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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — FCC 2026

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
fc140783
Banca
FCC
Órgão
ALERR
Ano
2026
Cargo
Tec Leg ( )

Atenção: Leia o texto a seguir para responder à questão.

 

Os dados essenciais

 

Etelberto matriculou-se na Faculdade de Comunicação. Lá aprendeu que toda matéria jornalística bem redigida há de responder às seguintes perguntas: Quem? O quê? Quando? Onde? Por quê? Como?

 

Impressionou-se de tal modo com a objetividade e o alcance da fórmula, que daí por diante, a qualquer propósito e mesmo sem propósito algum, se surpreendia indagando a si mesmo quem, o quê, quando, onde, por que e como.

 

Matutando horas seguidas, concluiu que não só a notícia, mas toda a vida terrestre deve ser considerada à luz dos seis dados, e esses dados são os da aventura humana. A filosofia não pretende outra coisa senão achar o porquê do quê, e esta chave continua insabida. O como tarda a ser esclarecido totalmente, pairam dúvidas sobre o quando, e muitas vezes torna-se impossível apurar quem é quem. Estamos sempre interrogando a Deus, aos laboratórios, ao vento.

 

Etelberto passou a ver o mundo como notícia mal redigida, que o editor não teve tempo de reformular, ou não quis ou não soube. Desistiu de diplomar-se em Comunicação. Hoje mantém uma criação de trutas, que lhe rende bom dinheiro. É fornecedor exclusivo de restaurantes de cinco estrelas.

 

(Adaptado de: ANDRADE, Carlos Drummond de. Contos plausíveis. Rio de Janeiro: Record, 2025, ed. eletrônica)

Infere-se do conto que o personagem Etelberto passou a ver o mundo como algo
  1. Ainerte.
  2. Bindulgente.
  3. Cinsuspeito.
  4. Dindissolúvel.
  5. Einescrutável.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — inescrutável.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

O mundo como notícia mal redigida: o sentido de "inescrutável"

Gabarito: letra E. Infere-se do conto que Etelberto passou a ver o mundo como algo inescrutável — isto é, impossível de ser compreendido ou decifrado. A pista decisiva está no 3º parágrafo, quando o narrador afirma que "a filosofia não pretende outra coisa senão achar o porquê do quê, e esta chave continua insabida" e que "o como tarda a ser esclarecido totalmente, pairam dúvidas sobre o quando, e muitas vezes torna-se impossível apurar quem é quem". O mundo, para Etelberto, é um enigma que resiste às seis perguntas do jornalismo — exatamente o sentido de "inescrutável".

O comando pede uma inferência ("Infere-se do conto"), não uma informação literal. Isso significa que a resposta não está escrita palavra por palavra, mas deve ser deduzida a partir de pistas do texto. A banca não pergunta o que o texto diz explicitamente, e sim o que se pode concluir da visão de mundo que o personagem desenvolve. Para acertar, é preciso captar o movimento argumentativo do conto: Etelberto aprende a fórmula jornalística (Quem? O quê? Quando? Onde? Por quê? Como?), aplica-a obsessivamente a tudo, e descobre que a vida não se deixa reduzir a essas respostas — há sempre um resto que escapa, um mistério que permanece.

O texto é uma pequena narrativa com tom irônico e filosófico. O ponto central está no 3º parágrafo, onde o narrador generaliza a reflexão de Etelberto: a vida inteira deveria ser considerada à luz dos seis dados, mas esses dados "são os da aventura humana" e permanecem em grande parte sem resposta. As expressões "chave continua insabida", "o como tarda a ser esclarecido totalmente", "pairam dúvidas sobre o quando" e "torna-se impossível apurar quem é quem" constroem a ideia de que o mundo é opaco, indecifrável, resistente ao conhecimento. É exatamente isso que o adjetivo "inescrutável" significa: aquilo que não se pode esquadrinhar, sondar, compreender.

A técnica para resolver é simples: teste cada adjetivo contra as pistas do texto. Pergunte: "o texto autoriza dizer que o mundo é inerte? indulgente? insuspeito? indissolúvel? inescrutável?" A única que encontra apoio direto nas palavras do narrador é "inescrutável", porque o texto insiste na impossibilidade de se chegar às respostas definitivas. As demais ou não têm relação com o que está escrito (inerte, indulgente, insuspeito) ou contradizem a ideia de mistério (indissolúvel, que sugere algo coeso e permanente, não algo enigmático).

"A filosofia não pretende outra coisa senão achar o porquê do quê, e esta chave continua insabida. O como tarda a ser esclarecido totalmente, pairam dúvidas sobre o quando, e muitas vezes torna-se impossível apurar quem é quem."

Esse trecho é a âncora da resposta. Repare nos verbos e expressões: "continua insabida" (não se sabe), "tarda a ser esclarecido" (demora a se esclarecer), "pairam dúvidas" (há dúvidas), "torna-se impossível apurar" (não se consegue descobrir). Tudo isso aponta para a incompreensibilidade do mundo — o que é sinônimo de "inescrutável". O conto termina com Etelberto desistindo da faculdade e criando trutas, o que reforça a ironia: ele abandona a tentativa de "redigir" o mundo como notícia e se refugia em uma atividade simples e lucrativa.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Inerte significa "sem movimento, parado, inativo". O texto não diz que o mundo é estático; pelo contrário, ele é cheio de perguntas sem resposta, de mistérios que se movem. A ideia de "aventura humana" sugere dinamismo, não inércia. A alternativa extrapola — inventa uma característica que não está no texto.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Indulgente significa "que perdoa, tolerante, complacente". Não há nenhuma pista no texto sobre o mundo ser indulgente ou perdoar algo. Essa alternativa tangencia o tema — fala de uma qualidade moral que não é abordada em nenhum momento. É uma tentativa de confundir com um adjetivo que "soa bem" no contexto, mas não tem base textual.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Insuspeito significa "que não é suspeito, que não desperta desconfiança". O texto não trata de suspeita ou confiança. O mundo, para Etelberto, é um enigma, não algo "acima de suspeita". A alternativa extrapola — introduz uma noção (suspeição) que não existe no conto.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Indissolúvel significa "que não se pode dissolver, que é permanente, inquebrantável". Embora o mundo possa parecer "difícil de desvendar", o adjetivo "indissolúvel" aponta para uma coesão ou permanência que o texto não afirma. O texto fala de mistério e incompreensão, não de solidez ou indestrutibilidade. A alternativa troca o conceito — confunde "difícil de entender" com "impossível de desfazer".

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Inescrutável significa "que não se pode esquadrinhar, sondar, compreender; impenetrável ao conhecimento". É exatamente o que o texto sugere: o mundo resiste às seis perguntas jornalísticas, e as respostas permanecem "insabidas". A passagem citada acima prova que Etelberto vê o mundo como algo que não se deixa decifrar — um enigma. A alternativa é uma paráfrase inferencial fiel ao texto: não repete as palavras, mas capta o sentido essencial.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de inferência, desconfie de adjetivos que parecem "bonitos" ou "filosóficos" mas não têm apoio no texto. Teste cada um perguntando: "qual passagem autoriza isso?" Se não houver, é extrapolação.

Gabarito: letra E — o mundo, para Etelberto, é inescrutável: um enigma que as seis perguntas do jornalismo não conseguem desvendar.

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