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Questão de Português — Tipos de Discurso (Direto, Indireto e Indireto Livre) — FCC 2024

PortuguêsTipos de Discurso (Direto, Indireto e Indireto Livre)
Código
fc146627
Banca
FCC
Órgão
MPE AM
Ano
2024
Cargo
Ag Ap ( )

Diz a lenda amazônica que os botos saem do rio, se transformam em moços formosos e conquistam as donzelas, engravidando-as. Vaidoso, na forma humana leva sempre um chapéu na cabeça, supostamente para cobrir o orifício reminiscente da existência aquática. Pode não ser verdade, mas serve como justificação para barrigas inexplicáveis pela ausência de marido. Bem ao modo da natureza social da Amazônia, onde bichos costumam virar gente, e vice-versa. O trânsito de jabutis, onças, peixes e botos entre o que nós, de fora, enxergamos como dois mundos é um verdadeiro carnaval.

 

Mitos e causos à parte, não é que a ciência revela o que os amazônidas já sabiam? Botos machos são mesmo galantes. Como seus primos humanos, muitas vezes partem para atrair fêmeas com um ramalhete – não de fores, mas de plantas aquáticas. Essa imitação barata do comportamento humano é pesquisada por Vera Maria Ferreira da Silva, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), e Tony Martin, do Serviço Antártico Britânico. Não deixa de ser irônico que a instituição de Martin promova estudos em plena região equatorial. Nem, tampouco, que o estudo de Silva se tome público no Brasil por intermédio de uma revista de divulgação britânica, a New Scientist.

 

Silva e Martin estudaram botos-tucuxis por três anos na região amazônica. Avistaram mais de 6.000 grupos em Mamirauá, Tefé (oeste do Estado do Amazonas). Em mais de 200 dessas observações havia um indivíduo carregando objetos com o bico, como um maço de ervas ou um pedaço de pau. Em geral o portador era um macho. Era, portanto, forte a sugestão de que se trata de um comportamento sexual. Para comprovar sua hipótese, Silva e Martin buscaram o socorro da genética. Os resultados preliminares indicam que os mais assíduos portadores de ramos e paus seriam também os reprodutores mais bem-sucedidos. Em português claro, o comportamento seria uma forma de exibicionismo – no bom sentido. Machos exibem objetos vistosos para se valorizar sexualmente aos olhos das fêmeas.

 

O curioso é encontrar o expediente só em alguns grupos isolados desses cetáceos. O padrão parece sugerir que o comportamento só faz parte do repertório de alguns bandos, disseminando-se neles, ou para outros, por imitação e aprendizado. Numa única e controversa palavra, cultura. Não faz muito tempo, essa era uma noção que só fazia sentido aplicar a humanos. “Cultura”, afinal, sempre foi entendida como o oposto de “natureza”. A fronteira, tão cara às ciências humanas, foi ficando menos nítida com as sucessivas documentações, por vários grupos de pesquisa, do uso de ferramentas por outros primatas. Pelo visto, o boto está prestes a subir na escala social.

 

(Adaptado de: LEITE, Marcelo. Ciência: use com cuidado. Campinas: Editora da Unicamp, 2014)

Considere o texto “A irresistível ascensão do boto", de Marcelo Leite.

   

Silva e Martin disseram: – Os resultados preliminares indicam que os mais assíduos portadores de ramos e paus seriam também os reprodutores mais bem-sucedidos.

 

Ao se transpor o texto acima para o discurso indireto, a forma verbal sublinhada será substituída por:

  1. Aindiquem.
  2. Bindicaram.
  3. Cindicassem.
  4. Dindicarão.
  5. Eindicavam.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — indicavam.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Transposição de discurso direto para indireto: a conversão do tempo verbal

Gabarito: letra E. Na passagem do discurso direto para o indireto, o verbo "indicam" (presente do indicativo) converte-se em "indicavam" (pretérito imperfeito do indicativo), conforme a regra clássica de conversão dos tempos verbais. A forma sublinhada no trecho original — "Os resultados preliminares indicam que os mais assíduos portadores de ramos e paus seriam também os reprodutores mais bem-sucedidos" —, ao ser reportada pelo narrador, deve sofrer recuo temporal, e o presente do indicativo passa a pretérito imperfeito do indicativo.

O comando da questão

O enunciado pede uma reescritura específica: transpor a fala de Silva e Martin do discurso direto para o indireto, alterando apenas a forma verbal sublinhada. Não se trata de interpretação de sentido, mas de aplicação de uma regra gramatical de conversão de discurso. A tarefa exige conhecer o quadro de correspondências entre os tempos verbais nos dois tipos de discurso.

A regra de conversão dos tempos verbais

Na transposição do discurso direto para o indireto, há um recuo temporal sistemático. O quadro básico é:

Discurso direto

Discurso indireto

Presente do indicativo

Pretérito imperfeito do indicativo

Pretérito perfeito do indicativo

Pretérito mais-que-perfeito do indicativo

Futuro do presente do indicativo

Futuro do pretérito do indicativo

Presente do subjuntivo

Pretérito imperfeito do subjuntivo

Imperativo

Pretérito imperfeito do subjuntivo

No trecho em questão, o verbo "indicam" está no presente do indicativo. Ao converter para o discurso indireto, ele deve passar para o pretérito imperfeito do indicativo: "indicavam". Isso ocorre porque o narrador, ao reportar a fala, recua o tempo do verbo para manter a relação temporal com o verbo introdutor ("disseram").

Aplicação ao trecho

No texto original, a fala de Silva e Martin é apresentada em discurso direto:

"Os resultados preliminares indicam que os mais assíduos portadores de ramos e paus seriam também os reprodutores mais bem-sucedidos."

Ao transpor para o discurso indireto, a estrutura fica:

Silva e Martin disseram que os resultados preliminares indicavam que os mais assíduos portadores de ramos e paus seriam também os reprodutores mais bem-sucedidos.

Note que o verbo "seriam" (futuro do pretérito) permanece inalterado, pois já está no tempo adequado ao discurso indireto. Apenas o verbo "indicam" sofre a conversão.

Análise das alternativas

  1. 1Presente do indicativo
  2. 2Pretérito imperfeito
  3. 3indicam → indicavam
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Alternativa A — ❌ Incorreta

"indiquem" está no presente do subjuntivo. Esse tempo não corresponde à conversão do presente do indicativo no discurso indireto. O presente do subjuntivo, quando convertido, passa a pretérito imperfeito do subjuntivo ("indicassem"), mas aqui o verbo original é do indicativo, não do subjuntivo. A alternativa confunde o modo verbal, trocando o indicativo pelo subjuntivo sem justificativa.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"indicaram" está no pretérito perfeito do indicativo. Essa forma indicaria uma ação concluída no passado, o que não corresponde ao sentido original de "indicam" (presente, com valor de constatação atual). A banca oferece essa opção como distrator atraente, pois muitos candidatos confundem a conversão com uma simples mudança para o passado, sem aplicar a regra específica do recuo temporal. O pretérito perfeito seria usado se o verbo original estivesse no presente, mas com valor de passado recente — o que não é o caso.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"indicassem" está no pretérito imperfeito do subjuntivo. Esse tempo seria a conversão do presente do subjuntivo ("indiquem"), não do presente do indicativo. Como o verbo original está no indicativo, a conversão correta é para o pretérito imperfeito do indicativo. A alternativa troca o modo verbal, aplicando a regra de conversão do subjuntivo a um verbo que está no indicativo.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"indicarão" está no futuro do presente do indicativo. Essa forma indicaria uma ação futura, o que não corresponde ao sentido original de "indicam" (presente). A conversão do futuro do presente no discurso indireto seria para o futuro do pretérito ("indicariam"), mas o verbo original não está no futuro. A alternativa projeta o tempo para o futuro, alterando o sentido temporal da frase.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"indicavam" está no pretérito imperfeito do indicativo, exatamente a conversão correta do presente do indicativo no discurso indireto. A regra é clara: presente do indicativo → pretérito imperfeito do indicativo. A forma "indicavam" mantém o sentido de constatação habitual ou contínua, adequado ao contexto de resultados preliminares que indicam algo. A transposição fica: "Silva e Martin disseram que os resultados preliminares indicavam que...".

PEGA ESSA DICA!

Ao transpor do discurso direto para o indireto, identifique o tempo do verbo no discurso direto e aplique o recuo temporal correspondente. Decore o quadro de conversões: presente → pretérito imperfeito; pretérito perfeito → pretérito mais-que-perfeito; futuro do presente → futuro do pretérito. Isso resolve a maioria das questões de conversão de discurso.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre o presente do indicativo e o pretérito perfeito, oferecendo "indicaram" como distrator atraente. Muitos candidatos, ao verem um verbo no passado, escolhem a forma mais simples, sem aplicar a regra específica do recuo temporal. Lembre-se: a conversão não é uma simples mudança para o passado, mas uma mudança para o tempo correspondente no quadro de conversões.

Conclusão: A única alternativa que respeita a regra de conversão do presente do indicativo para o pretérito imperfeito do indicativo é a letra E. As demais ou trocam o modo verbal (A, C) ou alteram o tempo de forma inadequada (B, D).

Gabarito: letra E

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