
Tec Leg Esp ( )

Atenção: Considere o trecho de um sermão de Antônio Vieira para responder à questão.

 

Desçamos a exemplos mais públicos. Por uma omissão perde-se uma maré, por uma maré perde-se uma viagem, por uma viagem perde-se uma armada, por uma armada perde-se um Estado: dai conta a Deus de uma Índia, dai conta a Deus de um Brasil, por uma omissão. Por uma omissão perde-se um aviso, por um aviso perde-se uma ocasião, por uma ocasião perde-se um negócio, por um negócio perde-se um reino: dai conta a Deus de tantas casas, dai conta a Deus de tantas vidas, dai conta a Deus de tantas fazendas, dai conta a Deus de tantas honras, por uma omissão. Oh que arriscada salvação! Oh que arriscado ofício é o dos príncipes e o dos ministros! Está o príncipe, está o ministro divertido, sem fazer má obra, sem dizer má palavra, sem ter mau nem bom pensamento: e talvez naquela mesma hora, por culpa de uma omissão, está cometendo maiores danos, maiores estragos, maiores destruições, que todos os malfeitores do mundo em muitos anos. O salteador na charneca com um tiro mata um homem; o príncipe e o ministro com uma omissão matam de um golpe uma monarquia.

 

A omissão é um pecado que se faz não fazendo. Mas por que se perdem tantos? Os menos maus perdem-se pelo que fazem, que estes são os menos maus; os piores, pelo que deixam de fazer, que estes são os piores: por omissões, por descuidos, por desatenções, por divertimentos, por vagares, por dilações, por eternidades. O ministro que não faz grande escrúpulo de momentos não anda em bom estado: a fazenda pode-se restituir; a fama, ainda que mal, também se restitui; o tempo não tem restituição alguma.

 

(Adaptado de: VIEIRA Antônio. Essencial Antônio Vieira. Organizado por Alfredo Bosi. São Paulo: Companhia das Letras, 2011, p. 386-389)

Infere-se do sermão de Antônio Vieira um elogio, sobretudo, à
  1. Adistração.
  2. Bação.
  3. Cpaciência.
  4. Dmoderação.
  5. Eintrospecção.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — ação.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Inferência no sermão de Vieira: o elogio à ação

Gabarito: letra B. O sermão de Antônio Vieira, ao condenar a omissão como causa de grandes males, infere-se que o autor elogia a ação — a alternativa B é a única que capta a tese implícita. A passagem decisiva é a que define a omissão como "um pecado que se faz não fazendo" e a que contrapõe os que se perdem "pelo que fazem" aos que se perdem "pelo que deixam de fazer".

O comando pede uma inferência ("Infere-se"), não uma informação literal. Isso significa que a resposta não está escrita palavra por palavra, mas é uma dedução ancorada em pistas do texto. A pista central é a oposição que estrutura todo o sermão: de um lado, a omissão (não fazer); de outro, implicitamente, a ação (fazer). Vieira não diz "elogio a ação" em nenhuma linha, mas todo o argumento só faz sentido se o leitor perceber que o contrário da omissão — a ação — é o valor defendido.

O texto desenvolve essa oposição em três movimentos. Primeiro, mostra as consequências catastróficas da omissão: "Por uma omissão perde-se uma maré, por uma maré perde-se uma viagem, por uma viagem perde-se uma armada, por uma armada perde-se um Estado". Depois, define o pecado: "A omissão é um pecado que se faz não fazendo". Por fim, hierarquiza os culpados: "os piores, pelo que deixam de fazer". Em nenhum momento o autor elogia distração, paciência, moderação ou introspecção — essas qualidades simplesmente não são tematizadas. A única virtude que emerge por oposição é a ação: fazer, agir, não se omitir.

A técnica para resolver é testar cada alternativa com a pergunta: o texto autoriza esta inferência, ou ela exige acrescentar algo de fora? A alternativa correta é a que se sustenta em uma pista textual (a crítica à omissão implica o valor da ação). As demais ou contradizem o texto (distração), ou introduzem temas ausentes (paciência, moderação, introspecção).

Inferência no sermão de Vieira
  • 1Oposição estrutural
    • Omissão (condenada)
      • "pecado que se faz não fazendo"
      • "os piores, pelo que deixam de fazer"
    • Ação (elogiada)
      • contrário da omissão
      • valor implícito
  • 2Distratoras (não tematizadas)
    • Distração (contradiz o texto)
    • Paciência (ausente)
    • Moderação (ausente)
    • Introspecção (ausente)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A distração é explicitamente condenada no texto, não elogiada. Vieira lista "descuidos, desatenções, divertimentos" como formas de omissão que levam à perdição: "os piores, pelo que deixam de fazer, que estes são os piores: por omissões, por descuidos, por desatenções, por divertimentos". A alternativa contradiz o texto ao transformar um vício em virtude.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A ação é o valor implícito que sustenta toda a argumentação. O texto condena a omissão — "A omissão é um pecado que se faz não fazendo" — e, ao fazê-lo, infere-se que o autor valoriza o fazer, o agir. A oposição entre "os menos maus perdem-se pelo que fazem" e "os piores, pelo que deixam de fazer" deixa claro que o não fazer é o pior dos males; logo, o fazer (a ação) é o bem a ser buscado. É uma inferência legítima, pois se apoia na estrutura opositiva do texto.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A paciência não é mencionada em nenhum momento do sermão. O texto fala de omissão, descuido, desatenção, tempo que não se restitui — mas não há qualquer referência à virtude da paciência. A alternativa extrapola ao introduzir um tema que não está no texto, ainda que seja uma qualidade moralmente positiva no mundo real.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A moderação também é um tema ausente do texto. Vieira não discute excessos ou falta de medida; sua preocupação é exclusivamente com o pecado da omissão e suas consequências. A alternativa tangencia o tema ao sugerir uma virtude que não é abordada, desviando-se do eixo central (ação × omissão).

Alternativa E — ❌ Incorreta

A introspecção (voltar-se para dentro, refletir) não é defendida no sermão. O texto critica o "divertido" (distraído) que não age, mas não propõe a introspecção como remédio — propõe, implicitamente, a ação. A alternativa extrapola ao acrescentar uma qualidade que não está nas entrelinhas do texto.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a inferência a partir da oposição central. As distratoras oferecem qualidades moralmente positivas (paciência, moderação, introspecção) que não são tematizadas no sermão — o candidato que não percebe a oposição ação × omissão pode ser seduzido por elas.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de inferência, procure a oposição estrutural do texto. Se o autor condena X, ele implicitamente elogia o contrário de X. Aqui, condena a omissão → elogia a ação.

Gabarito: letra B.

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