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Questão de Português — Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto. — FCC 2024

PortuguêsReescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
Código
fc146657
Banca
FCC
Órgão
MPE AM
Ano
2024
Cargo
Ag Tec ( )

Sobre a igualdade

 

Nas últimas décadas foi dito às pessoas em todo o mundo que o gênero humano está no caminho da igualdade, e que a globalização e as novas tecnologias nos ajudarão a chegar lá mais cedo. Na verdade, o século XXI poderia criar a sociedade mais desigual na história. Embora a globalização e a internet representem pontes sobre as lacunas que existem entre os países, elas ameaçam aumentar a brecha entre as classes, e, bem quando o gênero humano parece prestes a alcançar a unificação global, a espécie em si mesma pode se dividir em diferentes castas biológicas.

 

A desigualdade remonta à Idade da Pedra. Não obstante as diferenças que havia entre eles, os antigos grupos de caçadores e coletores ainda eram mais igualitários do que qualquer sociedade humana subsequente, porque tinham poucas propriedades. A propriedade é um pré-requisito para uma desigualdade a longo prazo.

 

Depois da revolução agrícola, a propriedade multiplicou-se, e com ela a desigualdade. Quando humanos obtiveram propriedade de terra, animais, plantas e ferramentas, surgiram rígidas sociedades hierárquicas, nas quais pequenas elites monopolizavam a maior parte da riqueza e do poder, geração após geração. Os humanos aceitaram esse arranjo como sendo natural e até mesmo proveniente da ordem divina. A hierarquia não era apenas a norma, mas também o ideal. Como poderia haver ordem sem uma hierarquia clara entre aristocratas e pessoas comuns, entre homens e mulheres, entre país e filhos? Sacerdotes, filósofos e poetas em todo mundo explicavam pacientemente que, assim como no corpo humano seus membros não são iguais – Os pés têm de obedecer à cabeça – também na sociedade humana a igualdade só traz o caos.

 

Na modernidade tardia, no entanto, a igualdade tornou-se um ideal em quase todas as sociedades humanas. A história do século XX girou em grande medida em torno da redução da desigualdade entre classes, raças e gêneros. Esperava-se que a globalização disseminasse a prosperidade econômica pelo mundo. Uma geração inteira cresceu sob essa promessa. Agora parece que a promessa talvez não seja cumprida.

 

(Adaptado de: HARARI, Yuval Noah. 21 lições para o século 21. São Paulo: Companhia das Letras, 2018, p. 102-103)

Texto

   

Depois da revolução agrícola, a propriedade multiplicou-se, e com ela a desigualdade. (3º parágrafo)

 

Uma nova, coerente e correta redação da frase acima apresenta-se em:

  1. ACom a multiplicação da propriedade, depois da revolução agrícola, obteve-se igualmente tal fenômeno na desigualdade.
  2. BAssim como se multiplicou a propriedade, após a revolução agrícola, tal processo se deu também em termos de desigualdade.
  3. CNão obstante a revolução agrícola, a multiplicação da propriedade trouxe com ela a ratificação da desigualdade.
  4. DA multiplicação da propriedade, após a revolução agrícola, potenciou também a da desigualdade.
  5. EA desigualdade multiplicou-se na medida mesma onde ocorreu a propriedade, depois da revolução agrícola.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — A multiplicação da propriedade, após a revolução agrícola, potenciou também a da desigualdade.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Reescrita de frase: equivalência semântica e correção gramatical

Gabarito: letra D. A única reescrita que preserva integralmente o sentido da frase original — "a propriedade multiplicou-se, e com ela a desigualdade" — é "A multiplicação da propriedade, após a revolução agrícola, potenciou também a da desigualdade", pois mantém a relação de causa e consequência (a multiplicação da propriedade potenciou a desigualdade) e a correferência ("a da desigualdade" retoma "a multiplicação"). As demais alternativas ou invertem a relação lógica, ou introduzem ideias estranhas ao texto, ou cometem erros de regência e coesão.

O comando pede uma reescrita — ou seja, uma paráfrase que mantenha o sentido original, seja gramaticalmente correta e coerente. Isso exige atenção a três frentes: (1) o sentido (a relação entre propriedade e desigualdade é de causa/consequência, não de mera comparação ou oposição); (2) a gramática (regência, concordância, uso de pronomes); e (3) a coesão (o pronome "ela"/"a" deve retomar corretamente o termo anterior).

No texto-base, a frase "Depois da revolução agrícola, a propriedade multiplicou-se, e com ela a desigualdade" estabelece que o aumento da propriedade acarretou o aumento da desigualdade. O verbo "potenciar" (dar força, intensificar) captura exatamente essa relação causal: a multiplicação da propriedade intensificou a desigualdade. Além disso, "a da desigualdade" é uma elipse que retoma "a multiplicação", mantendo a correferência — exatamente como "com ela" retoma "a propriedade" no original.

A técnica para resolver: teste cada alternativa perguntando se ela mantém a relação causa-consequência e se a gramática está íntegra. Uma reescrita correta não pode inverter a lógica (transformar consequência em causa), nem introduzir conectivos que mudem o valor semântico (como "não obstante", que indica oposição), nem criar ambiguidade pronominal.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a troca de conectivos e a inversão da relação lógica. Alternativas como "não obstante" (oposição) e "assim como" (comparação) parecem plausíveis, mas alteram o sentido original. A correta é a única que mantém a causalidade.

Reescrita de frase
  • 1Exigências
    • Manter o sentido (causa → consequência)
    • Gramática correta
    • Coesão (correferência)
  • 2Erros comuns
    • Trocar conectivo
      • oposição/comparação no lugar de causa
    • Inverter relação lógica
    • Regência inadequada
    • Referência vaga
  • 3Estratégia
    • Identificar a relação do original
    • Testar cada alternativa
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Alternativa A — ❌ Incorreta

"Com a multiplicação da propriedade, depois da revolução agrícola, obteve-se igualmente tal fenômeno na desigualdade."

Erro: contradiz o texto / troca de conceito. A expressão "obteve-se igualmente tal fenômeno na desigualdade" é confusa e inverte a relação: sugere que a desigualdade foi obtida como um fenômeno paralelo, e não que foi potenciada pela propriedade. Além disso, "tal fenômeno" é uma referência vaga — não se sabe se remete à multiplicação ou à desigualdade. A frase original diz que a desigualdade multiplicou-se junto com a propriedade; aqui, a redação obscurece essa relação de causa e consequência.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Assim como se multiplicou a propriedade, após a revolução agrícola, tal processo se deu também em termos de desigualdade."

Erro: troca de conceito (comparação em vez de causa). O conectivo "assim como" estabelece uma comparação de igualdade entre dois processos paralelos. No original, a relação é de causa e consequência: a multiplicação da propriedade causou a multiplicação da desigualdade. A reescrita nivela os dois fenômenos como independentes e simultâneos, o que altera o sentido. Além disso, "tal processo" é uma referência imprecisa.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Não obstante a revolução agrícola, a multiplicação da propriedade trouxe com ela a ratificação da desigualdade."

Erro: contradiz o texto (oposição indevida) e troca de vocábulo. "Não obstante" significa "apesar de", introduzindo uma concessão/oposição — como se a revolução agrícola fosse um obstáculo para a multiplicação da propriedade. No texto, a revolução agrícola é a causa do aumento da propriedade, não um obstáculo. Além disso, "ratificação" (confirmação) não é sinônimo de "multiplicação" — a desigualdade não foi confirmada, foi intensificada. A frase inverte a lógica causal e troca o verbo por outro de sentido diverso.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"A multiplicação da propriedade, após a revolução agrícola, potenciou também a da desigualdade."

Correta porque preserva o sentido e a gramática. O verbo "potenciar" (intensificar, dar força) expressa a relação causal presente no original: a multiplicação da propriedade intensificou a desigualdade. A expressão "a da desigualdade" é uma elipse que retoma "a multiplicação", mantendo a correferência — assim como "com ela" retoma "a propriedade" no texto-base. A redação é clara, coerente e gramaticalmente correta.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"A desigualdade multiplicou-se na medida mesma onde ocorreu a propriedade, depois da revolução agrícola."

Erro: contradiz o texto (inversão de sujeito) e erro de regência. A frase coloca a desigualdade como sujeito da ação de multiplicar-se, quando no original o sujeito é a propriedade ("a propriedade multiplicou-se"). Além disso, "na medida mesma onde" é um erro de regência: o correto seria "na medida em que" (locução conjuntiva proporcional). A construção "onde" para retomar "medida" é inadequada. A reescrita inverte a hierarquia dos elementos e viola a norma culta.

Conclusão: a reescrita correta deve manter a relação de causa e consequência entre a multiplicação da propriedade e o aumento da desigualdade, além de respeitar a correferência e a gramática. A letra D é a única que cumpre todos esses requisitos — as demais ou invertem a lógica, ou introduzem conectivos de valor diverso, ou cometem erros de regência e coesão.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de reescrita, sublinhe a relação lógica expressa pelos conectivos do original (causa, consequência, oposição, comparação) e verifique se a alternativa a mantém. Desconfie de conectivos como "não obstante" (oposição) e "assim como" (comparação) quando o original expressa causa.

Gabarito: letra D

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