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Questão de Português — Significação de Vocábulo e Expressões — FCC 2024

PortuguêsSignificação de Vocábulo e Expressões
Código
fc146649
Banca
FCC
Órgão
MPE AM
Ano
2024
Cargo
Ag Tec ( )

Haverá uma história da pandemia?

 

Haverá uma história para contar quando tudo isso acabar? Haverá razão para ouvir essa história e paciência para acompanhar as minúcias de tantas vidas interrompidas? Será narrável a magnitude dessa experiência, tão absoluta e insistente, que de um momento para outro se apoderou do mundo inteiro e não nós poupara tão cedo? Ou preferimos não narrar nada, nos render ao desejo de seguir em frente, de deixar tudo para trás, de esquecer, recalcar, ocultando de nós mesmos uma vivência desoladora e agônica, sem redenção possível?

 

Respostas a tais perguntas não são fáceis de encontrar, e sobretudo não cabe antecipa-las se ainda estamos tão imersos no presente. Mas o grande ensaísta alemão Walter Benjamin, num de seus textos mais conhecidos, “O narrador", talvez nos ajude a ventilar ideias e alinhavar suspeitas. É ele quem fala de uma crise de experiência que marcaria o nosso tempo. É ele quem afirma, ainda em 1936, que “as ações da experiência estão em baixa, e tudo indica que continuarão caindo até que seu valor desapareça de todo”. Estaremos cumprindo, nestes anos atípicos, o surpreendente vaticínio de Benjamin? Vivemos agora a culminação da crise, uma carência de palavras que de fato deem conta da experiência ora vivida, que de fato possam nos expressar?

 

Em breve frase, Benjamin contempla seu maior exemplo para o fim da transmissão das experiências humanas: a situação dos soldados que voltavam mudos da Primeira Guerra Mundial, desprovidos de histórias, “não mais ricos, e sim mais pobres em experiência comunicável”. Os muito livros posteriores em nada redimiriam tal silêncio. O caso é que a nova estratégia de guerra alienava os combatentes, confinados em trincheiras, isolados uns dos outros, sem a possibilidade de acompanhar de perto a vastidão dos acontecimentos. Dali, nada veem, tudo ouvem e estremecem. São parte inerte de uma “paisagem em que nada permanecera inalterado, exceto as nuvens, e debaixo delas, num campo de forças de torrentes e explosões, o frágil e minúsculo corpo humano”, nas palavras de Benjamin.

 

(Adaptado de: FUKS, Julián. Lembramos do futuro. São Paulo: Companhia das Letras, 2022, p. 61-62)

Texto

   

Considerando-se o contexto, traduz-se adequadamente o sentido de um segmento do texto em:

  1. Aem nada redimiriam tal silêncio (3º parágrafo) = nem por isso passariam a silenciar-se
  2. Bacompanhar de perto a vastidão dos acontecimentos (3º parágrafo) = conferir a amplitude das ocorrências
  3. CSerá narrável a magnitude dessa experiência? (1º parágrafo) = quão imaginável será um testemunho de tal porte?
  4. Duma vivência desoladora e agônica (1º parágrafo) = uma oportunidade tão resoluta quanto sofrível.
  5. Eventilar ideias e alinhavar suspeitas (2º parágrafo) = abanar pensamentos e enredar vestígios.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — acompanhar de perto a vastidão dos acontecimentos (3º parágrafo) = conferir a amplitude das ocorrências

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Sentido contextual: a paráfrase que preserva o sentido

Gabarito: letra B. A alternativa B é a única que traduz o segmento "acompanhar de perto a vastidão dos acontecimentos" sem alterar seu sentido: "conferir a amplitude das ocorrências" mantém a ideia de observar/verificar a grandeza dos fatos, exatamente como no texto. As demais alternativas ou invertem o sentido, ou acrescentam ideias que não estão no texto, ou trocam o sentido figurado pelo literal.

A questão pede que se traduza adequadamente o sentido de um segmento do texto, ou seja, que se encontre uma paráfrase — uma reescritura fiel — que preserve o significado original. Não se trata de interpretar ou inferir algo novo, mas de reconhecer qual expressão mantém o mesmo sentido no contexto. A banca testa a capacidade de perceber o sentido contextual das palavras, não o sentido literal isolado.

No texto, o autor descreve a situação dos soldados na Primeira Guerra Mundial, que voltavam mudos, sem histórias para contar. A passagem relevante é:

"sem a possibilidade de acompanhar de perto a vastidão dos acontecimentos"

Aqui, "acompanhar de perto" significa observar diretamente, presenciar, e "vastidão dos acontecimentos" significa a grandeza, a amplitude dos fatos. A alternativa B traduz exatamente isso: "conferir" = verificar/observar; "amplitude" = vastidão; "ocorrências" = acontecimentos. É uma paráfrase perfeita.

A técnica para resolver questões de sentido contextual é: isolar o segmento, identificar o núcleo de sentido (quem faz o quê, com que intensidade) e testar cada paráfrase perguntando se ela mantém esse núcleo ou se acrescenta/altera algo. Palavras como "quão", "tão", "resoluta", "abanar", "enredar" costumam ser armadilhas porque parecem sinônimas, mas mudam o sentido ou o registro.

Alternativa A — ❌ Incorreta

"em nada redimiriam tal silêncio" = nem por isso passariam a silenciar-se

A paráfrase inverte o sentido. No texto, "em nada redimiriam tal silêncio" significa que os livros não compensariam, não reparariam o silêncio dos soldados — ou seja, o silêncio permaneceria. A alternativa diz que eles passariam a silenciar-se, o que é o oposto: se os livros redimissem, o silêncio seria quebrado. Aqui, a banca troca o verbo "redimir" (compensar) por "silenciar-se", criando uma contradição com o texto.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"acompanhar de perto a vastidão dos acontecimentos" = conferir a amplitude das ocorrências

A paráfrase preserva o sentido de observar diretamente a grandeza dos fatos. "Conferir" = verificar, constatar; "amplitude" = vastidão, extensão; "ocorrências" = acontecimentos. Não há acréscimo nem supressão de ideia. É a única que mantém o núcleo semântico intacto.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Será narrável a magnitude dessa experiência?" = quão imaginável será um testemunho de tal porte?

A paráfrase troca o sentido de "narrável" (que pode ser contado, narrado) por "imaginável" (que pode ser imaginado). No texto, a pergunta é se será possível contar a experiência, não se será possível imaginá-la. Além disso, "testemunho" não é sinônimo de "experiência" no contexto. A banca explora a confusão entre narrar e imaginar.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"uma vivência desoladora e agônica" = uma oportunidade tão resoluta quanto sofrível

A paráfrase acrescenta opinião e troca termos. "Vivência" é traduzido por "oportunidade", que tem conotação positiva e não está no texto; "desoladora" (que causa desolação, tristeza) é trocado por "resoluta" (decidida, firme), que é antônimo; "agônica" (angustiante) é trocado por "sofrível" (que se pode sofrer, mas também de má qualidade). A alternativa extrapola ao introduzir a ideia de "oportunidade", que não existe no original.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"ventilar ideias e alinhavar suspeitas" = abanar pensamentos e enredar vestígios

A paráfrase troca o sentido figurado pelo literal. "Ventilar ideias" é uma metáfora para discutir, expor ideias; "abanar pensamentos" é literal e não faz sentido no contexto. "Alinhavar suspeitas" significa esboçar, delinear suspeitas; "enredar vestígios" significa embaraçar, enredar, o que é diferente. A banca explora a confusão entre o sentido conotativo e o denotativo.

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora trocar o sentido figurado pelo literal (como em E) ou inverter a ideia (como em A). Fique atento a palavras que parecem sinônimas, mas mudam o registro ou o significado no contexto.

PEGA ESSA DICA!

Ao testar uma paráfrase, pergunte: "o texto autoriza essa troca?" Se a alternativa acrescenta uma ideia nova (como "oportunidade" em D) ou inverte o sentido (como em A), está errada.

Gabarito: letra B — a única que preserva o sentido do segmento no contexto.

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