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Questão de Direito Penal — Concussão e Excesso de Exação (art. 316 do CP) — FCC 2024

Direito PenalConcussão e Excesso de Exação (art. 316 do CP)
Código
fc145714
Banca
FCC
Órgão
TRT 7
Ano
2024
Cargo
TJ TRT7
Um servidor público do departamento de trânsito, no exercício da função, exigiu para si valores para aprovar a vistoria de veículo de transporte de carga que cumpria todas as regras necessárias quanto à emissão de poluentes, alegando que, caso não fossem pagos os valores indicados, o veiculo seria reprovado na vistoria. Nesse sentido, a ação do servidor público, consoante os crimes contra a Administração Pública configura o crime de:
  1. AConcussão.
  2. BViolência arbitrária.
  3. CCorrupção passiva.
  4. DPrevaricação.
  5. ECorrupção ativa.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — Concussão.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Concussão e Excesso de Exação (art. 316 do CP)

Gabarito: letra A. O servidor que exige vantagem indevida para si, valendo-se da função, pratica o crime de concussão, previsto no art. 316, caput, do Código Penal. A distinção nuclear está no verbo: a concussão exige o verbo exigir, enquanto a corrupção passiva (art. 317) se vale de solicitar, receber ou aceitar promessa — e é exatamente essa troca que a banca explora.

A concussão é crime próprio de funcionário público, formal (consuma-se com a mera exigência, independentemente do recebimento da vantagem) e admite tentativa. No caso narrado, o agente, no exercício da função, exigiu valores para aprovar vistoria de veículo que cumpria todas as regras — ou seja, exigiu vantagem indevida em razão da função, amoldando-se perfeitamente ao tipo do art. 316, caput.

Art. 316CP

Art. 316 — "Exigir, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida: Pena - reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multa."

A banca adora trocar o verbo "exigir" (concussão) por "solicitar" (corrupção passiva). Aqui, o enunciado é claro: o servidor exigiu os valores, sob ameaça de reprovar a vistoria — conduta típica de concussão, e não de corrupção passiva.

Critério

Concussão (art. 316, caput)

Corrupção Passiva (art. 317)

Verbo-núcleo do tipo

Exigir

Solicitar, receber ou aceitar promessa

Forma de atuação

Imposição, com abuso de autoridade

Pedido, aceitação ou recebimento (sem imposição)

Consumação

Crime formal: consuma-se com a mera exigência, independentemente do recebimento

Depende da forma: solicitar (formal), receber/aceitar (material)

Sujeito ativo

Funcionário público

Funcionário público

1Concussão (art. 316)
Exigir vantagem indevida
Funcionário público
Formal (consuma com a exigência)
2Corrupção passiva (art. 317)
Solicitar, receber ou aceitar promessa
Funcionário público
3Corrupção ativa (art. 333)
Oferecer ou prometer vantagem
Particular
4Prevaricação (art. 319)
Retardar ou omitir ato de ofício
Interesse ou sentimento pessoal
Crimes contra a Administração
LEVELsoulevel.com.br
Crimes contra a Administração: Concussão (art. 316) (Exigir vantagem indevida, Funcionário público, Formal (consuma com a exigência)); Corrupção passiva (art. 317) (Solicitar, receber ou aceitar promessa, Funcionário público); Corrupção ativa (art. 333) (Oferecer ou prometer vantagem, Particular); Prevaricação (art. 319) (Retardar ou omitir ato de ofício, Interesse ou sentimento pessoal)

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A conduta do servidor amolda-se ao art. 316, caput, do CP: exigir, para si, vantagem indevida, em razão da função. O verbo "exigir" é o núcleo do tipo, e a exigência foi feita com abuso da função (ameaça de reprovar vistoria de veículo que cumpria as regras). Crime formal: consuma-se com a exigência, ainda que a vantagem não seja paga.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Violência arbitrária (art. 322 do CP) exige a prática de violência no exercício da função ou a pretexto de exercê-la. No caso, não há qualquer violência física ou moral — apenas a exigência de vantagem. O enunciado não descreve violência, logo não se aplica.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Corrupção passiva (art. 317 do CP) tem como núcleos "solicitar ou receber" vantagem indevida, ou "aceitar promessa". A diferença para a concussão está na iniciativa e na forma: na concussão o funcionário exige (imposição, com abuso de autoridade); na corrupção passiva ele solicita (pede) ou recebe (aceita o que lhe é oferecido). No caso, o servidor exigiu — verbo típico da concussão, não da corrupção passiva.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Prevaricação (art. 319 do CP) consiste em retardar ou deixar de praticar ato de ofício, ou praticá-lo contra disposição expressa de lei, para satisfazer interesse ou sentimento pessoal. Não há exigência de vantagem indevida — o móvel é o interesse ou sentimento pessoal, não a obtenção de vantagem. No caso, o servidor exigiu vantagem, o que afasta a prevaricação.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Corrupção ativa (art. 333 do CP) é crime praticado por particular contra a Administração: "oferecer ou prometer vantagem indevida a funcionário público, para determiná-lo a praticar, omitir ou retardar ato de ofício". No caso, o servidor é funcionário público e exigiu a vantagem — ele é o sujeito ativo do crime, não o particular que paga. A corrupção ativa seria o crime do particular que oferece a vantagem, o que não ocorreu.

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca o verbo "exigir" (concussão) por "solicitar" (corrupção passiva). O candidato que não decora os verbos dos tipos penais cai na letra C. Lembre: concussão = exigir; corrupção passiva = solicitar, receber ou aceitar promessa. No caso, o servidor exigiu — logo, concussão.

PEGA ESSA DICA!

Para diferenciar os crimes contra a Administração, foque no verbo-núcleo do tipo e no sujeito ativo. Monte uma tabela mental: concussão (exigir), corrupção passiva (solicitar/receber/aceitar), prevaricação (retardar/deixar de praticar por interesse pessoal), corrupção ativa (oferecer/prometer — particular). Na prova, sublinhe o verbo da conduta narrada e compare com os verbos dos tipos.

Gabarito: letra A.

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