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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — FCC 2023

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
fc144196
Banca
FCC
Órgão
DPE AM
Ano
2023
Cargo
Ana JD ( )

[Rubem Braga, cronista maior]

 

Desde que surgiu para a literatura na década de 30, Rubem Braga nos encanta com suas histórias. Ao longo dos anos. em meio às atribulações do dia a dia, o leitor brasileiro se habituou a esperar, em certos jornais e revistas, os dois dedos de prosa com que o “velho Braga” o prendia inapelavelmente, O assunto podia ser escasso ou faltar mas o encantamento se fada assim mesmo. De repente, naquela linguagem volátil, O leitor se encontrava ferra a ferra com a poesia do cotidiano.

 

Sem dúvida, tratava-se de um cronista, de um narrador e comentarista dos fatos corriqueiros de lodo dia, mas algo ali transfigurava a crônica, dando-lhe uma consistência literária que ela jamais tivera. Era um escritor diferente, pois havia escolhido um espaço diverso de criação: o espaço dominado pela informação jornalística. E, novo paradoxo, parecia discrepar naquele meio moderno da informação, como se O que trazia para expressar fosse inteiramente incompatível com o jornal.

 

É que aquele cronista trazia algo escasso nos tempos atuais: a sua própria experiência. Uma experiência particular, densa e complexa, inusitada para o tempo e o lugar, mas capaz de se transmitir a muitos que nela se reconheciam, permeáveis ao que havia ali de comum solidário. Uma experiência que se transmitia por histórias, pela arte do narrador, que parecia vir de outros tempos e retomar o fio da tradição oral, tão importante no Brasil.

 

Desde o princípio, deve ter sido difícil definir com precisão o que eram aquelas crônicas. Pareciam esconder muita complexidade sob a capa límpida da naturalidade. Disfarçavam a arte da escrita numa prosa divagadora de quem conversa sem rumo certo, distraído com o balanço da rede, passando o tempo, como que para se livrar do ócio ou do tédio. E, no entanto, sra uma prosa cheia de achados de linguagem, um vocabulário escolhido a dedo para O lugar certo. Eram frases em geral curtas, com preferência pelas orações coordenadas. sem temer, porém curvas e enlaces dos períodos mais longos e complicados. Uma sintaxe, enfim. leve e flexível, próxima da linguagem coloquial.

 

Num mundo como o nosso, já bastante automatizado, onde tudo pode virar mercadoria e em si nada valer, o velho Braga, em meio ás coisas mais efêmeras, não apenas nos dá a impressão súbita do momento fugitivo de uma alta beleza presente no cotidiano, mas também a dignidade e a poesia do perecível, quando tocada por um dedo humano.

 

(Adaptado de: ARRIGUCCI JR, Dam, “Braga

de novo por aqui. in: BRAGA, Rubem, Os melhores contos. São Paulo: Global, 1877)

Atenção: Para responder às questão, baseie-se no texto abaixo.

 

O fato de e Rubem Braga trazer para suas crônicas suas próprias experiências cotidianas

  1. Amostra que ele as revestia de uma linguagem literária altamente elaborada, poupando assim seu leitor dos vestígios indesejáveis de uma linguagem comum.
  2. Bparticulariza um modo profissional de escrever, que está em explorar o interesse jornalístico de fatos que mesmo a boa imprensa por vezes não investiga.
  3. Ccomprova a tese de que apenas os escritores que vivem situações excepcionais não encontram dificuldade em ganhar a admiração de seus leitores.
  4. Dé relevante sobretudo porque ele sabe como narrá-las, de modo a fazer com que o leitor possa compartilhar algo da beleza que se oculta no dia a dia.
  5. Eacaba por convencer o leitor que a nossa imaginação é tão poderosa que podemos ter à sensação de que um caso banal e  desprezível pode ser também curioso.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — é relevante sobretudo porque ele sabe como narrá-las, de modo a fazer com que o leitor possa compartilhar algo da beleza que se oculta no dia a dia.

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