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Questão de Português — Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto. — FCC 2024

PortuguêsReescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
Código
fc146708
Banca
FCC
Órgão
TRF 3
Ano
2024
Cargo
AJ TRF3

Valor social da memória

 

Não há evocação, não há memória sem uma inteligência do presente, um homem não sabe o que ele é se não for capaz de sair das determinações atuais. Aturada reflexão pode preceder e acompanhar a evocação. Uma lembrança é um diamante bruto que precisa ser lapidado pelo espírito: sem o trabalho da reflexão e da localização, seria uma imagem fugidia. O sentimento também precisa acompanhá-la, para que ela não seja uma repetição do estado antigo, mas uma reaparição.

 

Se existe uma memória voltada para a ação, com sua prática de hábitos assimilados, e uma outra memória que simplesmente revive o passado, parece ser esta a dos velhos, Já libertos das atividades profissionais e familiares. Mas o ancião não sonha quando rememora: desempenha uma função para a qual está maduro, a alta função de unir o começo ao fim, de divisar os limites de uma história inteira. Um mundo social que possuí uma riqueza e uma diversidade que não conhecemos pode chegar-nos pela memória dos velhos. Momentos desse mundo perdido podem ser compreendidos por quem não os viveu. A conversa evocativa de um velho é sempre uma experiência profunda: para quem sabe ouvi-la, cria um nexo entre o passado e o presente, é Instigante e inspiradora.

 

(Adaptado de: 8OS1, Edéa. Memória e sociedade - Lembranças de velhos. 20.ed. sao Paulo: Companhia das Letras. p. 84)

Para responder a questão, baseie-se no texto abaixo.     Momentos desse mundo perdido podem ser compreendidos por quem não os viveu. A frase acima ganha nova, coerente e correta redação em:
  1. APara viver os momentos de um mundo perdido implica em compreendê-los.
  2. BÉ possível compreender um mundo perdido por quem não o pôde ainda assim viver.
  3. CMesmo quem não os tenha vivido poderá compreender momentos desse mundo perdido.
  4. DConquanto os tenha vivido, quem não compreendeu aqueles momentos perdidos pode agora fazê-lo.
  5. EO mundo perdido tem momentos onde sua compreensão se dá para quem não os viveu.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Mesmo quem não os tenha vivido poderá compreender momentos desse mundo perdido.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Reescrita de frase: como manter o sentido original

Gabarito: letra C. A reescrita correta é "Mesmo quem não os tenha vivido poderá compreender momentos desse mundo perdido", pois preserva integralmente o sentido da frase original — a possibilidade de compreender momentos de um mundo perdido mesmo sem tê-los vivido — e mantém a correção gramatical, com o pronome "os" retomando "momentos" e a correlação verbal adequada (tenha vivido / poderá compreender). A passagem que ancora essa leitura está no texto: "Momentos desse mundo perdido podem ser compreendidos por quem não os viveu."

O comando: reescrita sem alteração de sentido

A questão pede uma nova redação coerente e correta para a frase destacada. Isso significa que a alternativa deve:

  • Preservar o sentido original — a ideia de que é possível compreender momentos de um mundo perdido mesmo sem tê-los vivido.

  • Manter a correção gramatical — concordância, regência, tempos verbais e coesão adequados.

  • Não acrescentar nem suprimir informações — qualquer mudança de sentido (como inverter a condição ou trocar o conectivo) torna a alternativa errada.

A técnica central é testar cada reescrita perguntando: o sentido original foi mantido? A gramática está íntegra? Se a resposta for não a qualquer uma das duas, a alternativa cai.

O texto e a frase-base

No texto, a frase "Momentos desse mundo perdido podem ser compreendidos por quem não os viveu" expressa uma possibilidade: quem não viveu os momentos pode compreendê-los. O sujeito é "quem não os viveu" (uma oração relativa sem antecedente), e o verbo "podem" indica capacidade ou possibilidade. A reescrita deve manter essa relação: a condição de não ter vivido não impede a compreensão; ao contrário, é justamente para quem não viveu que a compreensão é possível.

A técnica: correlação verbal e conectivos

A alternativa C usa a estrutura "Mesmo quem não os tenha vivido poderá compreender". Aqui, "mesmo" funciona como partícula de realce, enfatizando que a compreensão ocorre apesar da não vivência. O verbo "tenha vivido" está no pretérito perfeito do subjuntivo, e "poderá compreender" no futuro do presente do indicativo — uma correlação perfeita: a condição (não ter vivido) é anterior à possibilidade (compreender). O pronome "os" retoma "momentos", mantendo a coesão referencial.

Compare com as outras: a letra A inverte a relação ("para viver... implica em compreender"), a B quebra a estrutura com "pôde ainda assim", a D inverte a condição ("conquanto os tenha vivido"), e a E usa "onde" indevidamente para tempo. A única que mantém o sentido e a gramática é a C.

1Exigências
Preservar o sentido original
Manter a correção gramatical
Não acrescentar nem suprimir
2Técnica de teste
Sentido foi mantido?
Gramática está íntegra?
3Erros comuns
Inverter a condição
Trocar o conectivo
Uso indevido de "onde"
Ambiguidade pronominal
Reescrita de frase
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Reescrita de frase: Exigências (Preservar o sentido original, Manter a correção gramatical, Não acrescentar nem suprimir); Técnica de teste (Sentido foi mantido?, Gramática está íntegra?); Erros comuns (Inverter a condição, Trocar o conectivo, Uso indevido de "onde", Ambiguidade pronominal)

Alternativa A — ❌ Incorreta

"Para viver os momentos de um mundo perdido implica em compreendê-los."

Aqui há dois problemas: primeiro, a relação de causa e efeito é invertida — no original, quem não viveu pode compreender; na reescrita, viver é condição para compreender. Segundo, há um erro de regência: "implica em" é condenado pela norma culta (o verbo implicar, no sentido de acarretar, é transitivo direto: "implica compreendê-los"). A alternativa extrapola ao acrescentar uma relação de implicação que não existe no texto.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"É possível compreender um mundo perdido por quem não o pôde ainda assim viver."

A frase é confusa e gramaticalmente incorreta: "por quem não o pôde ainda assim viver" — a ordem dos termos e o uso de "ainda assim" quebram a clareza. Além disso, "um mundo perdido" no singular altera o sentido: o original fala de "momentos" (plural) de um mundo perdido, não do mundo inteiro. A alternativa restringe o alcance ao trocar o objeto, e a construção sintática é inaceitável.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Mesmo quem não os tenha vivido poderá compreender momentos desse mundo perdido."

Esta é a única que preserva integralmente o sentido: a possibilidade de compreender momentos de um mundo perdido mesmo sem tê-los vivido. O pronome "os" retoma "momentos", o verbo "tenha vivido" está no subjuntivo (condição hipotética) e "poderá compreender" no futuro (possibilidade). A partícula "mesmo" reforça a ideia de que a não vivência não impede a compreensão. A correlação verbal está perfeita.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"Conquanto os tenha vivido, quem não compreendeu aqueles momentos perdidos pode agora fazê-lo."

A conjunção "conquanto" é concessiva e significa "embora". A frase diz: "embora os tenha vivido, quem não compreendeu... pode agora fazê-lo" — ou seja, inverte a condição: no original, quem não viveu pode compreender; aqui, quem viveu (mas não compreendeu) pode compreender agora. O sentido é diferente. Além disso, "aqueles momentos perdidos" e "fazê-lo" criam ambiguidade. A alternativa contradiz o texto ao inverter a condição.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"O mundo perdido tem momentos onde sua compreensão se dá para quem não os viveu."

O uso de "onde" é inadequado: "onde" refere-se a lugar, mas "momentos" é tempo. O correto seria "em que" ou "nos quais". Além disso, "sua compreensão" é ambíguo (compreensão de quê? do mundo? dos momentos?). A frase é confusa e o sentido original — a possibilidade de compreender momentos — fica diluído. A alternativa tangencia o tema ao falar do mundo perdido em vez de focar nos momentos.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a troca de conectivos e a inversão da condição. A letra D, com "conquanto", parece elegante, mas inverte o sentido: no original, quem não viveu pode compreender; na D, quem viveu (mas não compreendeu) pode compreender. Desconfie de conjunções que mudam a relação lógica.

PEGA ESSA DICA!

Ao reescrever, sublinhe o sujeito e o verbo da frase original. Pergunte: quem faz a ação? Em "Momentos... podem ser compreendidos por quem não os viveu", o sujeito é "quem não os viveu". A reescrita deve manter esse sujeito e a relação de possibilidade.

Gabarito: letra C.

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