Atenção: Leia o texto a seguir para responder à questão.
Os dados essenciais
Etelberto matriculou-se na Faculdade de Comunicação. Lá aprendeu que toda matéria jornalística bem redigida há de responder às seguintes perguntas: Quem? O quê? Quando? Onde? Por quê? Como?
Impressionou-se de tal modo com a objetividade e o alcance da fórmula, que daí por diante, a qualquer propósito e mesmo sem propósito algum, se surpreendia indagando a si mesmo quem, o quê, quando, onde, por que e como.
Matutando horas seguidas, concluiu que não só a notícia, mas toda a vida terrestre deve ser considerada à luz dos seis dados, e esses dados são os da aventura humana. A filosofia não pretende outra coisa senão achar o porquê do quê, e esta chave continua insabida. O como tarda a ser esclarecido totalmente, pairam dúvidas sobre o quando, e muitas vezes torna-se impossível apurar quem é quem. Estamos sempre interrogando a Deus, aos laboratórios, ao vento.
Etelberto passou a ver o mundo como notícia mal redigida, que o editor não teve tempo de reformular, ou não quis ou não soube. Desistiu de diplomar-se em Comunicação. Hoje mantém uma criação de trutas, que lhe rende bom dinheiro. É fornecedor exclusivo de restaurantes de cinco estrelas.
(Adaptado de: ANDRADE, Carlos Drummond de. Contos plausíveis. Rio de Janeiro: Record, 2025, ed. eletrônica)
esses dados são os da aventura humana. (3º parágrafo)
No contexto em que se encontra, o segmento sublinhado na frase acima exerce a mesma função sintática do também sublinhado em:
Ahá de responder às seguintes perguntas.
Bpairam dúvidas sobre o quando.
Cque lhe rende bom dinheiro.
DHoje mantém uma criação de trutas.
Emuitas vezes torna-se impossível apurar quem é quem.
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GabaritoE — muitas vezes torna-se impossível apurar quem é quem.
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Função sintática de oração subordinada substantiva subjetiva
Gabarito: letra E. O segmento "esses dados são os da aventura humana" exerce função de sujeito do verbo "são" na oração em que se insere, e a alternativa que apresenta a mesma função sintática é a letra E, pois "apurar quem é quem" é sujeito do verbo "torna-se" (na voz reflexiva, "torna-se impossível apurar quem é quem" = "apurar quem é quem torna-se impossível"). A pista decisiva é reconhecer que, em ambas, a oração sublinhada funciona como sujeito do verbo da oração principal, como se lê no 3º parágrafo do texto.
A questão cobra análise sintática de orações subordinadas substantivas, especificamente a função de sujeito. O comando pede que se identifique, entre as alternativas, aquela em que o trecho sublinhado exerce a mesma função sintática do segmento destacado no texto-base. Isso exige classificar a oração "esses dados são os da aventura humana" e, depois, testar cada alternativa, verificando se a oração sublinhada também é sujeito.
No trecho original, a oração "esses dados são os da aventura humana" é sujeito do verbo "são" (verbo de ligação) da oração principal "esses dados são os da aventura humana". Na verdade, a oração inteira "esses dados são os da aventura humana" é o sujeito da oração anterior: "concluiu que não só a notícia, mas toda a vida terrestre deve ser considerada à luz dos seis dados, e esses dados são os da aventura humana". O sujeito de "são" é "esses dados", e o predicativo é "os da aventura humana". A oração sublinhada, portanto, é uma oração subordinada substantiva subjetiva, pois funciona como sujeito do verbo da oração principal.
A técnica para resolver é: isolar a oração sublinhada e perguntar qual função ela exerce na estrutura em que aparece. Se a oração puder ser substituída por "isso" e fizer papel de sujeito, é subjetiva. Aplicando isso às alternativas, apenas a letra E apresenta oração subjetiva: "torna-se impossível apurar quem é quem" — o sujeito de "torna-se" é a oração "apurar quem é quem". As demais alternativas apresentam orações com outras funções: objeto direto, adjunto adverbial, oração adjetiva restritiva e objeto direto, respectivamente.
Oração subordinada substantiva subjetiva
1Função: sujeito do verbo da principal
2Teste: substituir por "isso"
"torna-se impossível isso" (cabe)
"há de responder isso" (não cabe)
3Exemplo (gabarito)
"apurar quem é quem" = sujeito de "torna-se"
4Confusão comum
Oração adjetiva
"que" é sujeito, mas a oração é adjunto adnominal
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Alternativa A — ❌ Incorreta
O trecho "há de responder às seguintes perguntas" é uma locução verbal (há de responder) com objeto indireto "às seguintes perguntas". Não há oração subordinada substantiva subjetiva; o verbo "responder" é transitivo indireto e "às seguintes perguntas" é objeto indireto. Erro: troca de função sintática — não é sujeito.
Alternativa B — ❌ Incorreta
"pairam dúvidas sobre o quando" — o sujeito de "pairam" é "dúvidas", e "sobre o quando" é adjunto adverbial (ou complemento nominal, dependendo da análise). Não há oração subordinada substantiva subjetiva. Erro: troca de função sintática — não é sujeito.
Alternativa C — ❌ Incorreta
"que lhe rende bom dinheiro" é uma oração subordinada adjetiva restritiva, introduzida pelo pronome relativo "que", que retoma "criação de trutas". A função do "que" é de sujeito dentro da oração adjetiva, mas a oração como um todo é adjunto adnominal (restritiva), não sujeito da oração principal. Erro: troca de função sintática — é oração adjetiva, não substantiva subjetiva.
Alternativa D — ❌ Incorreta
"Hoje mantém uma criação de trutas" — o sujeito é desinencial (ele), e "uma criação de trutas" é objeto direto do verbo transitivo direto "mantém". Não há oração subordinada substantiva subjetiva. Erro: troca de função sintática — é objeto direto.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"muitas vezes torna-se impossível apurar quem é quem" — a oração "apurar quem é quem" é o sujeito do verbo "torna-se" (verbo de ligação na voz reflexiva, com predicativo "impossível"). A estrutura equivale a "apurar quem é quem torna-se impossível". Assim como no texto-base, a oração sublinhada exerce função de sujeito da oração principal. Correta — é a única que apresenta oração subordinada substantiva subjetiva.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre oração subjetiva e outros tipos de oração subordinada. A letra C é a mais traiçoeira, pois o pronome relativo "que" exerce função de sujeito dentro da oração adjetiva, mas a oração como um todo não é sujeito da principal. A letra E é a única em que a oração inteira é sujeito.
PEGA ESSA DICA!
Para identificar oração subjetiva, substitua a oração por "isso": se a frase continuar fazendo sentido com "isso" como sujeito, é subjetiva. Ex.: "torna-se impossível isso" ✓; "há de responder isso" ✗.
Gabarito: letra E — a oração "apurar quem é quem" é sujeito de "torna-se", mesma função de "esses dados são os da aventura humana" no texto-base.