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Questão de Direito Penal — Do Dano (arts. 163 a 167 do CP) — FCC 2024

Direito PenalDo Dano (arts. 163 a 167 do CP)
Código
fc145715
Banca
FCC
Órgão
TRT 7
Ano
2024
Cargo
TJ TRT7
Um visitante civil, ao ser atendido na portaria do prédio do Tribunal Regional do Trabalho, insatisfeito com a resposta do recepcionista terceirizado, que não lhe permitiu o acesso, irritou-se e, simplesmente, começou a quebrar os vidros da estrutura envidraçada do prédio com o extintor de incêndio que estava ali próximo, provocando danos de grande monta ao imóvel. Tal conduta deve ser tipificada como
  1. Ailícito civil, apenas.
  2. Bcrime de dano qualificado, uma vez que foi praticado contra o patrimônio da União.
  3. Ccrime de dano não qualificado e, também, crime de resistência.
  4. Dcrime de dano, no entanto, ainda que tenha sido praticado contra o patrimônio da União, não se configura dano qualificado.
  5. Ecrime de dano não qualificado e, também, crime de desacato.
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GabaritoB — crime de dano qualificado, uma vez que foi praticado contra o patrimônio da União.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Crime de dano qualificado contra o patrimônio da União

Gabarito: letra B. O visitante que quebrou os vidros do prédio do Tribunal Regional do Trabalho praticou o crime de dano qualificado, pois o art. 163, parágrafo único, inciso III, do Código Penal qualifica o delito quando cometido contra o patrimônio da União — e o TRT é órgão da Justiça Federal, cujo imóvel integra o patrimônio da União. A conduta não é mero ilícito civil, pois houve dolo de destruir coisa alheia, e não há falar em resistência ou desacato, pois não houve oposição à execução de ato legal nem ofensa a funcionário público.

O crime de dano está previsto no art. 163 do Código Penal, que pune quem "destruir, inutilizar ou deteriorar coisa alheia". Trata-se de crime doloso — não existe dano culposo — e se consuma com a efetiva destruição, inutilização ou deterioração, ainda que parcial. No caso, o agente, insatisfeito com a negativa de acesso, quebrou os vidros com um extintor de incêndio, causando danos de grande monta. Há dolo direto de danificar o patrimônio alheio, e o bem jurídico tutelado é o patrimônio.

A qualificadora do inciso III do parágrafo único incide quando o crime é cometido "contra o patrimônio da União, de Estado, do Distrito Federal, de Município ou de autarquia, fundação pública, empresa pública, sociedade de economia mista ou empresa concessionária de serviços públicos". O Tribunal Regional do Trabalho é órgão da Justiça Federal, integrando a estrutura da União; logo, o prédio onde funciona é bem público federal, e o dano a ele dirigido atrai a qualificadora. A pena passa de detenção de um a seis meses, ou multa, para detenção de seis meses a três anos, e multa.

A banca explora a confusão entre o dano simples e o qualificado, bem como a tentação de enquadrar a conduta em outros crimes contra a Administração Pública. Mas não há resistência (art. 329 do CP), pois não houve oposição à execução de ato legal mediante violência ou ameaça — o recepcionista apenas negou o acesso, e a violência foi dirigida contra a coisa, não contra a pessoa. Tampouco há desacato (art. 331 do CP), pois não houve ofensa à dignidade de funcionário público no exercício da função; o agente não dirigiu palavras ou gestos de menosprezo ao recepcionista, apenas quebrou os vidros.

Art. 163CP

Art. 163 — "Destruir, inutilizar ou deteriorar coisa alheia: Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa."

Parágrafo único — "Se o crime é cometido: (...) III - contra o patrimônio da União, de Estado, do Distrito Federal, de Município ou de autarquia, fundação pública, empresa pública, sociedade de economia mista ou empresa concessionária de serviços públicos; (...) Pena - detenção, de seis meses a três anos, e multa, além da pena correspondente à violência."

Alternativa A — ❌ Incorreta

Não é apenas ilícito civil. A conduta é típica: há dolo de destruir coisa alheia, e o dano causado é relevante. O ilícito civil (responsabilidade de reparar o dano) coexiste com o crime, mas não o exclui. A tipicidade penal está preenchida, pois o agente destruiu deliberadamente os vidros do prédio.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A conduta se amolda ao art. 163, parágrafo único, inciso III, do CP, pois o dano foi praticado contra o patrimônio da União. O Tribunal Regional do Trabalho é órgão federal, e seu imóvel integra o patrimônio da União. A qualificadora é expressa e não exige que o agente seja funcionário público — qualquer pessoa pode praticá-la. A pena é de detenção, de seis meses a três anos, e multa.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Não há crime de resistência. O art. 329 do CP exige oposição à execução de ato legal, mediante violência ou ameaça a funcionário público competente. No caso, o recepcionista apenas negou o acesso; não estava executando ato legal que exigisse o emprego de violência para ser impedido. A violência foi dirigida contra a coisa (os vidros), não contra a pessoa. Além disso, o dano é qualificado, não simples.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que, embora praticado contra o patrimônio da União, não se configura dano qualificado. Isso contraria a literalidade do art. 163, parágrafo único, inciso III, que qualifica exatamente o dano contra o patrimônio da União. A qualificadora é objetiva e independe de qualquer outra circunstância.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Não há crime de desacato. O art. 331 do CP pune quem "desacatar funcionário público no exercício da função ou em razão dela". O desacato exige ofensa à dignidade do funcionário — palavras, gestos ou atitudes de menosprezo. No caso, o agente não ofendeu o recepcionista; apenas quebrou os vidros. A conduta é dano qualificado, não desacato.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta atrair o candidato para os crimes contra a Administração Pública (resistência e desacato), mas o núcleo da conduta é patrimonial: o agente destruiu coisa alheia, sem violência contra pessoa e sem ofensa a funcionário. A qualificadora do inciso III é o ponto central — o prédio do TRT é patrimônio da União. Fique atento: a simples negativa de acesso não configura ato legal a ser resistido, e a ausência de ofensa verbal afasta o desacato.

PEGA ESSA DICA!

Para resolver questões de dano, verifique primeiro se o bem pertence a ente público (União, Estado, Município, autarquia, fundação, empresa pública, sociedade de economia mista ou concessionária). Se sim, a qualificadora do inciso III está presente, salvo se o fato constituir crime mais grave. Memorize o rol do inciso III — é o mais cobrado.

Gabarito: letra B.

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