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Questão de Português — Vozes (Voz Passiva e Voz Ativa) — FCC 2024

PortuguêsVozes (Voz Passiva e Voz Ativa)
Código
fc146631
Banca
FCC
Órgão
MPE AM
Ano
2024
Cargo
Ag Ap ( )

Diz a lenda amazônica que os botos saem do rio, se transformam em moços formosos e conquistam as donzelas, engravidando-as. Vaidoso, na forma humana leva sempre um chapéu na cabeça, supostamente para cobrir o orifício reminiscente da existência aquática. Pode não ser verdade, mas serve como justificação para barrigas inexplicáveis pela ausência de marido. Bem ao modo da natureza social da Amazônia, onde bichos costumam virar gente, e vice-versa. O trânsito de jabutis, onças, peixes e botos entre o que nós, de fora, enxergamos como dois mundos é um verdadeiro carnaval.

 

Mitos e causos à parte, não é que a ciência revela o que os amazônidas já sabiam? Botos machos são mesmo galantes. Como seus primos humanos, muitas vezes partem para atrair fêmeas com um ramalhete – não de fores, mas de plantas aquáticas. Essa imitação barata do comportamento humano é pesquisada por Vera Maria Ferreira da Silva, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), e Tony Martin, do Serviço Antártico Britânico. Não deixa de ser irônico que a instituição de Martin promova estudos em plena região equatorial. Nem, tampouco, que o estudo de Silva se tome público no Brasil por intermédio de uma revista de divulgação britânica, a New Scientist.

 

Silva e Martin estudaram botos-tucuxis por três anos na região amazônica. Avistaram mais de 6.000 grupos em Mamirauá, Tefé (oeste do Estado do Amazonas). Em mais de 200 dessas observações havia um indivíduo carregando objetos com o bico, como um maço de ervas ou um pedaço de pau. Em geral o portador era um macho. Era, portanto, forte a sugestão de que se trata de um comportamento sexual. Para comprovar sua hipótese, Silva e Martin buscaram o socorro da genética. Os resultados preliminares indicam que os mais assíduos portadores de ramos e paus seriam também os reprodutores mais bem-sucedidos. Em português claro, o comportamento seria uma forma de exibicionismo – no bom sentido. Machos exibem objetos vistosos para se valorizar sexualmente aos olhos das fêmeas.

 

O curioso é encontrar o expediente só em alguns grupos isolados desses cetáceos. O padrão parece sugerir que o comportamento só faz parte do repertório de alguns bandos, disseminando-se neles, ou para outros, por imitação e aprendizado. Numa única e controversa palavra, cultura. Não faz muito tempo, essa era uma noção que só fazia sentido aplicar a humanos. “Cultura”, afinal, sempre foi entendida como o oposto de “natureza”. A fronteira, tão cara às ciências humanas, foi ficando menos nítida com as sucessivas documentações, por vários grupos de pesquisa, do uso de ferramentas por outros primatas. Pelo visto, o boto está prestes a subir na escala social.

 

(Adaptado de: LEITE, Marcelo. Ciência: use com cuidado. Campinas: Editora da Unicamp, 2014)

Considere o texto “A irresistível ascensão do boto", de Marcelo Leite.

   

Silva e Martin buscaram o socorro da genética (3º parágrafo).

 

Ao se transpor o trecho acima para a voz passiva, a forma verbal resultante será:

  1. Aseria buscado.
  2. Bfoi buscado.
  3. Cfoi buscada.
  4. Dfora buscada.
  5. Eé buscado.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — foi buscado.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Voz passiva analítica: a transposição de "buscaram"

Gabarito: letra B. A forma verbal resultante é "foi buscado", pois a transposição para a voz passiva exige o verbo auxiliar "ser" no mesmo tempo do verbo da voz ativa (pretérito perfeito do indicativo) e o particípio do verbo principal concordando com o novo sujeito paciente. No trecho "Silva e Martin buscaram o socorro da genética", o objeto direto "o socorro" torna-se o sujeito paciente, e o verbo "buscar" (transitivo direto) vira particípio "buscado", que concorda com "socorro" (masculino singular).

O comando: transposição de voz verbal

A questão pede uma reescritura gramatical: converter a oração da voz ativa para a voz passiva analítica. Não se trata de interpretação de texto, mas de aplicar a regra de conversão de vozes verbais. O comando "Ao se transpor o trecho acima para a voz passiva" delimita a tarefa: manter o sentido, mudar a estrutura sintática.

A técnica: como converter voz ativa em passiva analítica

A voz passiva analítica é formada por verbo auxiliar (ser/estar) + particípio do verbo principal. Na conversão:

  1. O objeto direto da voz ativa vira sujeito paciente na passiva.

  2. O sujeito da voz ativa vira agente da passiva (introduzido por "por").

  3. O verbo auxiliar "ser" assume o mesmo tempo e modo do verbo da voz ativa.

  4. O particípio concorda em gênero e número com o novo sujeito paciente.

No trecho original:

"Silva e Martin buscaram o socorro da genética"

  • Sujeito da ativa: "Silva e Martin"

  • Verbo: "buscaram" (pretérito perfeito do indicativo, 3ª pessoa do plural)

  • Objeto direto: "o socorro da genética" (núcleo: "socorro", masculino singular)

Na passiva:

  • Sujeito paciente: "o socorro da genética"

  • Verbo auxiliar: "foi" (pretérito perfeito, 3ª pessoa do singular, concordando com "socorro")

  • Particípio: "buscado" (masculino singular, concordando com "socorro")

  • Agente da passiva: "por Silva e Martin" (opcional)

Resultado: "O socorro da genética foi buscado por Silva e Martin."

A pegadinha: concordância de gênero

A banca arma uma armadilha clássica: o particípio deve concordar com o sujeito paciente, não com o agente. Como "socorro" é masculino, o particípio é "buscado", e não "buscada". Muitos candidatos, ao verem "Silva" (nome feminino), marcam "buscada" — erro típico de concordância.

NÃO CAIA NESSA!

A banca testa se você identifica o núcleo do sujeito paciente. "Socorro" é masculino, então "buscado" (não "buscada"). O gênero do agente (Silva) não influencia o particípio.

Análise das alternativas

  1. 1Objeto direto vira sujeito paciente
  2. 2Auxiliar ser no mesmo tempo
  3. 3Particípio concorda com o sujeito
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Alternativa A — ❌ Incorreta

"seria buscado" — O auxiliar está no futuro do pretérito ("seria"), enquanto o verbo da ativa está no pretérito perfeito ("buscaram"). A transposição exige o mesmo tempo: "foi buscado". Erro de tempo verbal.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"foi buscado" — Exatamente a forma correta: auxiliar "ser" no pretérito perfeito ("foi") + particípio "buscado" concordando com "socorro" (masculino singular). Confirma a regra: o auxiliar assume o tempo do verbo da ativa.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"foi buscada" — O tempo está correto (pretérito perfeito), mas o particípio está no feminino ("buscada"), enquanto o sujeito paciente "socorro" é masculino. Erro de concordância de gênero.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"fora buscada" — O auxiliar está no mais-que-perfeito ("fora"), tempo diferente do pretérito perfeito da ativa. Além disso, o particípio está no feminino. Erro de tempo e concordância.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"é buscado" — O auxiliar está no presente do indicativo ("é"), enquanto o verbo da ativa está no pretérito perfeito. A transposição exige o mesmo tempo: "foi buscado". Erro de tempo verbal.

Conclusão

A transposição correta é "foi buscado" (letra B). A regra de ouro: o auxiliar "ser" assume o mesmo tempo e modo do verbo da ativa, e o particípio concorda com o sujeito paciente. Teste cada alternativa perguntando: o tempo do auxiliar corresponde ao da ativa? O particípio concorda com o núcleo do sujeito paciente?

PEGA ESSA DICA!

Ao transpor para a passiva, identifique primeiro o objeto direto da ativa — ele será o sujeito paciente. Depois, mantenha o tempo verbal e faça a concordância com esse novo sujeito.

Gabarito: letra B

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