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Questão de Direito Penal — Concussão e Excesso de Exação (art. 316 do CP) — FCC 2024

Direito PenalConcussão e Excesso de Exação (art. 316 do CP)
Código
fc145706
Banca
FCC
Órgão
TJ AL
Ano
2024
Cargo
TJ ( )
João, investigador de polícia, demonstrou interesse em adquirir um aparelho celular em uma página na internet, anunciado por Paulo, proprietário do telefone. No local combinado para a transação, João pediu para que Paulo exibisse a nota fiscal do produto. Paulo, então, informou que não mais possuía o documento, ocasião em que João lhe deu voz de prisão, acusando-o da prática de crime, sem qualquer prova de sua prática, exigindo, na sequência, a quantia de R$ 1.000,00 (mil reais) para não o levar preso. Por Paulo não possuir, naquele momento, a quantia exigida, João passou a pressioná-lo e marcou um novo encontro no dia seguinte, ocasião em que João foi abordado por outros policiais acionados por Paulo, levando João preso à delegacia de polícia. Considerando tão somente as informações apresentadas na questão, João teria praticado, em tese, o crime de:
  1. Aexcesso de exação.
  2. Bcorrupção passiva.
  3. Ccorrupção ativa.
  4. Dviolência arbitrária.
  5. Econcussão.
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GabaritoE — concussão.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Concussão e excesso de exação: a exigência de vantagem indevida pelo funcionário público

Gabarito: letra E. João, investigador de polícia, exigiu de Paulo a quantia de R$ 1.000,00 para não o levar preso, acusando-o de crime sem qualquer prova — conduta que se amolda ao caput do art. 316 do Código Penal (concussão), pois o verbo nuclear é "exigir" vantagem indevida, em razão da função pública. A alternativa A (excesso de exação) é o principal distrator, mas não se aplica porque o excesso de exação exige que a vantagem indevida seja tributo ou contribuição social (art. 316, § 1º, CP), o que não ocorre no caso.

A concussão é crime próprio praticado por funcionário público contra a Administração Pública, consistente em exigir, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida. O núcleo "exigir" é o que a distingue da corrupção passiva (art. 317, CP), cujo verbo é "solicitar ou receber". Na concussão há uma imposição, ameaça ou intimidação; na corrupção passiva, um pedido, recebimento ou anuência. No caso, João não solicitou nem recebeu — ele exigiu a quantia sob a ameaça de prender Paulo, o que configura concussão.

O excesso de exação (art. 316, § 1º, CP) é uma modalidade especial de concussão, mas restrita à cobrança de tributo ou contribuição social indevida, ou ao emprego de meio vexatório na cobrança de tributo devido. A quantia de R$ 1.000,00 exigida por João não tem natureza tributária — é uma vantagem indevida qualquer, o que afasta o excesso de exação e atrai o caput da concussão. A banca explora exatamente essa confusão: o candidato que memoriza o § 1º sem atentar para o objeto da exigência (tributo) acaba marcando a alternativa A.

A violência arbitrária (art. 322, CP) também não se aplica, pois não houve violência física, e a corrupção ativa (art. 333, CP) é crime praticado por particular contra funcionário público, o que não é o caso de João. A corrupção passiva (art. 317, CP) exige solicitação ou recebimento, não exigência.

Exigir vantagem indevida (funcionário público)
  • 1Objeto: tributo ou contribuição social
    • Excesso de exação (art. 316, §1º)
  • 2Objeto: qualquer vantagem
    • Concussão (art. 316, caput)
  • 3Verbo: solicitar ou receber
    • Corrupção passiva (art. 317)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

O excesso de exação (art. 316, § 1º, CP) é uma forma qualificada de concussão, mas exige que a vantagem indevida seja tributo ou contribuição social. No caso, João exigiu R$ 1.000,00 como preço para não prender Paulo — vantagem sem natureza tributária. Portanto, não há excesso de exação, mas concussão simples (caput do art. 316).

Alternativa B — ❌ Incorreta

A corrupção passiva (art. 317, CP) tem como núcleo "solicitar ou receber" vantagem indevida, ou aceitar promessa. João não solicitou nem recebeu — ele exigiu a quantia, sob ameaça de prisão. A exigência é elementar da concussão, não da corrupção passiva.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A corrupção ativa (art. 333, CP) é crime praticado por particular contra funcionário público, consistente em oferecer ou prometer vantagem indevida. João é funcionário público (investigador de polícia) e foi o autor da exigência — não se enquadra no polo ativo da corrupção ativa.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A violência arbitrária (art. 322, CP) consiste em praticar violência no exercício da função ou a pretexto de exercê-la. No caso, não houve violência física — apenas a ameaça de prisão, que é o meio intimidatório típico da concussão. A conduta de João não se amolda à violência arbitrária.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

João, funcionário público, exigiu de Paulo vantagem indevida (R$ 1.000,00) para não o prender, valendo-se da função de investigador. O verbo "exigir" é o núcleo do tipo do art. 316, caput, do CP, e a exigência se deu em razão da função. A consumação ocorre com a simples exigência, independentemente do recebimento da vantagem (crime formal).

Art. 316CP

Art. 316 — "Exigir, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida: Pena - reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multa."

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca a concussão pelo excesso de exação. A pegadinha está em o candidato lembrar que o excesso de exação é uma forma de concussão e marcar a letra A, esquecendo que o excesso de exação exige que a vantagem seja tributo ou contribuição social. Aqui, a vantagem é dinheiro comum, não tributo — logo, é concussão simples. Fique atento ao objeto da exigência!

PEGA ESSA DICA!

Para diferenciar concussão, corrupção passiva e excesso de exação, foque no verbo e no objeto da vantagem:

Critério

Concussão

Corrupção passiva

Excesso de exação

Verbo

Exigir

Solicitar ou receber

Exigir

Objeto

Vantagem indevida (qualquer)

Vantagem indevida (qualquer)

Tributo ou contribuição social

Iniciativa

Do funcionário (imposição)

Do funcionário (pedido) ou do particular

Do funcionário

Consumação

Com a exigência

Com a solicitação/recebimento

Com a exigência

Gabarito: letra E.

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