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Questão de Português — Regência Nominal e Verbal (Casos Gerais) — FCC 2024

PortuguêsRegência Nominal e Verbal (Casos Gerais)
Código
fc146706
Banca
FCC
Órgão
TRF 3
Ano
2024
Cargo
AJ TRF3

Leis dos homens e leis da Natureza

 

Enquanto as leis dos homens buscam ordenar o comportamento dos indivíduos e da sociedade como um todo, de modo a tornar a vida comunal mais segura, as leis da Natureza são deduzidas de observações de toda uma variedade de fenômenos. Da mesma forma, enquanto as leis dos homens são baseadas em valores morais que variam de cultura para cultura e conforme o decorrer do tempo, as leis da Natureza buscam uma universidade, tentando descrever comportamentos concretos - e verificáveis - que ocorrem no espaço e no tempo.

 

Com isso, se para um grupo certos rituais são aceitáveis, enquanto para outro os mesmos rituais são considerados bárbaros, estrelas em todo o cosmos vêm fundindo hidrogênio em hélio seguindo as mesmas regras desde o seu aparecimento, por volta de 200 milhões de anos após o Big Bang. Se em alguns países a pena de morte é um ato imoral, enquanto em outros é instituída com um zelo quase que fanático, moléculas em trilhões de planetas e luas nesta e em outras galáxias combinam-se e recombinam-se em reações químicas que seguem as mesmas leis de conservação, de atração e repulsão entre os reagentes.

 

As variações nas leis dos homens mostram que pouco sabemos sobre nós mesmos, e tampouco conseguimos concordar sobre quais são os valores morais universais, ou mesmo se esses existem. Por outro lado, a precisão das leis da Natureza, sua universalidade, vem inspirando muitos pensadores a usá-las como base para todas as leis, incluindo as leis dos homens. Basta lembrar-se da busca de leis sociais, fundamentadas rigidamente na racionalidade que caracterizou o Iluminismo. Essa busca não começou aí, existindo já bem antes do século XVIII. Consideremos, por exemplo, Platão e suas Formas Ideais: há no pensamento desse filósofo da Antiguidade, um senso de veneração com o poder da matemática, e ainda mais com o poder da mente humana, por ter concebido o que pareciam ser verdades eternas a partir da observação do comportamento da Natureza.

 

(Adaptado de: GLEISER, Marcelo. A Ilha do conhecimento. Rio de Janeiro: Record, 2023. 7.ed., p. 288-289)

Para responder a questão, baseie-se no texto abaixo.     É plenamente regular o emprego do elemento sublinhado na frase:
  1. AMuitos fiéis consideram bárbaros os mesmos ritos de que outros fiéis consideram sagrados.
  2. BAs leis humanas buscam o equilíbrio comunal à que aspiram as sociedades mais justas.
  3. CAs leis da natureza constituem um repertório de fenômenos aonde sua regularidade é incontestável.
  4. DA veneração com cuja Platão considerava o poder da matemática levou-o às formas ideais.
  5. EÉ admirável o rigoroso zelo a que se obriga aquele cientista no acompanhamento de sua experiência.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — É admirável o rigoroso zelo a que se obriga aquele cientista no acompanhamento de sua experiência.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Regência do pronome relativo: o caso de "a que" e "de que"

Gabarito: letra E. A única frase em que o emprego do elemento sublinhado é plenamente regular é a da alternativa E, pois o pronome relativo "que" é regido pela preposição "a", exigida pelo verbo "obrigar-se" (obrigar-se a algo). A regência está correta porque o verbo "obrigar" pede a preposição "a" para introduzir seu complemento, e o pronome relativo "que" retoma "zelo", funcionando como complemento do verbo "obriga". As demais alternativas apresentam erros de regência, seja por usar preposição inadequada, seja por empregar pronome relativo sem a preposição exigida.

A questão cobra regência verbal e nominal, especificamente o uso do pronome relativo com a preposição adequada. Para resolver, é preciso identificar qual verbo ou nome rege a preposição e verificar se ela está corretamente empregada antes do pronome relativo. A banca testa o conhecimento das regências de verbos como "considerar", "aspirar", "venerar" e "obrigar-se", além do uso de "aonde" e "onde".

No texto-base, o autor discute a diferença entre leis humanas e leis da Natureza, mas a questão não depende diretamente do conteúdo do texto — ela usa o texto apenas como ponto de partida para testar a regência. O foco está na estrutura sintática das frases apresentadas nas alternativas.

A técnica central é: identifique o verbo ou nome que rege a preposição e verifique se a preposição usada antes do pronome relativo é a exigida. Para isso, é útil reescrever a frase na ordem direta, substituindo o pronome relativo pelo termo a que ele se refere. Por exemplo, em "o zelo a que se obriga", a forma direta seria "o cientista se obriga a o zelo" — a preposição "a" é exigida pelo verbo "obrigar-se".

PEGA ESSA DICA!

Para testar a regência, substitua o pronome relativo pelo termo antecedente e veja se a preposição continua fazendo sentido. Se a frase ficar estranha ou agramatical, a regência está errada.

Regência do pronome relativo
  • 1Técnica: reescrever na ordem direta
    • Substituir o relativo pelo antecedente
    • Verificar se a preposição é exigida
  • 2Erros comuns
    • Preposição indevida (considerar, venerar)
    • Crase antes de "que" (aspirar)
    • "aonde" por "onde" (sem movimento)
  • 3Caso correto
    • Obrigar-se a algo → "a que"
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Alternativa A — ❌ Incorreta

"Muitos fiéis consideram bárbaros os mesmos ritos de que outros fiéis consideram sagrados."

O erro está na preposição "de". O verbo "considerar" é transitivo direto, ou seja, não exige preposição. A forma correta seria "os mesmos ritos que outros fiéis consideram sagrados" — sem preposição. A alternativa acrescenta uma preposição indevida, caracterizando erro de regência verbal.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"As leis humanas buscam o equilíbrio comunal à que aspiram as sociedades mais justas."

O erro está na crase antes do pronome relativo. O verbo "aspirar" (no sentido de almejar) exige a preposição "a", mas o pronome relativo "que" não admite artigo feminino "a" antes dele. A forma correta seria "o equilíbrio comunal a que aspiram" — sem crase, pois não há artigo definido feminino antes do pronome relativo. A alternativa emprega crase indevida, confundindo a preposição "a" com o artigo "a".

Alternativa C — ❌ Incorreta

"As leis da natureza constituem um repertório de fenômenos aonde sua regularidade é incontestável."

O erro está no uso de "aonde". O advérbio "aonde" é usado apenas com verbos que indicam movimento, como "ir", "chegar", "voltar". No contexto, a frase pede "onde" (lugar em que algo está) ou "em que". A forma correta seria "fenômenos em que sua regularidade é incontestável" ou "fenômenos onde sua regularidade é incontestável". A alternativa troca "onde" por "aonde", erro clássico de regência.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"A veneração com cuja Platão considerava o poder da matemática levou-o às formas ideais."

O erro está na preposição "com". O verbo "venerar" é transitivo direto, não exige preposição. A forma correta seria "a veneração que Platão considerava" ou "a veneração por que Platão considerava" (se houvesse sentido de motivo). A alternativa acrescenta preposição indevida e ainda usa o pronome "cuja" de forma inadequada, pois "cuja" exige que o termo seguinte seja um substantivo sem preposição, o que não ocorre.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"É admirável o rigoroso zelo a que se obriga aquele cientista no acompanhamento de sua experiência."

A regência está correta. O verbo "obrigar-se" exige a preposição "a" (obrigar-se a algo). O pronome relativo "que" retoma "zelo" e é regido pela preposição "a", formando "a que". A forma direta seria "aquele cientista se obriga a o zelo" — a preposição "a" é exigida pelo verbo. A alternativa emprega corretamente a preposição exigida pela regência verbal.

Gabarito: letra E. A questão testa a regência verbal e nominal, e a única frase em que o elemento sublinhado é empregado de forma plenamente regular é a da alternativa E, pois o verbo "obrigar-se" rege a preposição "a", corretamente usada antes do pronome relativo.

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