Criptografia, assinatura digital e funções hash
Gabarito: letra C. A alternativa correta descreve com precisão o papel de cada primitiva criptográfica em um sistema de processo eletrônico: a criptografia assimétrica (chave privada do signatário) é usada para gerar a assinatura digital, garantindo autoria e não repúdio, enquanto as funções de hash asseguram a integridade dos documentos. As demais alternativas distorcem conceitos fundamentais, como a finalidade da criptografia simétrica, a relação entre segurança e tipo de chave, o papel da Autoridade Certificadora e a reversibilidade das funções hash.
A segurança da informação se apoia em cinco pilares: confidencialidade, integridade, disponibilidade, autenticidade e não repúdio. Cada um desses princípios é garantido por mecanismos específicos, e a banca explora exatamente a confusão entre eles. A criptografia simétrica usa uma única chave para cifrar e decifrar, sendo rápida e eficiente para grandes volumes de dados, mas exige um canal seguro para compartilhar a chave. A criptografia assimétrica usa um par de chaves matematicamente relacionadas: o que uma cifra, apenas a outra decifra. Essa propriedade permite tanto a confidencialidade (cifrar com a chave pública do destinatário) quanto a autenticidade e o não repúdio (cifrar com a chave privada do remetente).
A assinatura digital é o mecanismo que garante autenticidade, integridade e não repúdio. O processo típico é: o emissor calcula o hash do documento, cifra esse hash com sua chave privada e anexa ao documento. O destinatário, de posse da chave pública do emissor (obtida via certificado digital), decifra o hash e o compara com o hash que ele mesmo calcula do documento recebido. Se os hashes coincidirem, a assinatura é válida, provando que o documento não foi alterado (integridade) e que foi assinado pelo titular da chave privada (autenticidade e não repúdio). É importante destacar que a assinatura digital não garante confidencialidade — o conteúdo da mensagem permanece legível para quem a interceptar.
As funções hash são algoritmos unidirecionais que transformam dados de tamanho variável em um resumo de tamanho fixo. São determinísticas (mesma entrada gera mesmo hash), possuem efeito avalanche (pequena alteração na entrada gera hash completamente diferente) e são resistentes a colisões. Por serem unidirecionais, é computacionalmente inviável reverter o hash para obter o dado original. O hash sozinho garante integridade, mas não autenticidade — para isso, ele é cifrado com a chave privada, formando a assinatura digital.
O certificado digital é um documento eletrônico emitido por uma Autoridade Certificadora (AC) que vincula uma entidade a uma chave pública. Ele contém dados do titular, a chave pública, o período de validade e a assinatura da AC. A cadeia de confiança é essencial: a validade de um certificado depende da AC que o emitiu, e a confiança na AC raiz é o ponto de partida. Sem a AC, não há como garantir que a chave pública realmente pertence a quem diz ser o titular.
A pegadinha central desta questão é a troca de papéis entre as primitivas criptográficas. A banca mistura finalidades: apresenta a criptografia simétrica como ferramenta de autenticação, inverte a relação de segurança entre simétrica e assimétrica, nega a importância da AC e afirma que hash é reversível. O critério decisivo para separar as alternativas é saber qual mecanismo garante qual princípio: assinatura digital (assimétrica) → autenticidade e não repúdio; hash → integridade; criptografia com chave pública do destinatário → confidencialidade.
Conceito | Função principal | Garante | Observação |
|---|
Criptografia simétrica | Cifrar dados em volume | Confidencialidade | Usa uma única chave; exige canal seguro para compartilhamento |
Criptografia assimétrica | Assinatura digital / cifragem com chave pública | Autenticidade, não repúdio e confidencialidade | Usa par de chaves (pública e privada) |
Função hash | Resumo unidirecional do documento | Integridade | Irreversível; não garante autenticidade nem sigilo |
Certificado digital | Vincular entidade à chave pública | Autenticidade | Emitido e assinado por Autoridade Certificadora (AC) |
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a criptografia simétrica é usada exclusivamente para autenticação de usuários, substituindo senha ou certificado digital. Isso é duplamente errado: a criptografia simétrica é usada principalmente para cifrar dados em volume (por ser rápida), e a autenticação em sistemas judiciais é feita por certificados digitais (que usam criptografia assimétrica) ou senhas — não por criptografia simétrica. A alternativa confunde o mecanismo de autenticação com o de cifragem de dados.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que a criptografia simétrica é mais segura que a assimétrica por usar chaves públicas e privadas diferentes. Há dois erros: (1) a criptografia simétrica usa uma única chave, não um par; (2) a segurança não é definida pelo tipo de chave, mas pelo tamanho da chave e pelo algoritmo. A criptografia assimétrica é mais lenta, mas resolve o problema da distribuição de chaves. A alternativa inverte os conceitos de simétrica e assimétrica.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Descreve corretamente o uso de criptografia assimétrica para assinatura digital (garantindo autoria e não repúdio) e de funções hash para integridade. A assinatura digital cifra o hash do documento com a chave privada do signatário, e o destinatário verifica com a chave pública. O hash garante que o documento não foi alterado. Esta é a descrição tecnicamente precisa do funcionamento em sistemas de processo eletrônico.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que os certificados digitais não têm relação com a Autoridade Certificadora (AC) e que sua validação depende apenas do par de chaves gerado pelo usuário. Isso é falso: o certificado digital é emitido e assinado por uma AC, e é exatamente essa assinatura que garante a confiança na vinculação entre a entidade e a chave pública. Sem a AC, não há como validar a autenticidade do certificado.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que as funções hash podem ser revertidas para recuperar o documento original. Isso é tecnicamente impossível: hash é uma função unidirecional, e sua principal propriedade é justamente a irreversibilidade. Além disso, o hash não é usado para sigilo — a confidencialidade é garantida pela criptografia com a chave pública do destinatário. A alternativa confunde hash com criptografia reversível.
Gabarito: letra C