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Questão de Português — Conjunção — FCC 2024

PortuguêsConjunção
Código
fc146624
Banca
FCC
Órgão
TRT 11
Ano
2024
Cargo
AJ TRT11

Leia o texto “Insolubilia”, de Eduardo Giannett,

 

É difícil encontrar o que se busca quando não se sabe ao certo o que se procura. No que poderia consistir uma solução para o enigma da existência que fizesse sentido em termos humanos? Sabemos o que procuramos quando indagamos do sentido de uma palavra, de uma narrativa ou mesmo de uma vida individual: a semântica do termo; o enredo da trama e a “moral da história”; os valores norteadores e o propósito daquela vida no contexto particular em que ela transcorre. E quando se trata, contudo, da totalidade da vida ou do ser? O nó da questão não é apenas a dificuldade de formular uma conjectura minimamente plausível, mas reside na impossibilidade mesmo de sequer conceber o que possa vir a ser uma resposta adequada: pois, não importa qual seja a conjectura oferecida, ela implicará nova e justificada demanda explicativa, ou seja, um renovado -e possivelmente agravado - senso de mistério.

 

Suponha, por exemplo, que gerações futuras cheguem a descobrir de algum modo o que nos aconteceu e o que tudo, afinal, significa: somos um experimento cientifico abandonado pelos deuses nos confins do “multiverso”; ou o sonho que alguém de outro mundo está sonhando; ou uma pantomima farsesca para a gratificação de um espírito maligno; ou a via crucis probatória da salvação ou danação eterna das almas na eternidade - suponha, em suma, o que for o caso. A revelação do Grande Segredo, é de supor, teria um extraordinário efeito e nos forçaria a repensar em profundidade boa parte do que imaginávamos saber sobre nós mesmos. Ao mesmo tempo, porém, a descoberta de que “pertencemos a algo maior” ou, então, de que “o verdadeiro Deus é o Acaso”, descortinaria uma dimensão adicional da nossa ignorância e tornar-se-ia ela própria o Grande Mistério a ser decifrado. O hierógiifo da existência ganharia uma nova feição e o nosso “Ah! então era isso” serviria apenas como preâmbulo de um potencializado “Mas, então, por que tudo isso?!”. A ignorância infinita desconcerta o saber finito. Seja com o “a” minúsculo das metafisicas seculares ou o “A” maiúsculo das religiões, sempre haverá um além.

E quando se trata, contudo, da totalidade da vida ou do ser?

 

Considerando o contexto, o termo sublinhado acima pode ser substituído, sem prejuízo para o sentido do texto, por:

  1. Aembora
  2. Bporquanto
  3. Cpois
  4. Dportanto
  5. Eentretanto
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GabaritoE — entretanto

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

O valor adversativo de "contudo" no texto de Giannetti

Gabarito: letra E. O termo sublinhado "contudo" é uma conjunção coordenativa adversativa, que introduz ideia de oposição/contraste entre o que foi dito antes e o que vem depois. A única alternativa que preserva exatamente esse sentido é "entretanto", também adversativa. Como se lê no trecho: "E quando se trata, contudo, da totalidade da vida ou do ser?" — o autor contrapõe a dificuldade de encontrar sentido na vida individual (já mencionada) à dificuldade ainda maior quando se trata do todo. A troca por "entretanto" mantém a relação de oposição sem qualquer prejuízo.

O comando: substituição sem prejuízo de sentido

A questão pede que você substitua o conectivo sublinhado por outro equivalente, ou seja, que mantenha a mesma relação lógica entre as ideias. Isso não é uma questão de "sinônimo" puro, mas de valor semântico do conectivo no contexto. O primeiro passo é identificar a classe e o valor do termo original: "contudo" é conjunção coordenativa adversativa (indica oposição, quebra de expectativa). O segundo passo é testar cada alternativa: ela pertence à mesma classe? Preserva a relação de contraste? Se não, está errada.

O texto: a oposição entre o individual e o total

No texto, o autor discute a dificuldade de encontrar sentido na existência. Ele diz que sabemos o que procuramos quando indagamos o sentido de uma palavra, de uma narrativa ou de uma vida individual — nesses casos, há respostas possíveis. Mas, quando se trata da totalidade da vida ou do ser, a dificuldade se agrava: não apenas é difícil formular uma conjectura, mas é impossível conceber uma resposta adequada. O "contudo" marca exatamente essa virada argumentativa: do que é possível responder para o que é impossível. É uma oposição clara entre duas situações.

A técnica: reconhecer a classe e o valor do conectivo

Conjunções coordenativas adversativas expressam oposição, contraste, ressalva. São elas: mas, porém, contudo, todavia, entretanto, no entanto, não obstante. Já as concessivas (embora, ainda que, conquanto) expressam uma ideia de concessão, mas exigem o verbo no subjuntivo e estabelecem uma relação de subordinação — não são equivalentes às adversativas nesse contexto. As causais/explicativas (porquanto, pois, porque) indicam causa ou explicação. As conclusivas (portanto, logo, pois deslocado) indicam conclusão. A pegadinha da banca é justamente oferecer conectivos de outras relações para testar se você reconhece o valor exato do termo original.

Conjunções coordenativas
  • 1Adversativas (oposição)
    • mas, porém, contudo
    • entretanto, todavia, no entanto
  • 2Conclusivas (conclusão)
    • portanto, logo, pois (deslocado)
  • 3Explicativas (explicação)
    • pois (início), porque
  • 4Conjunções subordinativas
    • Concessivas (concessão)
      • embora, ainda que, conquanto
    • Causais (causa)
      • porquanto, porque
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Alternativa A — ❌ Incorreta

"Embora" é conjunção subordinativa concessiva. Introduz uma ideia de concessão (fato que não impede a realização do outro), mas, no contexto, "contudo" não expressa concessão, e sim oposição. Além disso, "embora" exigiria o verbo no subjuntivo ("embora se trate"), o que não ocorre no trecho. Erro: troca de classe e de valor semântico.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Porquanto" é conjunção causal/explicativa (equivale a "porque", "pois"). Indica causa ou explicação, não oposição. No trecho, não há relação de causa entre a pergunta e o que a antecede; há contraste. Erro: troca de valor semântico (causa em vez de oposição).

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Pois" pode ser explicativo (no início da oração) ou conclusivo (deslocado, entre vírgulas). Em nenhum dos casos expressa oposição. No trecho, "contudo" não introduz explicação nem conclusão, mas contraste. Erro: troca de valor semântico (explicação/conclusão em vez de oposição).

Alternativa D — ❌ Incorreta

"Portanto" é conjunção conclusiva (equivale a "logo", "por conseguinte"). Indica conclusão ou consequência, não oposição. O autor não conclui algo a partir da pergunta; ele contrapõe duas situações. Erro: troca de valor semântico (conclusão em vez de oposição).

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Entretanto" é conjunção coordenativa adversativa, exatamente como "contudo". Ambas expressam oposição, contraste, ressalva. A substituição preserva integralmente o sentido do trecho: "E quando se trata, entretanto, da totalidade da vida ou do ser?" — mantém a contraposição entre o que foi dito antes e a nova pergunta. É a única alternativa que pertence à mesma classe e tem o mesmo valor semântico.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de substituição de conectivos, identifique primeiro a classe e o valor do termo original. Depois, teste cada alternativa: ela é da mesma classe? Preserva a relação de oposição, causa, conclusão etc.? Se não, descarte. Desconfie de conectivos que parecem equivalentes, mas têm valor diferente (como "embora" e "contudo").

Gabarito: letra E — "entretanto" é a única que mantém o valor adversativo de "contudo", sem alterar o sentido do texto.

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