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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — FCC 2024

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
fc146667
Banca
FCC
Órgão
TRT 11
Ano
2024
Cargo
AJ TRT11

Ideal do filósofo Jean-Jacques Rousseau

 

A critica às sociedades civilizadas e a idealização do homem primitivo, manifestadas a todo passo nas obras do filósofo Rousseau [1713-1784], foram vistas por muitos intérpretes como a expressão de um desejo de retorno à animalidade. Mas o que o filósofa sempre pretendeu não foi exaltar a animalidade do selvagem, mas sua mais profunda humanidade em relação ao homem civilizado.

 

O homem, para Rousseau, não se regenera pela destruição da sociedade e com o retorno à vida no meio das florestas. Embora privado, no estado social, de muitas vantagens da natureza, ele soube adquirir outras: capacidade de desenvolver-se mais rapidamente, ampliação dos horizontes intelectuais, enobrecimento dos sentimentos e elevação total da alma. Se os abusos do estado social civilizado não o colocassem abaixo da vida primitiva, o homem deveria bendizer sem cessar O instante feliz que o arrancou para sempre da animalidade e fez de um ser estúpido e limitado uma criatura inteligente. O propósito visado por Rousseau é combater os abusos e não repudiar os mais altos valores humanos.

 

Os abusos centralizam-se, para ele, na perda da consciência a que é conduzido o homem pelo culto dos refinamentos, das mentiras convencionais, da ostentação da inteligência e da cultura, nas quais se busca mais a admiração do próximo do que a satisfação da própria consciência. Rousseau, em uma palavra, não pretende queimar bibliotecas ou destruir universidades e academias; reconhece a função útil das ciências e das arfes, mas não quer ver os artistas e intelectuais submetidos aos caprichos frívolos das modas passageiras. Pelo contrário, glorifica os esforços laboriosos da conquista intelectual verdadeira, que se realiza na luta contra os obstáculos da violência e na atividade do espírito critico, livre de pressões.

 

(Adaptado do encarte, sem identificação de autoria, do volume Rousseau = Os pensadores. São Paulo: Abril Cultural, 1973, p. 474-475)

Para o filósofo Jean-Jacques Rousseau,
  1. AInstituições culturais como museus e bibliotecas libertam-nos de vez de vícios ancestrais.
  2. Ba racionalidade e a Inteligência impediram que instintos primitivos aflorem no homem.
  3. Cnão há vantagens em se libertar da vida natural para se integrar ao estado social civilizado.
  4. Dcertas perversões da vida social levam o homem a experiências do mais baixo primitivismo.
  5. Ea sofisticação mais oportuna da consciência humana está em reorientar-se pelo animalismo.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — certas perversões da vida social levam o homem a experiências do mais baixo primitivismo.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Interpretação de texto: a tese de Rousseau sobre os abusos da vida social

Gabarito: letra D. A alternativa correta é a que afirma que "certas perversões da vida social levam o homem a experiências do mais baixo primitivismo", pois o texto, ao tratar dos abusos da sociedade civilizada, menciona que eles podem colocar o homem "abaixo da vida primitiva". A passagem que ancora essa leitura está no segundo parágrafo: "Se os abusos do estado social civilizado não o colocassem abaixo da vida primitiva, o homem deveria bendizer sem cessar o instante feliz que o arrancou para sempre da animalidade". Ou seja, o texto admite que os abusos sociais podem rebaixar o homem a um estado pior que o primitivo.

O comando da questão é de compreensão: pede-se o que, "para o filósofo Jean-Jacques Rousseau", é verdadeiro segundo o texto. Isso significa que a resposta deve ser uma paráfrase fiel de uma ideia explicitamente defendida no texto, sem deduções ou acréscimos. O texto não é uma crítica à civilização em si, mas aos seus abusos. O autor afirma que Rousseau "não pretende queimar bibliotecas ou destruir universidades e academias" e que seu propósito é "combater os abusos e não repudiar os mais altos valores humanos". Portanto, a tese central é a distinção entre a vida social (que pode ser boa) e os abusos dessa vida social (que são nocivos).

A técnica para resolver é localizar a passagem que corresponde a cada alternativa e verificar se ela diz exatamente o que a alternativa afirma. Muitas alternativas erradas extrapolam o texto, acrescentando ideias que não estão nele, ou restringem o alcance de uma afirmação. Por exemplo, a alternativa A fala em "libertar-nos de vez de vícios ancestrais", mas o texto não menciona museus ou bibliotecas como libertadores; a alternativa B diz que a racionalidade "impediu" que instintos aflorem, mas o texto não afirma isso; a alternativa C nega vantagens na vida social, mas o texto diz que o homem "soube adquirir outras" vantagens; a alternativa E fala em "reorientar-se pelo animalismo", mas o texto diz que Rousseau não exalta a animalidade.

A alternativa D, por sua vez, encontra respaldo direto no trecho citado: os abusos podem colocar o homem "abaixo da vida primitiva", ou seja, em experiências de "mais baixo primitivismo". Essa é a única alternativa que parafraseia uma ideia do texto sem acrescentar nada de fora.

PEGA ESSA DICA!

Ao resolver questões de compreensão, grife as palavras-chave do texto que correspondem a cada alternativa. Desconfie de alternativas que usam termos absolutos como "de vez", "impediram" ou "não há", pois elas costumam restringir ou exagerar o que o texto diz.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. O texto não menciona museus ou bibliotecas como instrumentos de libertação de vícios ancestrais. Pelo contrário, diz que Rousseau "não pretende queimar bibliotecas ou destruir universidades e academias", mas isso não significa que elas libertem ninguém. A alternativa acrescenta uma ideia que não está no texto.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. O texto não afirma que a racionalidade impede que instintos primitivos aflorem. Na verdade, diz que o homem, no estado social, adquiriu "capacidade de desenvolver-se mais rapidamente, ampliação dos horizontes intelectuais, enobrecimento dos sentimentos e elevação total da alma", mas não que isso impeça instintos. A alternativa inverte a relação: o texto fala em elevação, não em repressão.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. O texto afirma que o homem, no estado social, "soube adquirir outras" vantagens, como "capacidade de desenvolver-se mais rapidamente, ampliação dos horizontes intelectuais, enobrecimento dos sentimentos e elevação total da alma". Portanto, há vantagens em se integrar ao estado social. A alternativa nega isso, indo contra o texto.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Fundamento: O texto diz que "Se os abusos do estado social civilizado não o colocassem abaixo da vida primitiva, o homem deveria bendizer sem cessar o instante feliz que o arrancou para sempre da animalidade". Isso significa que os abusos podem rebaixar o homem a um estado pior que o primitivo, ou seja, a experiências de "mais baixo primitivismo". A alternativa parafraseia essa ideia sem acrescentar nada.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. O texto diz que Rousseau "não pretende exaltar a animalidade do selvagem, mas sua mais profunda humanidade". Portanto, reorientar-se pelo animalismo é exatamente o oposto do que o filósofo defende. A alternativa inverte a tese central.

Conclusão: A questão pede o que é verdadeiro "para Rousseau" segundo o texto. A única alternativa que encontra respaldo direto é a D, que parafraseia a ideia de que os abusos sociais podem rebaixar o homem ao primitivismo. As demais ou extrapolam, ou contradizem o texto. Gabarito: letra D.

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