Questão de Segurança da Informação — Zero Trust (Modelo de Confiança Zero) — FCC 2026
Segurança da Informação›Zero Trust (Modelo de Confiança Zero)
Código
fc141924
Banca
FCC
Órgão
ARTESP
Ano
2026
Cargo
Esp RT ( )
Uma companhia municipal de transporte adotou um modelo de bilhetagem eletrônica baseado em SaaS, acessado por validadores nos ônibus, totens em estações e aplicativo móvel do passageiro.
A diretoria de segurança quer avançar na jornada de Zero Trust, com dois objetivos imediatos:
I. descobrir e controlar o uso de serviços em nuvem não autorizados por equipes operacionais, reduzindo o risco de vazamento de dados de passageiros.
II. centralizar e correlacionar eventos de segurança oriundos de identidade, rede, endpoints e aplicações em nuvem para apoiar detecção e resposta a incidentes.
Nesse cenário, a combinação de tecnologias e uso recomendado que atende de forma mais aderente a esses objetivos é:
AImplantar um CASB operando em modo API conectado aos poucos serviços SaaS oficialmente homologados, utilizando-o para gerar relatórios mensais de conformidade, evitando assim o custo da integração com SIEM e inspeção de tráfego em tempo real.
BExpandir o SIEM existente com foco na coleta de logs de firewalls perimetrais e controladores de domínio on-premises, mantendo o acesso direto dos usuários aos serviços SaaS, sem CASB, mas aumentando a retenção de logs para auditoria.
CPosicionar uma plataforma SOAR diretamente no caminho do tráfego entre usuários e nuvem, de forma a inspecionar sessões TLS e bloquear uploads suspeitos em tempo real, utilizando o SIEM focado em armazenar logs históricos.
DImplantar um CASB em modo inline e por API para descobrir e controlar o uso de aplicativos em nuvem, aplicar políticas de DLP e acesso às aplicações SaaS de bilhetagem e colaboração, e integrar todos os logs e alertas do CASB, do IdP, de firewalls e de endpoints em um SIEM corporativo, que fará correlação centralizada de eventos.
EUtilizar túneis VPN entre os ônibus e garagens e o data center, concentrando o tráfego em um firewall de perímetro de próxima geração que fará inspeção profunda, evitando assim o custo da aquisição de CASB ou SIEM, com regras detalhadas de portas, endereços IP e retenção prolongada de logs.
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GabaritoD — Implantar um CASB em modo inline e por API para descobrir e controlar o uso de aplicativos em nuvem, aplicar políticas de DLP e acesso às aplicações SaaS de bilhetagem e colaboração, e integrar todos os logs e alertas do CASB, do IdP, de firewalls e de endpoints em um SIEM corporativo, que fará correlação centralizada de eventos.
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Zero Trust e a combinação CASB + SIEM para segurança em nuvem
Gabarito: letra D. O cenário exige, para o objetivo I, uma ferramenta que descubra e controle o uso de serviços em nuvem não autorizados (função típica de um CASB — Cloud Access Security Broker) e, para o objetivo II, uma plataforma que centralize e correlacione eventos de múltiplas fontes (função típica de um SIEM). A alternativa D é a única que combina corretamente essas duas tecnologias, operando o CASB em modo inline e por API, aplicando políticas de DLP e integrando todos os logs ao SIEM para correlação centralizada.
O Zero Trust (ou Confiança Zero) é um modelo de segurança baseado no princípio de "nunca confiar, sempre verificar". Ele parte da premissa de que a rede interna não é confiável por padrão, exigindo verificação contínua de identidade, dispositivo e contexto para conceder acesso a qualquer recurso. No contexto de nuvem, isso se traduz em controles como identidade forte, acesso mínimo, microssegmentação e monitoramento contínuo. O modelo não é uma ferramenta única, mas uma arquitetura que combina várias tecnologias.
O CASB é um intermediário entre usuários e serviços de nuvem, garantindo políticas de segurança e conformidade. Ele pode operar em dois modos principais: inline (no caminho do tráfego, inspecionando sessões em tempo real) e por API (conectando-se diretamente às APIs dos serviços de nuvem para monitorar e controlar atividades, mesmo fora da rede corporativa). Suas funções incluem controle de acesso, proteção de dados (DLP), monitoramento de atividades e integração com IAM e SIEM. Para o objetivo I (descobrir e controlar serviços não autorizados), o CASB é a ferramenta ideal, pois pode identificar o uso de aplicações em nuvem "shadow IT" e aplicar políticas de bloqueio ou controle.
O SIEM (Security Information and Event Management) é uma plataforma que coleta, normaliza, correlaciona e analisa logs e eventos de segurança de múltiplas fontes (firewalls, IDS/IPS, servidores, aplicações, etc.). Ele centraliza as informações, permitindo a detecção de padrões suspeitos, geração de alertas e apoio à resposta a incidentes. Para o objetivo II (centralizar e correlacionar eventos), o SIEM é a ferramenta central, atuando como a base operacional de um SOC (Security Operations Center).
A combinação CASB + SIEM é uma prática recomendada em arquiteturas Zero Trust para nuvem: o CASB fornece visibilidade e controle sobre o uso de serviços em nuvem, enquanto o SIEM agrega e correlaciona esses eventos com os demais (identidade, rede, endpoints) para uma visão unificada de segurança. A alternativa D descreve exatamente essa integração, sendo a mais aderente aos objetivos propostos.
A pegadinha da questão está em confundir as funções de CASB, SIEM, SOAR e VPN. O candidato pode ser tentado a escolher uma alternativa que usa apenas uma das tecnologias, ou que posiciona uma ferramenta de forma incorreta (como o SOAR no caminho do tráfego, que não é sua função). A chave é identificar que o objetivo I pede descoberta e controle de serviços em nuvem (CASB) e o objetivo II pede correlação centralizada de eventos (SIEM).
Tecnologia
Função principal
Modo de operação
Aderência ao Objetivo I (descobrir/controlar serviços não autorizados)
Aderência ao Objetivo II (correlação centralizada de eventos)
CASB
Intermediário entre usuários e serviços de nuvem; controle de acesso, DLP, visibilidade
Inline (tempo real) e API (fora da rede)
Alta — descobre shadow IT e aplica políticas de bloqueio/controle
Média — gera logs e alertas, mas depende de integração com SIEM para correlação ampla
SIEM
Coleta, normaliza e correlaciona eventos de múltiplas fontes
Centralizado (logs de rede, endpoints, apps)
Baixa — não descobre serviços em nuvem por si só
Alta — é a plataforma central de correlação e alerta
SOAR
Orquestração e automação de resposta a incidentes
Integrado ao SIEM (não atua no tráfego)
Baixa — não inspeciona tráfego nem descobre serviços
Média — automatiza resposta, mas não é a fonte primária de correlação
VPN + Firewall de perímetro
Acesso remoto e inspeção de tráfego tradicional
Concentra tráfego no data center
Baixa — não oferece visibilidade granular sobre SaaS
Baixa — não centraliza eventos de múltiplas fontes de forma nativa
Zero Trust: Princípio (Nunca confiar, sempre verificar, Acesso mínimo e contínuo); Objetivo I: descobrir/controlar nuvem (CASB inline e por API, DLP e controle de acesso); Objetivo II: correlacionar eventos (SIEM centraliza logs, Fontes: CASB, IdP, firewall, endpoints)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Esta alternativa limita o CASB ao modo API e apenas para serviços homologados, gerando relatórios mensais. Isso não atende ao objetivo I de descobrir serviços não autorizados (shadow IT), pois o modo API só enxerga o que já está conectado. Além disso, evita a integração com SIEM, o que contraria o objetivo II de correlação centralizada. O erro está em restringir o alcance do CASB e não integrar com o SIEM.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Esta alternativa foca apenas no SIEM, expandindo-o para coletar logs de firewalls e controladores de domínio on-premises, mas sem CASB. Isso não atende ao objetivo I, pois sem o CASB não há como descobrir e controlar o uso de serviços em nuvem não autorizados. O SIEM sozinho não fornece a visibilidade sobre o tráfego para a nuvem que o CASB oferece. O erro está na ausência do CASB, que é essencial para o objetivo I.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Esta alternativa posiciona um SOAR (Security Orchestration, Automation and Response) no caminho do tráfego para inspecionar sessões TLS e bloquear uploads. O SOAR é uma plataforma de orquestração e automação de resposta a incidentes, não um dispositivo de inspeção de tráfego em tempo real. Essa função é típica de um CASB inline ou de um firewall de próxima geração. Além disso, o SIEM é usado apenas para armazenar logs históricos, o que não atende ao objetivo II de correlação em tempo real. O erro está na função incorreta atribuída ao SOAR.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta alternativa descreve a combinação ideal: um CASB em modo inline e por API para descobrir e controlar o uso de aplicativos em nuvem, aplicar políticas de DLP e acesso às aplicações SaaS, e integrar todos os logs e alertas (CASB, IdP, firewalls, endpoints) em um SIEM corporativo para correlação centralizada. Isso atende perfeitamente aos dois objetivos: o CASB descobre e controla serviços não autorizados (objetivo I) e o SIEM centraliza e correlaciona eventos (objetivo II). É a única alternativa que combina as duas tecnologias de forma correta e completa.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Esta alternativa propõe o uso de VPNs e um firewall de perímetro para inspecionar o tráfego, evitando a aquisição de CASB ou SIEM. Isso é uma abordagem tradicional de segurança de perímetro, que não se alinha ao modelo Zero Trust. A VPN concentra o tráfego no data center, mas não oferece a visibilidade e o controle sobre serviços em nuvem que o CASB proporciona, nem a correlação centralizada de eventos que o SIEM oferece. O erro está em usar uma abordagem de perímetro, que é contrária aos princípios do Zero Trust.